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segunda-feira, junho 24, 2013

Estórias na minha história




Há um ano, neste dia, acordei com uma mensagem privada de uma Amiga que sempre tratei bem e que sempre me ajudou também, até ao momento de se afastar sem explicações...
Entre outros dizeres pouco simpáticos, a pessoa em questão desejava que eu "morresse no meu próprio veneno", etc. e eu fiquei chocada e perturbada.

Escravo/a - a delegação total de Poder - A Entrega!

Ao longo dos anos, quase uma década, muitas foram as "entidades" que, depois de se encostarem a mim por interesses vários, trataram depois de me tentar enxovalhar e diminuir. Tenho toda a responsabilidade do que fiz e faço e farei, do que digo, mas não do que cada um interpreta e ajusta às suas "verdadinhas"... No entanto, aprendi devagar a lidar com isso e a perceber que, como recentemente disse um Amigo meu, com pesar - "A Vida é cruel!"

BDSM * Bondage, Dominação/submissão, Sado-Masoquismo

De facto.
E os vários poentes de desencanto ao longo do caminho não nos ensinam nada - só nos tiram forças por desgaste, ou nos fazem investir de raiva. No meu caso, as infinitas tolerância e paciência, o acreditar que o ser humano merece várias oportunidades porque todos somos imperfeitos e errados, não me valeram de muito. E como não é possível provar intenções... que cada um se espoje na sua arrogância e soberba, se lhes dá conforto.

Em dialecto japonês, kenji - símbolo para escravo/a


Pessoalmente, cansei.
São dez anos de investir tudo o que tinha - e não tinha - numa causa, acima de tudo, e nas pessoas com uma afinidade comum, no BDSM e na Comunidade Nacional - palavrões que à época eram malditos e nem sequer tinham espectro. Os "velhos do restelo" investiram em luta feroz contra a "saída do armário" dos BDSMers portugueses, satisfeitos que estavam com os "serões da província", escondidos no recato do lar. Como os casais católicos ( e não só esses) educados a fazer sexo abafado apenas aos sábados, que, nos anos ´70, ainda eram a maioria em Portugal.Ninguém queria mudar nada e, pior, que nada fosse mudado!

Triskel ou triskell * símbolo mundial do BDSM * Três pilares desta filosofia Alternativa * São, Seguro e Consensual

Uma década depois, ninguém se recorda que, então, as pessoas se escondiam e só diziam o nick e mentiam sobre tudo o que lhe era pessoal - legítimo, mas pelas razões erradas. Hoje, em encontros temáticos, fico pasma a constatar que agora se diz o nome num primeiro conhecimento e "Saber o nick para que? Já disse o nome..." o que me dá que pensar. 

Na vertente Gor (inspirada nos livros ficcionados de John Norman) - a kajira é a escrava do Senhor

A Comunidade não evoluiu enquanto entidade - é um facto - e os nicks passaram a ser estrelas de cartaz consoante o numero de fotos que publicam e de preferência com práticas "muito hard". Fotos! Na época, ai de quem falasse em fotos, que se assemelhava a um Bin Laden de máquina em riste. Também a regionalização no seio da Comunidade, infecção viral terrível, apesar de aparentemente ter sido uma mais-valia, apenas desagregou o que a certo ponto foi conseguido. Mas "crise oblige" e, se serve a todos...

"Apesar de ser um cavalheiro, não significa que não te espancarei..."

Tal como nas mudanças de regime político, as transições são sempre complicadas e raramente bem conseguidas. Do Fascismo para a Liberdade, do Comunismo para o Capitalismo, ou do BDSM Nacional escondido atrás dos panos para figura de proa de leviandade, vaidade e protagonismo! Sinais dos tempos? Ou a Liberdade já não é um pau de dois bicos? Ou o auto-respeito desapareceu, em tópicos mais que estafados e repetidos sobre temas que muitas vezes nem são bem fundamentados, por desconhecimento...?
Farta de matutar em tudo isto e de não gostar do que vejo, decidi observar durante o último ano. E doeu... 

O Dono e quem pertence a alguém.


