quarta-feira, maio 31, 2006

COMEMORAÇÃO!

Este blog faz hoje dois anos que foi criado e me foi oferecido como prenda de anos!
Por dois amigos que só tinham em comum conhecerem-me - um Carlos e um Miguel!
O resto é história...

Comecei por não saber muito bem para que queria um blog, na altura não eram tão usuais e fiquei muito feliz, mas sem rumo a dar-lhe.
E então, como todas as coisas importantes, ganhou vida própria e criou o seu destino - encontrou-se sózinho nas ruas da net e arrecadou elogios e críticas com a mesma humildade. Fez-se per si e hoje tem identidade reconhecida.
Passou de ser visitado por um punhado de amigos a quase 150 visitas/dia em média, hoje...algo impensável para mim há dois anos atrás...
Fez-se sózinho pela mão dos que nos leêm - a mim e a ele!
E eu agradeço!

Não se fazem vidas cheias sem gente a bater à porta e a dar presentes!
Não se conseguem sorrisos ao espelho se não nos disserem que vale a pena.
Não se sabe o que se anda a fazer se não nos derem valor.
Não se sabe para onde se vai, mas estamos todos a caminho!
E eu agradeço.

Agradeço a amigos, conhecidos e a anónimos, a quem comenta e não comenta aqui, a quem contribui com fotos e citações e poemas.
Gente é a razão da vida, tudo o mais é acessório!
Já muita gente me salvou, e este blog também!
Há marcas que não saiem da alma, mas que se forem afagadas com a pena da presença, acabam por fechar e só darem comichão - deixam de arder! Muita gente me ajudou a fechar feridas aqui...
E agradeço!

Obrigada por me ajudarem a criar este blog como se fosse uma criança pela mão de um adulto!
Obrigada por acreditarem...

segunda-feira, maio 29, 2006

"- O que és tu?
- A sua escrava, Senhor...
- O que és tu, minha escrava?
- Sou a sua escrava, meu Senhor!
- O que és tu?
- Apenas uma escrava, Senhor!"
"The tide of desire runs through good and evil. Taken together, desires are of two kinds, good andbad. If one falls into the difficulties of bad instincts, one must strive to awaken one´s former good instincts. Man must endeavor to make the tide of his desires return to the right way.
(...)
We must arrange for ourselves a garden in which each flower can develop freely. When all desires have been satisfied, the root of discernment is firmly planted. On the way to spiritual realization, the realization of desires is essential."



"A maré do Desejo passa pelo Bem e o Mal. Juntos, os desejos são de dois géneros, bons e maus. Se alguém cai na tentação dos maus instintos, deve tentar despertar os seus primordiais bons instintos. O Homem deve-se esforçar por fazer com que a maré dos seus desejos retorne ao trilho certo.
(...)
Devemos arranjar para nós próprios o nosso jardim, em que cada flor possa desabrochar livremente. Quando todos os desejos estiverem satisfeitos, o caminho do discernimento estará solidamente consolidado. No caminho para a realização espiritual, o satisfazer dos desejos é essencial."

"THE COMPLETE KAMA SUTRA"
traduzido por Alain Daniélou

sexta-feira, maio 26, 2006


"Postal de um sábado nostálgico"
by Nawa


"Useless" - Depeche Mode

Well it's about time
It's beginning to hurt
Time you made up your mind
Just what is it all worth

All my useless advice
All my hanging around
All your cutting down to size
All my bringing you down

Watch the clock on the wall
Feel the slowing of time
Hear a voice in the hall
Echoing in my mind

All your stupid ideals
You've got your head in the clouds
You should see how it feels
With your feet on the ground

Here I stand the accused
With your fist in my face
Feeling tired and bruised
With the bitterest taste

All my useless advice
All my hanging around
All your cutting down to size
All my bringing you down

All your stupid ideals
You've got your head in the clouds
You should see how it feels
With your feet on the ground
E de maçã em maçã o Paraíso foi povoado e o BDSM criou voz pela mão do primeiro Dominador! Verdade ou mentira? Que o diga a serpente, o primeiro switcher assumido...

quarta-feira, maio 24, 2006

Um momento cinzento...

