domingo, janeiro 08, 2006

As aparências!

Acabei o ano com saldo negativo.
Muitas perdas irremediáveis e gente que se foi e deixou marca...
Vários sentimentos espalhados pelo chão, quer em BDSM quer na vida real, como gosto de lhe chamar.
Um pouco de tudo!
Não sei porquê nem para quê, mas sei que aconteceu e que fiquei mais pobre por dentro, mas mais forte por fora... Sei que afinal valeu a pena, mas agora, à distância, longe já da espuma dos olhos revoltos.
Falo de gente e falo de pessoas - em grupo, e separadamente. Em almas e corações que nem sempre estão do lado esquerdo, em tanta coisa que nunca entenderei. Falo de dar e não receber, de querer e nao ter para dar, de ter o que nao desejei, de tantas equações em que os nós dos dedos ficam brancos de tanto apertar.
A vida é feita de ciclos e a sabedoria popular diz que o que não nos mata torna-nos mais fortes! Pode ser verdade, também me sucede o mesmo, mas a que preço...
E tudo em nome de aparências, em fazer de conta, em fingir, em "pretender" que se é aquilo k nao se é...
Sinto-me um dos aliens do filme do Carpenter, em que uns oculos desnudam a Verdade e expoem a mentira. Só que mesmo sem oculos continuo a sentir-me alien, extraterrestre, como o Valentine Love Smith do Henlein, estranha numa terra estranha!
Restou-me um ponto positivo no final deste ano maldito, sofrido, castigado, dorido, mas que valerá sempre a pena... Ajudei alguem a crescer por dentro, a enfrentar os seus medos, a decidir se quer viver ou apenas vegetar, resignado a um medo maior. Sorri ao fazer os meus doze desejos porque ele entrava neles, por si e para si, sem mim. Já sabe caminhar... já nao precisa de mim, e eu com a sensação de ter ajudado um pato a bater as asas. Um pato nao é um pinto, para quem nunca viu um pato! Um pato um dia tem de migrar, mas antes disso aprende a caminhar em duas patas, a bater duas asas e a mergulhar para comer. O meu amigo já era pato adulto e fiz tudo para que voasse, limitei-me a abrir-lhe as asas e a tirar-lhes a nafta do Mundo. Depois, quando chegou ao Sul, deixando-me feliz por ele ter conseguido - arrancou as penas das asas, sentou-se num canto da capoeira e jurou jamais voltar a voar; fiquei triste mas os patos tb têm direito a decidir não voar...
"If You Love Someone, Set Him Free!"

6 comentários:

Anónimo disse...

Os balanços são o que fazemos deles...

O meu quis que fosse positivo. E foi. Perdi bastante. Perdi o caminho sem surpresas, mas confortável e onde não havia medos. Perdi amigos, companheiros, família. Perdi ilusões. Perdi esperança, fé, confiança, amor, amizade, quase tudo o que havia para perder. A certa altura cheguei a perder a vida.

Mas chegado o momento do 'fecho de contas', a noite mágica em que insisti em, sozinha por opção, ganhar balanço e atirar-me a um novo ano, concluí que ganhei. Ganhei quando recuperei a vida e amigos. Os mesmo que continuo a saber que o serão sempre. Mais perto ou mais longe.
Recuperei confiança, ganhei novas esperanças e recomeços em sonho.

Quero um balanço positivo. Estou aqui, pronta para um novo ano, cheiinho de perspectivas e caminhos para descobrir e sonhos para sonhar.

Refaz o teu balanço amiga. E continua a mergulhar na vida.

MissLibido disse...

"E mais que uma onda, mais que uma maré, tentaram prende-lo, impor-lhe uma fé, mas, rumando à vontade, fugindo à saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme!
E uma vontade de ir, nasce do fundo do ser, correr o mundo e partir, a vida é sempre a correr!"

Barcos e mulheres ao leme!
Nós, a aproveitar a maré...

FELIZ 2006 irmã!!!!!!!

DarkPrincess73 disse...

Este teu texto, de todos os teus textos maravilhosos que tenho lido, atinge um ponto de profundidade e beleza em estado puro que me deixou sem palavras...
Um beijo grande...

Su disse...

Balanços, resoluções...? Este ano decidi não os fazer. Sempre revivi o passado ansiando o futuro. Aprendi que nada é eterno a não ser a memória. A memória que mata, que corroi. A memória visceral, aguda e profunda. A memória que não se esquece mas adormece. A memória que me faz soluçar e que só os beijos e o toque dele acalmam. Aprendi também que a felicidade é efémera, mas que a conseguimos roubar sempre que precisamos dela. Dei por mim a andar de baloiço e agora ter medo de saltar, a passear um cão à chuva, a ir às compras, olhar para o preço numa etiqueta e aguardar pelos saldos, a tropeçar e ficar com os joelhos negros, a bater uma porta tendo a janela aberta, a cantar desafinada, a chorar com uma morte passada, a estar aflita por ele ter estado doente, a ter perdido uma mala e a ter o carro numa oficina. Dei por mim a sorrir abraçada a um casaco cinzento e descer as escadas a correr quando senti a chave dele, entrar na porta, esse dia. Agora estou a cantar baixinho uma música que sei que sabes qual é... Dou-te a minha "Luz de Luna" para te iluminar. Para te ver sorrir como já vi. Para te ver feliz como já senti. Um beijo terno e um abraço apertado. Dos meus. Que só os entrego a quem se entrega também.

MissLibido disse...

Amigos são quem nos sorri quando choramos e por quem choramos quando estão tristes! Obrigada minhas três grandes Amigas! Porque... "A vida é feita de pequenos nadas..." - Sérgio Godinho

zezilo disse...

Por vezes não é necessário fazer balanços... tudo é um contínuo. Não tem de haver saldos positivos ou negativos.... Há sempre caminhos desde que se continue a caminhar, mesmo que sem rumo...

(Ps Continuas a escrever muito bem...)