quarta-feira, julho 01, 2009


"É um ícone da década de 80, segundo o "New York Times", e surge em 13.o lugar numa lista de 55 figuras que a revista "Playboy" elegeu em Janeiro como as mais influentes no capítulo do sexo dos últimos 55 anos. Que tem de especial a Dr.a Ruth para ser a terapeuta sexual mais conhecida no mundo inteiro? A resposta surge carregada com um sotaque germânico: "Acho que é por ser antiquada." Há outra justificação que não é a sua. Aos 81 anos continua a falar de orgasmos, erecções e vaginas com a pureza de uma avó que diz aos netos que comam a sopa e se agasalhem antes de saírem de casa. É o poder de Ruth Westheimer, que esteve na semana passada em Gotemburgo (Suécia) num seminário sobre disfunções sexuais. O encontro serviu também para responder a todo o tipo de dúvidas.



Porque gasta tanto tempo e energia a falar sobre orgasmos e ejaculação?
Falo sobre sexo há 30 anos e é uma tarefa que desempenho com bastante agrado. Se insisto tanto nos orgasmos é porque quero tirar a enorme pressão e responsabilidade à volta destes dois aspectos. Ao longo destes anos todos, houve algumas mudanças de mentalidade, mas boa parte das pessoas continua a centrar a sua vida sexual nestes dois conceitos, desvalorizando todo o prazer que o sexo pode oferecer.


Como explica a longevidade do seu sucesso?
Antes de mais, não acho que sei tudo; aprendo algo novo todos os dias. É por isso que gosto tanto de ensinar. Aprender é umas razões por que, aos 81 anos, continuo a viajar por todo mundo à procura de coisas novas. Julgo que parte do meu sucesso tem a ver com o facto de ser antiquada e não ultrapassar os meus limites. Por exemplo, nunca digo aos pacientes que existe um ponto G, porque os médicos ainda não o provaram. Limito-me a cumprir o meu papel e sou cuidadosamente conservadora. Por outro lado, seguindo uma tradição judaica, tento ensinar com humor porque é a melhor maneira de os alunos se lembrarem do que digo. Sempre que quero marcar uma posição, recorro ao humor. Ao falar sobre estes assuntos não posso ficar entediada; o meu interlocutor iria percebê-lo. É por isso que me entusiasmo tanto com questões de sexualidade. Gosto de falar dos prazeres do sexo e espero que o meu entusiasmo seja contagiante.


Sendo judia, como vê a relação da religião judaica com o sexo?
Na tradição judaica, o sexo é uma obrigação. Um judeu casado tem a obrigação de satisfazer a sua mulher. Na Igreja Católica, as questões em torno da sexualidade são mais sensíveis. Não estou só a referir-me ao período antes do casamento, mas também depois do casamento, em que o objectivo único do sexo é a procriação. Mas na tradição judaica, o sexo é procriação e também divertimento. Mesmo após a menopausa, o homem continua obrigado a providenciar satisfação sexual à sua mulher. O Alcorão, por seu turno, permite que o homem tenha quatro mulheres, mas só na condição de conseguir ser justo para cada uma delas. Ser justo não é só garantir a satisfação sexual; é ser companheiro e ajudar a cuidar dos filhos. A sexualidade não se resume ao coito, ao orgasmo, tem a ver com a qualidade de vida. Se existir respeito por diferentes atitudes, religiões, culturas e histórias de vida, estamos a fazer educação sexual. Há que ter em conta todas estas diferenças e é isso que temos de ensinar às gerações mais jovens.


Até que ponto o homem é responsável pelo orgasmo feminino?
Se o homem tiver uma erecção completa, se conseguir mantê-la de forma satisfatória, isso por si só não significa que a sua companheira tenha um orgasmo durante o coito. Hoje sabemos, através da experiência empírica, que a mulher tem de assumir os seus próprios orgasmos. Nem os melhores amantes - os que foram treinados por mim - conseguem provocar um orgasmo à sua companheira se ela não disser do que precisa. Apesar de toda a pressão que existe à volta do coito, haverá sempre uma parte das mulheres que só atingem o orgasmo por estimulação do clítoris. Mas não importa quais são os meios que o casal usa para chegar ao orgasmo. O fundamental é que ambos fiquem satisfeitos como o sexo que têm.