Este fim-semana entrei na praia.
Estive com um amigo e o meu cão.
Fiquei sentada a violar a praia, a olhar e a ver, a sentir cheiros e texturas - areia nos pés dentro do calçado, areia nas calças, conchas e cascas de mexilhão...
Peguei em coisas mortas e senti-as latejar ainda de uma vida passada; como eu, ali sentada a latejar por dentro, tal como em vidas passadas...
Céu cinzento e nuvens, mas sem frio. Pescadores. Gente sozinha. Vendedores de telemoveis a perguntar a medo se queriamos comprar...
Gente sozinha!
Todos sozinhos!
O meu cao a correr entre dois pontos, nem sempre em linha recta.
Nuvens nos olhos. Saudade. Lembranças. Deixar-me ir e nao conseguir. Apenas estar.
Latejar...

segunda-feira, maio 22, 2006

A Imortalidade!


by Nawa


“(…)
No dia do seu trigésimo aniversário ela tinha alcançado uma insaciável autonomia. Quando foi para o quarto masturbar-se, estava tão cheia de si que parecia que nenhuma força exterior alguma vez a poderia voltar a influenciar. Mas, ao baixar a mão, para com ela cobrir a sua cona, o espaço que a rodeava foi pouco a pouco preenchido com uma luz dourada.
Fitou o fenómeno muda de espanto. Diante do colchão, uma cortina de agulhas de prata estremeceu e tomou forma até que um homem alto e nu, de pele verde e cabelo lilás, longo e encaracolado, apareceu, os seus olhos vermelhos atravessando os dela, o seu suculento caralho pulsando amavelmente. A sua surpresa era total, e ela não se moveu, mas continuou onde estava, de pernas afastadas, os seus seios preguiçosamente refastelados no seu peito, a sua b oca húmida e aberta, os seus dedos estendidos sobre a fenda entre as suas coxas.
- Muito bonito – disse ele.
Ela pestanejou. – Quem é você? – perguntou ela, as primeiras palavras que dizia a alguém em quase três anos.
Ele sorriu. – Têm-me dado muitos nomes, nem todos eles corteses. Fui conhecido como Zeus, como Jeová, como Baal, como Thor. Sou aquele que sou, e tudo isso, e tenho assumido milhares de formas. Mas a maior parte das pessoas, hoje em dia, refere-se a mim como DEUS.
- Deus? – murmurou ela – Mas eu pensava que Deus não existia.
- Muitas pessoas têm negado a minha existência – disse ele com uma entoação divertida – mesmo na minha cara. Faz parte da global preversidade dos seres humanos.
- Mas o que é que está aqui a fazer? – perguntou ela.
- Tu atraíste-me – respondeu-lhe ele. – Como a tua espécie cai cada vez mais no conformismo e na mediocridade, eu encontro cada vez menos ocasiões para visitar a Terra. De facto, venho tão poucas vezes que se diz que eu morri. Costumava ficar por cá muito, nos velhos tempos, quando havia algumas pessoas fantásticas no Globo. E tu és a primeira a acontecer desde há muito tempo, que possui essa espécie de qualidade.
- Mas que concebível interesse posso eu ter para si? – disse ela. Depois de ter aprendido a recusar a companhia de pessoas como algo de trivial, ela estava espantada que Deus procurasse exactamente isso.
- Porquê? Para te foder, naturalmente. – respondeu Deus, e riu-se com um enorme ruído de barítono. – Porque outra coisa haveria de ser?
Ela ergueu-se ligeiramente sobre um cotovelo. – Para foderes aquilo que criaste? Isso não faz sentido!
- Oh, eu não criei nada – disse Deus, baixando-se e sentando-se na borda do colchão. – Estou simplesmente aqui, como todos vocês. A única diferença é que vocês vêm e vão, e eu sou imortal. – coçou a cabeça. – É realmente muito estranho. Isto é, um dia acordei e simplesmente descobri que era Deus. Não me conseguia lembrar do que tinha acontecido antes de eu ter nascido, não sabia de onde tinha vindo, e soube que sempre haveria de ser. Tenho visto universos irem e virem, mundos nascerem e morrerem. Sou velho para além de toda a compreensão que possas ter e, no entanto, estou sempre fresco, sempre novo. Eu sou a síntese de todas as contradições. Eu…
Sorriu e novo e interrompeu-se. – Mas tu ouviste descrições minhas suficientemente bem feitas pelos teus próprios profetas e poetas. Não há por isso necessidade nenhuma de fazer um resumo.
Ela sentou-se. Mas se tudo isso é verdade, porque haverias tu de querer algo tão limitado como a foda?
Ele chegou-se para a frente e acariciou-lhe um dos seios. – Bem, para mim tudo é limitado. Para me divertir tive de fazer a minha escolha entre limitações. E da escala por que vejo as coisas, uma limitação não é diferente de qualquer outra. Por exemplo, acabo precisamente de chegar da observação de uma galáxia inteira a explodir, um acontecimento que tinha sido construído durante setenta e nove quatriliões de anos. Cobria um espaço que o teu pensamento não podia sequer começar a abranger. E aquilo foi interessante. Mas então interroguei-me sobre o que deveria fazer a seguir e pensei: <> Examinei cuidadosamente o planeta e fiquei desencorajado ao primeiro contacto. Não vi mais que uma superabundância desses sensualistas superficiais que me fazem enrugar o caralho. Ora, até os sexos reais estão à beira da alienação total. Mas, ao olhar uma segunda vez, vi-te. E aqui estou. Se bem que, de certo modo, uma vez que estou em toda a parte, tenho aqui estado sempre.
- E queres-me? – perguntou ela, que começava a ficar impressionada com a enormidade do personagem que estava diante de si. Pôs uma das mãos no cabelo e disse: - Devo ser alguma iguaria.