Quando meia dúzia de pessoas acreditaram que valeria a pena "dar um abanão´" na poeirenta fórmula do recato e vergonha, há dez anos e até antes - um a_Badboy irreverente e virtualmente pioneiro do espírito de união, um Jack Nitto que pela primeira vez aparece a dar a cara num programa da RTP e sofre consequências pessoais e profissionais, um Erothiko e ADG (e várias equipas) com as The Gathering Parties, as primeiras Festas 24/7 (homenagem ao Dia Internacional do BDSM) pela mão do DomSádico e a sucessão lógica com o Projecto Dominium - em várias frentes e sempre visando alertar os beginners/iniciantes no que se poderiam estar a meter e os escolhos do caminho - toda esta gente e com muita ajuda de terceiros, permitiu que, hoje, em sites internacionais de renome a Comunidade BDSM Portuguesa tenha representação, sem medos.

Dominador e submisso/a.


Desde então, as iniciativas floresceram e tudo pareceu mais fácil - como o ovo do Colombo - e, felizmente, a tendência não será o retrocesso, apesar de se terem perdido muitos valores e "causas" em prol da identidade pessoal.
Não pretendo que me dêem razão, não o espero e não me interessa muito. Pessoalmente, já fiz a minha parte no que toca à Comunidade BDSM Portuguesa, sem arrependimentos e sem lamentos.
A História está cheia de estórias que só ganham valor à luz da época e com o preciso enquadramento, donde raramente as leituras e juízos são isentos - seja a História do Mundo ou a do BDSM Português.

Skydomme & bondarina * Junho 2013

E por tudo isto e também pelo que não disse, pela minha vida pessoal que descurei no entretanto, pelos muitos abusadores que se aproveitaram de mim para serem, hoje, "anjos" sem aura nem mácula, pelo que não fiz ainda e vou fazer, preciso de espaço e isenção - donde abandonei o Fetlife e o Facebook e matei a bondarina pública.
Excepção feita neste meu canto de que tanto me orgulho, e onde quem merece será sempre bem-vindo!

O animal de estimação.

Senti necessidade desta explicação, devida ao carinho que muitos ainda hoje me demonstram, pelo facto de hoje ainda me dizerem "toda a gente sabe quem é, muito gosto em conhecê-la" e prevalecer uma frase que sempre me arrepiou mas era simpática "ah, a famosa bondarina"...


bondarina 2013 * Espaço Vénus
Pelo legado que, de algum modo, penso ter ajudado a criar,   e pela responsabilidade que ainda assumo em particulares, peço desculpa a quem acha que os traí nesta saída de cena. Continuo cá e usem e abusem do telemóvel e do email... De facto, agradeço a todos os Amigos nesses dois espaços virtuais a compreensão necessária, com a certeza, porém, de que não há nenhum funeral....

Bute lá começar uma nova estória na minha história!
A quem puder interessar.....

terça-feira, julho 17, 2012

bondarina vs bondarina VI



BONDA - escrito em cera por Cruela
sobre knife play de Necrosavant

6) O que mais gostas de sentir tendo o BDSM como modo de vida, ou é apenas um mundo imaginário de menina que realizas quando podes, apenas porque sim? (Lunatik)


Nunca faço nada porque sim!
Não sou impulsiva e até demoro a dar-me, a entregar-me - as poucas vezes que o fiz por acção/reacção senti que nao o devia ter feito...

Tenho na minha cabeça infinitas páginas de sessões por realizar e de contextos de plays que ninguém sonha, que encheriam vários livros...
Sou uma Mulher que gosta da casa e da lida da casa, gostaria de ter tido filhos e netos - mas não é o caso. Se pudesse ter um Dono a quem, num contexto familiar, me entregasse 24/7 - seria o meu ideal.