A ciência está suficientemente avançada para conhecer tudo sobre o sexo?
Do meu ponto de vista, precisamos de mais estudos. Os cientistas necessitam de dinheiro para encontrar mais soluções. É fundamental investir mais na investigação, ter oportunidade para observar e medir comportamentos biológicos e sociais, porque explicam muito sobre a nossa sexualidade. Há muitas dimensões do sexo que estão demonstradas empiricamente, mas não são válidas do ponto de vista científico. Chegámos a um estádio em que, por exemplo, podemos convidar uma mulher a entrar num laboratório de sono e medir a lubrificação da sua vagina. É assim que conseguimos saber que ela pode ter um orgasmo durante um sonho erótico. Acho que as mulheres conseguem programar o seu cérebro para ter sonhos eróticos, mas isso é apenas uma convicção sem validade científica. São necessários estudos aprofundados para saber mais sobre estas matérias. No caso do homem, a sua actividade sexual durante o sono também pode ser medida. O exercício é simples: basta pedir às mulheres que levem um papel e uma caneta para a cama e passem uma noite em branco a observar o companheiro. A cada 90 minutos há uma erecção. Na manhã seguinte pode partilhar o registo com ele: às 4h35, uma erecção completa, às 6h20 uma erecção parcial e por aí fora. Mas sabe-se muito pouco sobre o que toda essa actividade nocturna significa e como pode ajudar o homem na sua sexualidade.


Os brinquedos sexuais, como os vibradores, podem substituir o pénis?
Não há nada de errado em usar um vibrador se isso fizer parte do divertimento que o casal tem em conjunto. Mas uma mulher tem de saber que não se pode habituar ao vibrador. O perigo surge quando os brinquedos sexuais se tornam um hábito compulsivo. De resto, o casal pode ter quantos quiser, desde que estejam escondidos das crianças e sejam usados como parte de um processo mais alargado do acto sexual.


Que tem a dizer aos que insistem em afirmar que o tamanho é importante?
Aos que se sentem incomodados com o tamanho do seu pénis, proponho uma tarefa simples. Sentem-se frente a um espelho e provoquem uma erecção completa. Observem o vosso pénis com atenção e vão ver que nunca mais se vão preocupar com o tamanho."


Texto retirado da Imprensa

segunda-feira, junho 22, 2009



A quem possa interessar...


Visando divulgar novos artistas em todas as áreas plásticas - e outras - Alternativas - o Projecto Dominium dirige-se a quem pretenda revelar o seu trabalho, expondo-o numa iniciativa a ter lugar em Julho próximo - sejam de pintura, escultura, desenho, fotografia, etc - tema livre...


Mais dados referentes a este evento serão aqui anunciados, esperando entretanto a demonstração do V. interesse para o mail revista.dominium@gmail.com


Obrigado e que surja A Arte Alternativa!!!!!!!!!!

sábado, junho 20, 2009


O "verdadeiro" BDSM - take II


Começo por pedir desculpa de andar arredada daqui, mas a recuperação de uma cirurgia, o meu aniversário, família e amigos a visitarem-me e a apoiarem-me, etc... deixaram pouco tempo para tanta coisa a fazer... o que agradeço.


Fiquei de comentar o texto de JoãodeAviz e não me esqueci.
O "verdadeiro" BDSM.

A permissa do mind code obrigatório e dress code opcional em certos eventos do Projecto Dominium em que me incluo tem tudo a ver com o texto - ou seja, o que é verdade/verdadeiro ou não, tem de ser interior e não exterior.