Ele riu-se de novo. – Esse teu regresso à futilidade é encantador, minha querida – disse ele – mas eu não teria vindo se tu não estivesses para além de julgar as coisas segundo os padrões da multidão. Não me interesso por ninguém até que esse alguém não tenha ultrapassado a ilusão dos padrões de grupo e não tenha talhado um caminho adequado através de todas as tediosas variações sobre o acto sexual público, incluindo aquele que requer fantasia para a sua realização. Quero uma alma que tenha seriamente lutado para quebrar os laços do entendimento comum e que possa apreciar o único.
Baixou a cabeça e olhou para o centro das coxas dela.
- Quando me foderes, poderás experimentar tudo o que sentes quando estás só. Tudo. E eu poderei inspirar esse estado com um tão terrível poder com o qual nunca poderias sequer sonhar com as tuas insignificantes faculdades humanas. Com o teu pensamento, podes compreender a estrutura do Universo; com o meu, poderás ver o coração do vazio onde toda a existência começa.
- E que ganhas tu com isso? – perguntou ela.
- Oh, uma ridicularia! – disse Deus. – Os meus gostos são simples.
Ela encostou os joelhos ao peito e pôs os braços à volta das canelas. – Não tenho a certeza de querer isso – disse-lhe ela – mesmo que sejas Deus. Trabalhei muito para chegar onde cheguei. Porque haveria de te dar a minha rata? Sou feliz com as dimensões que já conheço.
Ele franziu os lábios. – Posso mostrar-te que vale a pena – disse ele.
- Bem, como podes tu ser bom a foder? Tens ainda a forma de um homem. Essa coisa que tens aí entre as pernas não passa de um caralho como qualquer outro.
- Não reclamo qualquer aptidão especial – replicou ele – mas posso oferecer-te algo mais.
- Isso significa que me queres pagar? – perguntou ela.
- Posso oferecer-te o Céu – disse ele.
- O Céu! – exclamou ela – Queres dizer que também há realmente um céu?
- Oh! Não tem nada a ver com o que se diz na catequese. É um pouco mais chique do que isso. Mais parecido com um clube privado, para os meus amigos especiais. – Ela olhou-o desconfiada e mudou de posição.
- Tens realmente um belo cu – disse ele. E depois, com uma abrupta mudança de tom, continuou – Qualquer que tenha sido o Deus que me fez Deus, parece ter definido os meus poderes claramente. Não posso criar nada de novo, mas posso mudar a natureza do que já existe; posso fazer coisas com o que já cá está.
Ele esperou durante muito tempo, em silêncio, e depois, com um calmo murmúrio, disse: - Posso tornar-te imortal.
Ela abriu a boca de espanto – Imortal? – repetiu – Queres dizer… viver… para sempre?
- Exacto – disse ele com afectação. Chegou-se para ela, e as palavras saíram-lhe rapidamente: - A questão fundamental é que a Terra é, de todos os lugares criados, o único que possui a foda. E por isso, embora não se trate da actividade disponível mais espectacular, a sua raridade confere-lhe um certo valor. Garanti o benefício da vida eterna a vários milhares de outras pessoas no decurso da vossa história e, se aceitares a minha oferta, colocar-te-ei num planeta que partilharás com elas. Uma vez lá, podes ter a companhia dos maiores fodilhões que o Mundo alguma vez teve, ou toda a privacidade que desejares. E sempre que eu me encontre por perto, de vários em vários milhões de anos, mais ou menos, irei visitar-te.
- Então torno-me tua amante.
- Chama-lhe o que quiseres – disse ele. Ele olhou-a nos olhos, aguentando o olhar dela, e prosseguiu numa voz cheia de desânimo: - A alternativa, se recusares, é viveres o resto dos teus dias e morreres como qualquer pessoa, no túmulo. – A última palavra causou-lhe arrepios na espinha, e ele concluiu: - Que tens tu a perder em dizer sim? E que poderás ganhar em dizer não?
Ela esperou um bom bocado e respondeu: - A minha integridade. Uma puta é uma puta, mesmo quando é a puta de Deus. – E depois deixou sair o ar dos pulmões com um sonoro suspiro e acrescentou: - Isto é precisamente como a história da árvore que está no jardim. Onde está Satanás?
Deus riu-se – Não sabes? Também sou Satanás. Só que desta vez não me incomodei a separar papéis.
- Este é o único jogo que conheces? – perguntou ela, levemente decepcionada.
- Para a Humanidade é o único jogo que há - disse ele. – Se fores verdadeira contigo mesma, recusarás a foda e morrerás para sempre. Mas se fingires, obterás o paraíso como recompensa.
Ela deitou-se de novo para trás, e todo o seu ser estava cheio de indícios de que ia realizar o único sonho que tem assombrado a espécie desde que, pela primeira vez, tomou consciência da morte, a esperança da Imortalidade. Ela pesou o assunto, comparando-o com todos os outros valores terrenos que chegara a apreciar. As suas mãos acariciaram a barriga das pernas enquanto se debatia com o problema. E, sem estar completamente consciente do que estava a acontecer, mergulhou numa lassidão que era o prelúdio da capitulação.
O seu pensamento nadava preguiçosamente nos seus pensamentos. As simples palavras para sempre soavam à sua psique como um gongo. E, por fim, sucumbiu.
A tentação era demasiado forte, a oferta demasiado constrangedora.
- Está bem - disse ela – Ganhaste.
As suas coxas afastaram-se e o seu estômago distendeu-se quando respirou fundo. Podes foder-me – disse ela.
Deus avançou até ficar entre as suas pernas, diante daquela cona molhada, daquelas ancas que começavam a revolver-se. Mas, quando ele se aproximou, ela pôs as mãos nos ombros dele e deteve-o por um instante, olhando-o nos olhos.
- Ao menos não me faças ficar grávida – disse ela.
E depois enterrou dentro de si o enorme caralho de Deus, abrindo assim as portas para a vida eterna.”

