quarta-feira, junho 22, 2005

Dedicado a Paterlómio...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor - muito melhor! -
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma de corpo nu
Que do espelho se vê.


in "A Virgem Negra"
Mário Cesariny

2 comentários:

Colibri disse...

O silencio por vezes é melhor k as palavras. e é no silencio k s dizem talvez as coisas mais lindas e mais duras....

Paterlomio disse...

Exercício

Entre duas realidades, oscilo. Até as charadas perdem sentido. Conheces-me bem demais para não interromperes esta leitura. Porque não. Oscilo, dizia, na perplexidade perante a mudança. Aceito como possível a hipotética apreciação factual, sem vontade de retorquir: afinal mais cego é aquele que não quer ver. Se conheces ou reconheces, porque não ir mais fundo na memória? Imagino ter algumas culpas e citando o Outro afirmo igualmente que “quem estiver isento de qualquer pecado que lance a primeira pedra”. Atrevo-me a ir um pouco mais longe num exercício de imaginação. Vê-te na pele de um qualquer Holmes, Poirot ou, infinitamente mais correcto, Marple. Procura a quem serviram tais actos? Quem lucrou com o que se passou? Quem teria interesse em levar a que se concluíssem determinadas coisas? Eu fico-me pela curiosidade de ver/saber o que és...