domingo, julho 03, 2005

A escrava no nicho

Eis-me ali,
aninhada na minha vontade,
entregue ao que desejo,
entre o que sou e o que quero!

As correntes com ferrugem soltam-me da prisão.
Olhos cobertos por venda fazem-me ver melhor.
Não poder escolher é a minha liberdade...
Desisto de ser e passo a existir;
porque a pela só cobre a alma
e os rasgos do chicote na mão do salvador
dão-me o êxtase da libertação.

Saio de mim e plano,
vogo sobre as esquinas do meu olhar perdido.
Atrás de mim a cadência, os estalidos, um troar
- a vida a abater-se no meu tronco -
arrepios involuntários como o respirar...

Vejo-me lá em baixo,
aninhada em mim,
num nicho último de quem se liberta na anulação.
Penso-me acompanhada, acariciada, levada ao przaer de merecer a entrega do carrasco.
Somos um, então...
Dualidade estranha que dá razão a tudo.
Pénis erecto e sexo molhado.
As costas sulcadas e as nádegas pisadas...

Ele que sorri por fora,
eu que escancaro uma gargalhada na alma
por cada gesto que não faço...
por cada vontade que domino.

Eu que me encontro de cada vez que me perco!

ML

3 comentários:

Anónimo disse...

Cada vez entendo melhor o que sentes e como o sentes.

Paulo Silva

MissLibido disse...

Fico contente com isso! Por vezes a mehor forma de entender algo é mesmo fazê-lo ou sujeitar-se a... O empirismo ainda é a melhor forma de crescer!
Contente por te ver aqui! *

MissLibido disse...

Fico contente com isso! Por vezes a mehor forma de entender algo é mesmo fazê-lo ou sujeitar-se a... O empirismo ainda é a melhor forma de crescer!
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