in “As Comédias Eróticas”Marco Vassi

quinta-feira, maio 18, 2006

ARTIST: Tom Lehrer
TITLE:
The Masochism Tango

"I ache for the touch of your lips, dear
But much more for the touch of your whips, dear
You can raise welts like nobody else
As we dance to the masochism tango

Let our love be a flame, not an ember
Say it's me that you want to dismember
Blacken my eye, set fire to my tie
As we dance to the masochism tango

At your command before you here I stand
My heart is in my hand - yecch
It's here that I must be
My heart entreats, just hear those savage beats
And go put on your cleats and come and trample me

Your heart is hard as stone or mahogany
That's why I'm in such exquisite agony
My soul is on fire, it's aflame with desire
Which is why I perspire when we tango
You caught my nose
In your left castanet, love
I can feel the pain yet, love
Ev'ry time I hear drums
And I envy the rose
That you held in your teeth, love
With the thorns underneath, love
Sticking into your gums

Your eyes cast a spell that bewitches
The last time I needed twenty stitches
To sew up the gash that you made with your lash
As we danced to the masochism tango
Bash in my brain and make me scream with pain
Then kick me once again and say we'll never part
I know too well I'm underneath your spell
So, Darling, if you smell something burning, it's my heart
Hic! Excuse me
Take your cigarette from its holder
And burn your initials in my shoulder
Fracture my spine and swear that you're mine
As we dance to the maso-chism tango"

segunda-feira, maio 15, 2006

PALAVRAS QUE PODIAM SER MINHAS...