O mel e o fel escorrem dos olhos dos submissos

NOTA: Geralmente as pessoas assustam-se ao falar de 24/7 - pois visualizam as práticas SM antes da D/s. Evidentemente que ninguém consegue estar 24/7 a fazer plays - mas há mais componentes na Dominação que podem perfeitamente encaixar, sem dolo para terceiros ou em demasiada exposição familiar. O Domínio começa na cabeça e pode, ou não, ter o corpo como complemento... Já tive um "ensaio" nesse sentido, mas então faltou honestidade da parte do meu Dono, e as suas fantasias não me foram partilhadas e acabou num caos. Se ele tivesse revelado todo o seu ser e desejo, o céu teria sido o limite, pois eu confiava  nele a 100% e estava entregue por Amor; teria feito de tudo (mais) para o fazer feliz.


"Tia Hook"
Sepia toned Silver Gelatin Print
Copyright 2002
VICTOR

O que mais gosto de sentir? A cumplicidade de alma, corpo e mente entre as partes, num ponto de clash que não tem nome, numa fusão em que bastam os olhares para saber que estamos protegidos e bem entregues. Que alguém vela o meu sono e toma conta de mim - mesmo a marcar-me a fogo, que seja. Esta é a minha versão idealista do BDSM - uma espécie de amor que cola e funde as partes, quebrando limites e abrindo horizontes.
A versão realista?
Pobre, muito pobre - enquanto a hierarquia não for abalada pelo princípio de que não é por ser Dom/Domme que já ganhou o jogo e eles se vão instalando confortavelmente atrás de chicotes e chibatas sem mais adoçantes e sem entrega, continuará a ser o que temos mais no Meio.
E com a mudança de mentalidade que permitiu que de voyeurs todos se tenham tornado participantes - a coisa piora; passou-se a fogueiras de vaidades e competição pela teatrialidade dos actos perpetuados em concursos fotográficos sem fim. De um extremo a outro. O que levanta a pergunta - é preciso "mostrar currículo" para se ser Dom/Domme ou sub?
Não critico, mas tenho consciência que quem chega de novo, adquire a noçao de que se nao tiver umas 500 fotos para partilhar jamais será aceite e conhecido e poderá perder acessibilidade ao Meio.
Já caí na armadilha também; durante anos tive fotos minhas, em sessão, escondidas e, por arrasto, recentemente acabei por expor algumas, por variadas razões - para agradecer a quem me submeteu, porque gostei das fotos e naquele momento faziam sentido e por questões pessoais que, reconheço agora, foram o pior motivo de todos. Mas quem não o fez já?

Não faço BDSM quando posso.
Todos tivemos uma endurance de sessões descartáveis no começo do nosso percurso e fizeram sentido, mas a partir de certo ponto - chega e há outro nível a ascender.
Já tive vários Donos e coleiras em relações mais ou menos prolongadas - desde 1 ano a quase 4 anos...
Não sou submissa de saltar de Dom para Dom - porque não é o SM que me move, mas o BDSM e esse carece de emissor/receptor a tempo inteiro. Mas já fiz SM em contexto amigavel de festa, sempre com alguem que sei não me deixará cair... nao sessão, mas olhos a brilhar e corpo à espera e alma a borbulhar.
Adianto até que o último Dono que tive, recentemente, nem sonhou que fui sua, sem sexo, coleira ou futuro. Mas enquanto durou foi assombroso...


Há Doms/Dommes que não reconhecem um submisso que se lhes entrega nem que eles o escrevessem na sua testa - a febre da dor altera a visão da entrega.

(Continua...)

sábado, junho 30, 2012

bondarina Vs bondarina V


("escrava" em dialecto Kenji/Japão)


5) Quando descobriu o BDSM na Internet, assumiu logo, visualmente, ser submissa?  
Ao pesquisar online, descobri um paraíso escondido, especialmente no tão famoso (por mérito) site "Desejo Secreto" (BR) e por indicação "INSEX" (EUA).
Pelo lado gráfico, visual, relativamente à minha descoberta virgem, a primeira indicação fez-se com as Dominadoras, curiosamente.Imagens poderosas de mulheres fortes em roupa sexy e com o Poder na mão, em oposição às desgraçadas nuas, descalças e a rastejar num chão sujo - as submissas. Não reparei na parte masculina - nem nos submissos, nem nos Dominadores. E senti total aversão por imagens mais fortes de SM - a beleza do acto de Dominar e ser dominado fascinou-me - digerir a dor em contexto visual nao me seduziu, causando até alguma aversão.
Tendo eu uma personalidade forte no quotidiano, numa primeira impressão não me atraíu minimamente a imagem física passada das mulheres dominadas; de imediato avaliei (erradamente, soube depois) falta de dignidade e auto-estima.
Portanto, não arquivei a ideia de submissa, até passar das imagens aos textos (especialmente relatos na 1ª pessoa) e quando finalmente senti a luxúria entrepernas, a instalar-se como um vírus, a ganhar caminho.
Nessas descrições, a imediata colagem ao que sentia nas minhas fantasias e até no ocasional rough sex emergiram e ganharam forma.

