sexta-feira, agosto 11, 2006

Andei a matutar sobre o direito de todos a querermos ser especiais!
Não me sai da cabeça uma frase que diz "Se aceitarmos metade daquilo que merecemos e temos direito, então só merecemos mesmo metade daquilo a que temos direito!"
Sempre tomei as minhas decisões de coração aberto e lavado.
Nunca de ânimo leve nem a querer mais do que merecia.
Gente é um bicho complicado e uma submissa continua a ser gente, talvez até o seja mais - porque tem de se desdobrar a entender sensações e sentimentos que advêm de entregas duras e novas.
Ser Dominador também não é fácil, nunca duvidei.
Mas a autoridade não é uma sensação nova e descoberta num percurso - é algo inato em todos nós, mas que se pode desenvolver ou não na prática. Daí, talvez erradamente, julgo que seja mais difícil gerir emoções e sentimentos a uma submissa. Ou talvez não. Mas sei que não é fácil.
Estou farta de divagar sobre o que é uma submissa e na verdade, é como descobrir o sexo dos anjos... Uma questão sem fim! Porque não há duas submissas iguais e mesmo perante o mesmo Dominador não há duas entregas iguais...
Mas sei também que não há duas mulheres iguais! Ou dois homens! Daí o perigo das generalizações... Homens e Mulheres, Dominadores e submissos - são gente de carne e osso.
Entregas são de muito jeito e feitio. Dar e receber é dificil quando não se quer dar, ou dar demais, ou nao se quer receber, ou receber de menos. Entregas em BDSM são uma rua de dois sentidos. Só se entrega quem sabe que quer ser recebido. Não pela metade ou em terços, não em saldos de ocasião, mas por inteiro.
Pessoalmente só me sei dar por inteiro.
E por achar que quando alguem se me dá por inteiro, isso é especial, também me quero sentir especial!
Como submissa, como mulher, como gente.
Nunca apreciei desumanização em BDSM por isso mesmo - apenas reduzir gente a objectos ou animais anula todo o conceito de Dominação, porque não se Dominam seres inanimados, apenas se manipulam a bel-prazer, sem resistência. Um pouco as vaginas insufláveis, no fim...
Quem quer Dominar sem resistência - genética e natural no ser humano - naõ quer receber entrega, mas sim condicionar a entrega como a consegue receber, e vicia o jogo. Influencia a entrega pelo comando da autoridade e não a molda como a deseja; poe um biombo a tapar a luz, mas do outro lado a luz continua lá!
Já tive Donos e Doms apenas, mas não resultou.
Tenho fama de ser uma sub difícil para uns e uma "Domme encapotada" para outros.
Poucos me conhecem a saber que só se honra um Dominador se o fizermos dar o melhor dele, não o mínimo; não consigo respeitar alguém que se dá por baixo; quero um Dominador firme, inabalável, que queira uma submissa totalmente rendida e não a representação de uma entrega em tempo livre de recebimento.
Posso estar enganada, até porque me acusam de usar a minha verdade como bitola; talvez esteja, mas ser-me-ia tão fácil representar a farsa da submissa certinha e atinada que não contesta o Mestre porque é suposto não pensar e não ser, que acho um insulto ao Dominador que recebe essa pseudo-entrega.
Conseguiria ser uma submissa típica, sempre pronta a dizer a frase certa na hora certa, só para agradar, mas para mim isso é que é desrespeitar o Mestre - dar-lhe menos do que ele pode ter!
Sou uma submissa atípica porque sou racional nas minhas entregas, depois de sentir que as minhas entregas são demais - "dei-te quase tudo e quase tudo foi demais!" Se sentir que Dom e sub estão em sintonia-boomerang sou apenas emotividade e moldável como plasticina, sempre a rir sem motivo!
Numa sessão hard, em tempos, um Dom disse-me a olhar-me: "Vês, até pareces mais nova! Uma criança!" Sentia os olhos brilharem e o coração pulsar! Viva! Feliz, apesar de ter o corpo massacrado! A paz de quem dá e recebe!
Quuando comecei a praticar BDSM perguntavam-me o que me movia.
No começo nao respondia.
Devagar, comecei a crescer e a perceber: a paz!
BDSM deve dar a paz de quem encontra um equilíbrio, nao de poder ou autoridade, mas de paz!
Recentemente um Dom disse-me "Se calhar tenho apenas de te dar abraços mais vezes!" - BINGO!
A minha paz vem no sentir que o meu Dom me abraça ou me afaga o cabelo ou me dá um olhar maior na hora do orgasmo; que se interessa em sentir-me sua, totalmente, e colabora na minha caminhada - nao de submissa - mas de SUA submissa!
Divagações...
Remoques de uma submissa que é atípica mas genuína... que não representa entregas de DVDs de 3ª, ou de filmes kinky de trazer por casa; de quem continua a sentir, mesmo de coleira, trela e gag e nao disfarça que sente; que dá o melhor de si a implorar ao Dom que receba o que ela tem para dar...
Seja com os olhos de Hentai, seja com lágrimas, seja em silêncio envergonhado...

5 comentários:

Shakta disse...

bem dito, apesar de tudo não se pode agir contra os sentidos, são eles que estão em causa, eles que precisam de ser despertados.

Anónimo disse...

Uau! Que postaço! Se eu fosse gajo não me escapavas, odalisca arisca.
Quem é o Dominador que no seu peerfeito juízo não ia queria possuir uma submissa que inventa expressões como "a dança dos copos de gelo" e "olhos de Hentai"... ???

Amei de PAIXÃO este postaço!!!!!

Ai se eu "tivesse tomates"...
Havias de ser MINHA à força como tu precisas e eu gosto, a bem e ou a mal!!!! 'Mai nada!

BADKITTY

Vanderdecken disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Vanderdecken disse...
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Vanderdecken disse...

Never does He say to me "Here is a ladder, take it and go climb it." Oh no. He quietly, and without my realizing it, places it somewhere for me to find. He watches and waits till I begin the climb. He is always watching me. Always making sure I have firm footing and stable ground, it is only during the climb that I am left feeling that there is no ground, nothing stable beneath me. Then the new level becomes familiar to me. Sometimes slowly, sometimes quickly as if I have always been there.

Not all of the feeding, the nurturing will come from Him. He will make it available, He will tend to the basics, but in order for me to grow I must send out roots a little deeper, reach my leaves a little higher towards the sun. I must draw the nutrients upwards myself. He can place them on the ground around me, but I have to draw them inside. I may wilt if I need water, but He could dump buckets of it on me without effect unless I draw the moisture into myself through my roots. You can lead a horse to water, but you cannot make it drink. The horse must take the drink itself. I mix way too many metaphors when I talk. Way too many.

Encontrei este texto num blog chamado «Magdala's Submission» e pensei logo em ti.

It is funny to me that even as I drink and grow and become more, that He draws from me and He also grows and develops. It is my growth that feeds Him. Fuels His confidence and His desires. He sees what He has and He desires more. He sees His return and He wants more. It doesn't end. It is a perfect circle. Feed and be fed. Nurture and be nurtured. Drink and water. Cycles and circles. Round and round we go.

Um beijo grande.