"Gathering
Estive lá. Gostei de saber, conversar, observar. É certo que a festa terminou já sem bebidas, que a música oscilava mais que o pêndulo, que a comunidade BDSM é inevitavelmente heterogénea, ainda por se descobrir e assumir. Mas também é orgulhosa, exuberante, corajosa, egóica, cúmplice e convicta. Assim por mera intuição, escolhi oito mulheres entre a minoria que encheu o 9º Salão The Gathering Party, para as convidar a embarcar nas narrativas sexuais. Em todos os casos esbarrei com muita receptividade, abertura e vontade. Gostei das palavras femininas que ouvi, das personalidades reivindicativas que vi. Além disso, as minhas suspeitas confirmaram-se:
os adeptos do BDSM não espancaram, mutilaram ou violaram ninguém. Foi só isso. O Gathering. Do mais pacífico e ordeiro possível. As imagens, proibidas por motivos óbvios, eram o melhor do encontro.
Aqui ficam algumas pistas para quem queira seguir passos:
Portal
Loja
Revista portuguesa (brevemente)
Revista internacional
Blog
Bar Lisboa
Bar Porto: Justine / Rua de Cedofeita, nº 516, 4050-175 * Tel: 222011731"
Efectivamente este texto podia ser meu!
Também lá estive e já sabia encontrar o mesmo registo...
Deixo os parabens a quem organizou a festa, por tudo o que tem feito na tentativa de incrementar o Fetichismo em Portugal, originando desta vez um Gathering (são dois por ano e este foi o 9º) mais internacional - ingleses e espanhois abundavam, com nomes de cartaz internacional no panorama fetichista e até o director da famosa revista Marquis presente...
Apenas duas notas negativas - a "segurança" à porta que todos os presentes acharam exagerada pela má conotação que os precede e o bar que não contava com a enchente de convivas - várias centenas - e não estava preparado.
De resto, quando se quer, faz-se... e ficou de novo provado!
Parabens à Carla e ao João!

terça-feira, maio 09, 2006

(ESTAREI EM LX BREVEMENTE PARA ESTAR PRESENTE NA www.thegatheringparty.org, POR TAL NAO PODEREI FAZER A MANUTENÇAO DESTE BLOG DURANTE UMA SEMANA, MAS NÃO SE ACANHEM A COMENTAR!
OU APAREÇAM NA FESTA...)

"BDSM - A fusão das duas dádivas!

É preciso ter a delicadeza e a suavidade em ambos gostarem de andar
descalços no cérebro do outro!"

(palavras de um Mestre do Porto, sobre BDSM)

Identidade Submissa!

A dificuldade maior de quem se diz submisso é o meio-termo entre o sentir demais e o nada sentir.
O vácuo entre a alma e o coração - o abismo, the edge...
Pessoalmente, defendo o orgasmo como algo de tão bom que chega a doer - um espasmo doce de uma cruel realidade, quando a carne deixa de sentir e a alma plana em sofrimento, liberta contra-vontade, sem concha, sózinha, por sua conta...
Quando alguém sob Domínio atinge o ponto em que só retorna pela mão do Dominador, em que a trela apenas controla os movimentos porque é o poder do querer que regula a vontade do submetido, só aí este se assusta e delicia com a certeza de uma nova realidade!
Dá-se então a catarse e a larva transforma-se em borboleta - quem era deixa de ser e quem foi jamais será!
Perde-se a identidade... porque deixa de fazer sentido num universo paralelo de identidades criadas à medida do sentir!