E a concretização das fantasias aconteceu de ânimo leve e rapidamente?
Não. Talvez pelo facto de ser uma pessoa de forte personalidade e tímida, retraída (apesar de disfarçar bem), o processo foi moroso. Continuei a querer saber e perceber mais e mais, especialmente nos Canais temáticos de IRC/MIRC (então em voga) e ao fazer amizade nética com "veteranos/as" no BDSM Português.
Ainda hoje reconheço ter tido muita sorte, numa primeira fase, ao conhecer as pessoas certas, algumas que até hoje se mantiveram Amigas, anos volvidos.
Complementava a aprendizagem com leituras temáticas clássicas, idas a sites e blogs do tema; ainda hoje considero os últimos, generalizando, os espaços mais credíveis para se entender o que é, na pele, o BDSM. Na altura não havia a febre nética que se verifica agora, nem tanta oferta, donde, todos líamos e conhecíamos, inevitavelmente, as mesmas referências e "nicks".

...One Lock One Key...

Que idade tinhas quando tiveste a tua primeira sessão? (fear)
Trinta e nove anos.
Depois de me informar imenso e com consciência, vontade e determinação.
Aliás, defendo que a prática do BDSM ou/e do B, D/s e do SM - deveria ter uma idade mínima reconhecida, pelos 30 anos e nunca menos.
Não se trata de maturidade quantitativa, mas de experiências vividas, auto-conhecimento de desejos e rumos, e capacidade de auto-controle.
A Dominação/submissão mexe profundamente com alma e mente e o SM com o corpo e os limites individuais; em qualquer das vertentes, o vício da adrenalina instala-se e o horizonte muda de sítio a cada hora. Pode ser perigoso e deixar marcas eternas.
Jovens a iniciar o seu caminho, sem referências pessoais, não terão a mesma couraça ou/e consciência de perigo ao colocar a sua Vida na mão de outrem ou terceiros.
Nem falo agora nos motivos que levam alguém a praticar BDSM, senão o SEXO acessível estaria no topo da lista - e eu refuto essa tendência...

Como descobriste a tua posição no BDSM? E nunca duvidaste da mesma? (Cruela)
Curiosamente através de swingers - um casal e um single, separadamente. Com o meu mentor (do casal) eram noites infinitas a debater o assunto e a trocar info para beginners (até ao primeiro encontro com ambos), com o single, além da inicial conversa aprazível e útil trocada e uns laivos eróticos via MSN, só in loco ele tirou as dúvidas, numa abordagem que deveria ser meramente sexual mas que ele explorou para um soft D/s e eu correspondi. Considero esse o momento carnal da revelação e primeira sessão, embora sem esse título no momento...



Se já duvidei da minha tendência submissa? Não.
Como todas as mulheres enganadas ou traídas, há um dia na Vida em que amaldiçoamos o Homem e até verbalizamos que o mataríamos de pancada, mas isso é teoria e passa depressa.
Não tive nem tenho tendência Dominadora, mas já experimentei SM em homens, duas ou tres vezes e gostei - a prática do SM per si, em que, vendo bem, estou igualmente a dar ao Homem o que ele deseja, não me assusta nem me baralha.
Dominação não é SM e eu jamais tive interesse/necessidade em ser a Dona da Alma dum Homem Submisso.
As práticas SM podem ser estanques e isso soube-me muito bem, enquanto fiz o parceiro feliz; noutro contexto, seria impensável. Claro que, como sucede com muitas ex-subs, seria mais fácil "vingar-me dos gajos" e passar a arrear-lhes, porque sim - não acontece comigo e se depender de mim, jamais acontecerá.
Portanto, com mais ou menos chibatada a pedido de Amigos homens submissos, para os fazer felizes - não, nunca me ocorreu ser Domme! Apesar de me dar prazer essa interacção...