A cena de "o hábito faz o monge" não é de todo verdade - por exemplo, a menina que começa a ver sites de BDSM sem nunca antes ter sequer sabido que essa vertente complementar erótico sado/maso existia e se deixa fascinar pelo glamour do outfit, compra umas roupas e decide ser Domme (exemplo apenas) começa por ser um role-play que, a meu ver - não encerra qualquer laivo de BDSM mas sim uma representação de uma fantasia "externa" a uma necessidade de ser admirada no tal palco das vaidades. Será legítimo, mas as roupas não dão alma aos actos; poderá evoluir até um ponto em que efectivamente sinta que já não consegue despir a roupa, a personagem, mas isso imprime na alma a necessidade inata de ser Dominadora? Este é um ponto, para mim, entre o verdadeiro e o não-verdadeiro - ambos legitimos, desde que sirvam às pretensões das partes envolvidas.
Mas há outros contextos.

A importância da diferença de mentalidade entre países/gente - logo, maneiras de pensar e agir, é determinante nas causas/efeito em qualquer actividade, postura e o BDSM não é excepção. Efectivamente Portugal e os Portugueses são país e gente de brandos costumes e jamais terão uma postura extrema ao nível de uma Alemanha ou Reino Unido, até mesmo Espanha onde, por exemplo, o snuff, é prática corrente no "mercado negro". Aqui, brincamos mas não abusamos - passe a expressão - e talvez por isso, os dois subs mais hard que temos em Portugal tenham sido várias vezes convidados para servirem Doms/Dommes estrangeiras... Ou que já tenha ouvido um Dom Português dizer "acho que em Portugal não há uma sub suficientemente hard para mim!". Ora, isto trata de efeitos/consequencias nas práticas extremas e não de se ser melhor ou pior! São excepções a um padrão moderado de estar, também no BDSM e, francamente, no que me toca, denota bom-senso!

Sei de casos fatais de BDSM na Espanha e GB, por exemplo (fora os que são abafados) por uso e abuso de "vale tudo menos tirar olhos"... Ser praticante de BDSM, precisar de BDSM, gostar de BDSM, não significa ser herói (estão todos mortos ou presos), parvo ou ilimitadamente irracional.

Ou seja, não - o que se faz lá fora é que é bom é um perfeito cliché mofento e ultrapassado, mas, se me disserem, gosto da liberdade individual que se sente nos eventos fora de Portugal, isso eu compreendo, porque efectivamente os Portugueses são muito contidos e geralmente "envergonhados" mesmo que se finjam liberais, libertos e livres; não é defeito é genética pura, está na maneira de ser da raça! E não é defeito, é como é. Há povos bem piores e bem mais soltos e isso nao desiquilibra o Mundo.

Pegar no que se faz em eventos lá fora e nas práticas privadas em que há uma maneira de estar muito diferente da nossa e adaptar à nossa realidade é uma coisa, desde que se preserve a identidade e o que somos e o que sentimos e o que queremos - mas não vestindo um tamanho S num corpo XL, o que é no minimo ridiculo!

Mas eu não acredito nisso, as mentalidades mudam com o Tempo e o que nos circunda e este país continua a falar de sexo às escondidas, a ser católico da forma mais hipócrita que já vi (sem ofensa aos católicos) e a cercear subrepticiamente as Alternativas. Um exemplo - quando há 4 anos, se fez um grande evento Alternativo em Lisboa, o Editor de uma conceituada revista portuguesa escreveu no Editorial "fomos ver e gostamos, mas eles que continuem a fazer o que fazem atrás dos panos!"
É preciso dizer mais?

segunda-feira, junho 08, 2009


O foco de luz.
O palco.
De quatro, exposta.
Descomposta.
Ali
para ser dele
de baixo para cima,
a olhar.


Preto.
Vermelho.
Foco amarelo.
Sangue a pulsar
olhos e brilho
mãos espalmadas
no chão a aguentar...


Chicote
que vai e vem
cai e levanta
mata e ressuscita
ardores e frios
na pele da oferenda,
coleira ao pescoço
e a alma nos olhos.


O foco de luz.
O palco.


(Dezembro 2008)