(2005)

domingo, maio 07, 2006

A ESTRUTURA DAS FANTASIAS SEXUAIS MIMÉTICAS
(teoria)

"Uma área da teoria que precisa de desenvolvimento adicional é entender a diferença entre o idioma falado e os rituais miméticos que deram origem à linguagem corporal, e que estão também na génese de algumas vertentes do fetichismo.
Isto levou-me a explorar mais a fundo a ideia de consciência. Rejeito a ideia de que os seres humanos têm consciência e os animais não. Os seres humanos têm uma consciência linguística enquanto os animais têm uma consciência de percepção. Penso que a ligação entre a mente mimética e a mente linguística é a fantasia de narrativa não-linguística. A narrativa pode ser tanto perceptiva quanto linguística. As fantasias miméticas sexuais são narrativas mais perceptuais do que linguísticas.
Durante a longa evolução da mente mimética, os participantes nos rituais miméticos (as Fêmeas como Sujeito; os machos como o Outro), o schadenfreude (alegria na crueldade) desfrutado pelas fêmeas e o prazer da submissão, esta experiência intensa de prazer sexual dolorosa que o macho mimético foi desenvolvendo para ser desejado pelas Fêmeas na selecção sexual, seria criada na mente mais e mais sob a forma de fantasias. A linguagem não seria necessária para isso. As fantasias seguiriam ou mesmo formariam tais “scripts” mentais.
A vida mental do homem contemporâneo envolve muitas fantasias trazidas de experiências miméticas. Há a fantasia do espancamento ou da disciplina, o “queening” ou “facesitting” ou fantasia de sufocamento, a fantasia do pisar, a fantasia do pénis torturado (“CBT”), a fantasia da chuva dourada, a fantasia da adoração anal, a fantasia de castração, e assim por diante.
As histórias imaginárias que os homens submissos postam na rede de websites de Dominação Feminina são formas linguísticas das fantasias. Porém, as imagens (fotos, vídeos, cartoons, etc.) remetem a um pano de fundo. Os vídeos que os homens miméticos compram e que são vendidos em muitos websites de Dominadoras são “scripts” de fantasia com muito pouco diálogo.
É provável que os sinais verbais tenham desenvolvido a partir dos rituais miméticos de desenvolvimento do macho como o outro. Estes sinais verbais activariam uma fantasia de ritual mimético da mesma maneira que as imagens D/s o fazem hoje. Então, é credível que estas narrativas de fantasia formem a ponte entre a cognição mimética e a linguística. A linguagem foi construída partindo-se dessas narrativas não linguísticas das fantasias. As narrativas visuais miméticas assumiram gradualmente cada vez mais características linguísticas pois evoluíram de uma estrutura mítica.
Comentando sobre o interesse expresso por Mulheres em imagens de Dominadoras, a sugestão que pode ser feita é a de que "eu não estou seguro de que elas estejam a responder a algo mais arquetípico (do qual todo esse material moderno é apenas um reflexo) ". Novamente se afirma: "eu penso que se isso acontecesse comigo, não estaria ligado a algo da minha infância ou algo arquétipo”, e então continua a afirmar que eles "parecem não ter raízes em qualquer experiência que eu possa relembrar". Outra mensagem que discute a natureza do fetiche e demais fantasias estabelece a necessidade da presença da Fêmea Dominante. Se Ela for excluída toda a vida/alegria se vai embora".
O fetiche, por outras palavras, obtém o poder erótico da sua função como um símbolo de representação da Mulher como “Sujeito” e o homem como “Outro”. Quando se diz que a vida/alegria “se vai embora” se o símbolo do fetiche não pode ser relacionado com uma Mulher Dominante, pretende dizer-se, então, que o fetiche perde a sua função de representação simbólica, e consequentemente o seu poder mimético como um símbolo ou significado do domínio da fêmea e da submissão do macho.
Também é interessante o comentário visto num canal do IRC: "Agora, a maioria de nós é de Mulheres, mas não todos. Mas chegamos à conclusão de que, pelo menos há muito tempo, o BDSM orientado eroticamente é muito pouco escrito”.
Isto significa que não se activa o nível mimético de cognição. Ou seja, o que falta em muitas histórias BDSM é uma boa narrativa mimética em termos do imaginário simbólico. É claro que uma boa habilidade para a escrita também é importante. Boas histórias que tenham conteúdo mimético-erótico verdadeiro são raras.
Há realmente muita ênfase no fetiche como prova da submissão masculina. Pode dizer-se que, antes de qualquer coisa, o fetiche também pode ser contraproducente. Por exemplo, compare-se Sacher Masoch, Nietzsche, e J.J. Bachoffen:
Sacher Masoch envolveu-se na praxis do fetiche e escreveu um bom romance de fantasias. Tanto Nietzsche, quanto Bachoffen eram machos miméticos mas Nietzsche nunca participou da praxis do fetiche. Certamente Nietzsche terá entendido isso plenamente. Eles usaram a energia mimética de uma maneira transcendentemente positiva como meio de se redefinirem redescobrindo o “Matriplex”. Se o sentido mimético é perdido obedecendo ao desejo masculino, ele (o mimético) não pode ser aproveitado para uma utilização criativa.
A característica do dionísico é que ele pode ser controlado e usado sem fetiche. Porque funciona sem fetiche, o macho dionísico continua forte e livre, e a sua submissão é totalmente voluntária e assim torna-se um verdadeiro sacrifício. O macho mimético, inferior, precisa do fetiche, mas o superior não. Fetiche e “castração” são uma mesma moeda. Os níveis de fetiche correspondem aos níveis de castração. Fetiche é a ferramenta para castrar e controlar o rebanho de machos inferiores.
Ritual mimético é essencial para desencadear a cognição mimética do macho (“efeito Knossos”). O Ritual mimético torna-se entretanto, por repetição um fetiche, quando é feito para satisfazer o desejo masculino em lugar de ser uma metodologia da Mulher para moldar e preparar um macho para ser usado como ela desejar. Se uma determinada prática apresenta a função de um ritual mimético ou de um fetiche depende do contexto e do estado de espírito da Dominadora. Uma Dominadora experiente aprenderá como e quando tirar proveito do fetiche e quando e como usar a prática mimética como ritual. Se formos a um bar SM, veremos fetiche, mas se estivermos a presenciar um macho em escravidão sendo açoitado numa cerimónia pagã de Wicca, estaremos diante de um ritual mimético.
Porém, os masoquistas inferiores podem ter uma importante função como objectos para serem tornados “outros” por Mulheres que precisam fazer dessa prática uma parte do seu próprio processo de transição de ser “outro” para se tornar “sujeito”.
Existe uma tese na qual o autor interpreta Nietzsche em termos de " Masoquismo do Superior " e " Masoquismo do Inferior ". Existem claramente dois tipos de machos masoquistas. Os machos miméticos superiores centram o seu foco de interesse no seu sacrifício para a Fêmea, enquanto o macho masoquista inferior focaliza o seu interesse na procura da satisfação dos seus próprios desejos. O macho superior usa o seu masoquismo para a transformação de seu ego (“self”). Deste modo torna-se a encarnação do cônjuge sacrificado.
Provavelmente deve haver também dois tipos de Fêmeas miméticas: aquelas que usam o “shadenfreude” (alegria na crueldade) para se transformar e se tornar um “Sujeito” e transcendem a dominação masculina dominando o macho, e aquelas que jogam, que brincam e de certa forma apenas querem agradar e satisfazer os machos.