(continua)

quinta-feira, junho 28, 2012

bondarina Vs bondarina IV


(foto Sir LancelotLX, montagem Aerelon)


4) Como te observas dentro e fora da bondarina? (pulga perguntou)

Deveria ser igual, mas por vicissitudes do caminho, não foi bem assim...

Continuo a mesma pessoa, embora no quotidiano tenha personalidade forte e imposta - o que não altera a minha submissão em contexto. No entanto não me considero uma "submissa de cartilha" - não compactuo num "play/sessão" se estiver desmotivada ou a representar, interrompo-as mesmo; não me entrego facilmente enquanto não sentir total confiança em quem ponho a minha Vida nas mãos; detesto injustiças e se um Dom diz que me vai castigar por uma situação inexistente faço o reparo, embora aceite o que se segue; etc, etc.  Não acredito que ser submisso signifique ser vítima ou "o sacrificado" - entendi sempre e defendo que BDSM é um jogo que começa a dois, e as fantasias de ambas devem ser realizadas na medida do possível; se um dos pares apenas e egoisticamente encarna um papel de omnipotente e tirano, para mim deixa de ser BDSM e há sim uma certa "violentação" dos parâmetros.

Porque na minha jornada me deram latitude e adjectivaram e projectaram como "famosa" (suponho que no sentido de gostarem do que afirmava e das minhas posições públicas sobre temas tabú até), porque integrei o Projecto Dominium com visibilidade, porque a certo ponto cheguei a sofrer o "peso da fama" - necessariamente a bondarina fora das entregas a um Dom/Dono teve de se adaptar e fazer mil malabrismos para agradar a gregos e troianos - com muita perda pelo meio, embora valesse a pena!

Mas na essência a bondarina é só uma e será sempre; mantive-me fiel a princípios de que jamais abdicarei e continuo a ajudar quem precisar. Inimigos? Claro que os fiz, mas quem não faz. ao longo da Vida, em qualquer micro-cosmos...
A bondarina/eu fez tudo que tinha a fazer - em público e em contexto BDSM, sem remorsos, culpas ou arrependimentos. O que saiu bem, excelente, o que nao saiu tão bem - faz parte de aprender!
Se a bondarina tivesse de mudar - teria morrido!

quinta-feira, junho 14, 2012

bondarina vs bondarina III

3. Podes descrever esses diálogos enquanto "a sede apertava"?(J.C.)


* No seguimento do que disse antes, os meus “diálogos” imaginários ao espelho ou na escuridão do leito, giravam em torno de humilhação com ordens e sevícias e garganta seca. O algoz/es e a “vítima” em situação de hierarquia forçada e sem alternativa de fuga. As reproduções de cenas de tortura da Idade Média em filmes, a Literatura que reproduzia os Grandes Julgamentos, etc - eram uma constante transposta para a imaginação. Um pouco retirado dos filmes que via e o resto apimentado por mim; reforço que não era a componente sexual a mais presente, embora o sexo anal fosse constante nas humilhações.

Achas que as tuas vivências e fantasias enquanto criança e adolescente são importantes para o Presente?
(Cruela)


*Sem dúvida que são. Se não tivesse começado cedo a explorar sexualmente o meu corpo, depois com pormenores de dor e castigo e recompensa, certamente seria mais reprimida e mais contida pela vida fora. Nunca fui uma louca, mas em privado sentia uma autoconfiança sexual que me fazia bem e aos meus parceiros, generalizando. Bem como no BDSM – sentindo-me bem com o meu corpo, uma barreira estava ultrapassada…


*Quando dizes: "Sem me aperceber, fazia um pouco da tão em voga masturbação "tântrica" e controlar os orgasmos era um desafio. Pobre vítima...", interpreto que consideravas uma tortura prazerosa e ias-te apercebendo da tua condição submissa. Isso incomodava-te quando saías desse êxtase sexual?
(pergunta de Felídeo)


*Não me ia apercebendo da minha condição submissa, pois na época nada do que falamos hoje, aqui, tinha nome; estava lá, era um facto, não prescindia dos meus momentos de prazer, mas nada tinha nome – apenas tinha consciência de ser “a vítima” em fantasias sexuais (achava então). O sair do êxtase… era tão normal como atingi-lo e nessa idade não perdia tempo a filosofar sobre o que se passava – apenas desfrutava, chegando a adormecer cheia de tralha em mim, após um orgasmo. Era acção/consequência – sem grandes dissertações!


 
(ilustrações retiradas da Net)

domingo, junho 10, 2012

bondarina vs bondarina II




by Dom Beto

bondarina entrevista bondarina


2 . Fala-me dos objectos e de que forma os usavas... (pergunta de J.C.)

  • "Nunca fui precoce em nada, excepto na ânsia de ler e ter Conhecimento; ver muita TV, na época, permitia-me criar imaginários e as situações de vitimização eram as preferidas. Quando o meu corpo começou a pedir água, punha mantos e xailes sobre mim, seminua, via-me no espelho e na cabeça construía diálogos. Depois, na cama, as mãos e dedos não chegavam e improvisava - um spray desodorizante (curiosamente chamado IMPULSE) que conservo até hoje, foi o meu primeiro vibrador, vaginal e anal; ganchos de alumínio do cabelo, facilmente dobráveis, prendiam a língua e os lábios vaginais, vendava-me com lenços de cabeça e nao raramente fazia o que viria a ser uma coleira com os ditos trapos. Com a sede por saciar em silenciosos e complicados exercícios nocturnos - mais quatro pessoas a dormir em casa - a necessidade de mais e o prazer na dor orgásmica cresceram e o que pudesse ser usado sem causar danos era apanhado, lavado e posto a uso. Muito jovem e sem nenhuma experiência ou contacto sexual, os meus night games tornaram-se quase vício e podiam demorar até uma hora... Sem me aperceber, fazia um pouco da tão em voga masturbação "tântrica" e controlar os orgasmos era um desafio. Pobre vítima..."






(continua)

quarta-feira, junho 06, 2012

bondarina vs bondarina I

by Dom Beto (BR)



bondarina entrevista bondarina

 1) Em que momento entende que o BDSM lhe foi revelado?



"Fisicamente, suponho que teria uns 12 ou 13 anos, ao entrar na puberdade e a descobrir solitariamente o meu corpo.


No entanto, fui criada em casa até entrar na Primária, quatro anos sem irmãos, só a mãe comigo o dia todo. Era uma miúda pacata que se entretinha bastante sozinha e que adorava TV. Então, devorava tudo o que dava na televisão - na época apenas um canal a P/B, num país com censura onde só eram exibidos filmes de cowboys e grandes epopeias. Quando me ia deitar, encarnava as vítimas dos filmes e custava-me a adormecer – então teria 6, 7, 8 anos.


Com a puberdade e a descoberta da minha sexualidade, as fantasias eram repetidamente de vítima – fosse a inocente princesa presa na torre do castelo, no começo, evoluindo até à atraente jovem do Liceu na paragem do autocarro ao entardecer, que acaba raptada de carro por três meliantes é levada para um celeiro, isolada, três dias – sempre sem ver a cara dos assaltantes. Curiosamente, embora sentisse grande excitação sexual, nas fantasias sobressaíam mais a humilhação e impotência que explorava com muita imaginação. Nessa altura, aos 12, 13 anos, já me masturbava com objectos fálicos improvisados, tanto vaginal como analmente, atava-me e vendava-me, etc. Na realidade só comprei o meu primeiro dildo depois dos 35 anos, na mesma altura em que a designação e o termo BDSM chocam comigo de frente, via Internet."

(continua)


(Fica o desafio... Se quiser perguntar algo dentro de contexto e com correcção, não hesite em fazê-lo no comentário e tentarei responder... Obrigada)