Notas para uma Teoria Científica de Matriarcado - Sacrifício versus Castigo em rituais miméticos.
Há uma diferença entre sacrifício e castigo: Se for razão de disciplina é castigo, então, presume-se que seja merecido, portanto não é um presente voluntário ou sacrifício.
O castigo pode modificar um comportamento masculino mas o sacrifício transforma a psique do macho. É tido que um macho que se submete a um ritual de sacrifício puramente mimético em lugar do somente cenas de castigo, faz isso intuitivamente significando algo mais que somente dar à sua Dominadora o prazer da schadenfreude (alegria na crueldade).
Num mundo tipicamente patriarcal, estas sessões de sacrifício dão poder à Mulher e mantém-na como Sujeito. É um ritual de se tornar e de se transformar. A dor do prazer e o prazer da dor permitem que o macho abrace e interiorize o papel biologicamente determinado para ele.
Num mundo onde o poder, a agressividade e a sexualidade naturais são negados às Fêmeas, o prazer de ministrar a dor desperta a Amazona que vive dentro dela. E ela torna-se capaz de retomar o seu ego biológico natural na sua essência. O castigo pode controlar modos de comportamento, mas é um modo errado de ritual para a transformação.
Uma Dominadora pode controlar um homem pelo castigo, mas não pode transformá-lo em consorte, guerreiro, dono-de-casa, ou em tudo o mais que ela quiser apenas através de rituais de castigo.
Castigo, naturalmente, tem o seu lugar, mas é o tipo errado de ritual mimético para a transformação pelo sacrifício com a reunificação do corpo e da mente masculinas."

“Os escravos são castigados mas os deuses, os guerreiros e os cônjuges são sacrificados.“

Autor indeterminado, fonte: Artemis Creations (Adaptação: ypsilodoris - 2005)
in www.bdsmpt.com tópico ------------------> Fantasias

quinta-feira, maio 04, 2006

BAR E CLUBE BDSM - PORTO!!!

BAR JUSTINE

"Saudações!
Bem-vindos ao novo espaço do Porto - BarJustine... dedicado a todas as "tribos alternativas"...
Um espaço tematicamente direccionado para o BDSM... "círculo e cultura", que teremos muito prazer em partilhar com vocês... Esperamos que este seja um bom ponto de encontro entre os "amantes" da vida...da noite...
Salienta-se que este espaço é aberto a todos, sem discriminaçoes, sem preconceitos...sem pudores!"

Rua de Cedofeita, nº 516, 4050-175 * Porto * Telef: 222011731



Club Justine - BDSM
Em breve sera criado um club, que tera funcionará aos sábados à tarde...Vários eventos culturais e temáticos estao a ser idealizados...Esperamos poder contar com a vossa presença e participação...
Entretanto estamos a tentar elaborar uma lista de clientes, para melhor gestão deste círculo de amigos... Pede-se que os interessados enviem um mail com os seus dados para: dominatrixcm@sapo.pt ( nao autorizado o uso do mail para msn). Obrigado!"

BAR BDSM EM LISBOA!!!

"É com muito orgulho e satisfação que voltamos a reabrir as portas do Bar Bizarre num novo espaço, confortável e adequado ás necessidades da comunidade BDSM e a sexualidades alternativas.
Bar Bizarre - Um espaço em Lisboa para actividades alternativas (BDSM, Bondage, Transformismo, Fetichismo).

Depois de uma primeira experiência em Lisboa, o Clube Bizarre volta a abrir as suas portas. Apesar de estarmos constantemente em mutação e mobilidade, mantivémos o staff e ambiente ao qual o habituámos, mas oferecemos agora um espaço novo numa nova localização. Continuamos a lutar pelo sigilo e anonimato dos nossos membros, por um espaço em que todos se podem encontrar e disfrutar óptimos momentos, sem medos, preconceitos ou rótulos. No clube Bizarre pode ser autêntico, deixar-se levar pelo erotismo e pela confiança. Aqui poderá encontrar os seus amigos, que partilham das mesmas escolhas sem tabus. Este será o espaço, em Lisboa, dedicado à igualdade da diferença. Venha daí tomar um copo, conversar com os amigos,ouvir uma música agradável. Visite-nos. Temos à sua espera um ambiente seleccionado, discreto, amigável e muito quente.

5 Euros consumo obrigatório
10 Euros consumo obrigatório (Só em Noites de Eventos com convidados especiais).


Programa 6 de Maio * Noite Foot Fetiche
As portas abrirão ás 23h para vos receber. Esta noite será dedicada aos amantes do foot fetichismo.Já confirmado, teremos uma exposição de fotografias, naturalmente relacionada com o tema, bem como, teremos a presença da Domme "Rainha Perversa" que irá oferecer os seus pés a quem os quiser admirar .
Sorteio de um livro sobre sapatos de Linda O'Keeffe.
Sugere-se dress-code, mas não é obrigatório!"


Contactos:
Bar.bizarre@gmail.com
96 627 32 62
Rua Quirino da Fonseca nº7B (Praça do Chile)- 1000-250 Lisboa
(O Bar Bizarre fica inserido dentro da sex shop Erótica )
Site:
http://www.barbizarrelisboa.org/flyer/
http://www.barbizarrelisboa.org
IRC: #bizarre