"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
sexta-feira, outubro 13, 2006
Retrato de Uma Princesa Desconhecida
"Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino."
Sophia de Mello Breyner Andersen
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino."
Sophia de Mello Breyner Andersen
quinta-feira, outubro 12, 2006
BDSM e a Felicidade!
A Felicidade não é uma morena minha amiga ali do bairro da esquina.
Pelo contrário, é dos Amigos mais dificeis de conseguir, mas de vez em quando lá nos bafeja com a sua aparição.
Hoje estou feliz, porque o meu Dono me faz feliz ainda, sempre que o vejo feliz.
Crescemos juntos todos os dias e ele dá-me água e mata-me a sede e deixa-me mergulhar em rios que ele cria só para mim.
Com nome ou sem nome, é isso que me dá e eu nem sempre sei reconhecer.
Chama-me "resmungona" muitas vezes, a segurar-me o perfil pelo rabo de cavalo, com um meio sorriso pendurado, mas na verdade, lá bem no fundo, eu quero é mais e mais. Adoro que o meu Dono me lembre que sou dele. Que me leve a jantar algemada e molhada no sexo, que seja o meu cúmplice maior numa teia de Dominação em que ele reina.
Hoje estou feliz!
O Dono não está comigo agora, mas tenho sol e mar por perto.
No pescoço sinto a insustentável leveza deliciosa do seu nome numa placa gravada, e não me pesa. Gosto de ter a sua marca em mim.
As algemas estão na cabeceira da cama.
O coração está nas mãos do Dono.
A entrega... que agradeço!
Pelo contrário, é dos Amigos mais dificeis de conseguir, mas de vez em quando lá nos bafeja com a sua aparição.
Hoje estou feliz, porque o meu Dono me faz feliz ainda, sempre que o vejo feliz.
Crescemos juntos todos os dias e ele dá-me água e mata-me a sede e deixa-me mergulhar em rios que ele cria só para mim.
Com nome ou sem nome, é isso que me dá e eu nem sempre sei reconhecer.
Chama-me "resmungona" muitas vezes, a segurar-me o perfil pelo rabo de cavalo, com um meio sorriso pendurado, mas na verdade, lá bem no fundo, eu quero é mais e mais. Adoro que o meu Dono me lembre que sou dele. Que me leve a jantar algemada e molhada no sexo, que seja o meu cúmplice maior numa teia de Dominação em que ele reina.
Hoje estou feliz!
O Dono não está comigo agora, mas tenho sol e mar por perto.
No pescoço sinto a insustentável leveza deliciosa do seu nome numa placa gravada, e não me pesa. Gosto de ter a sua marca em mim.
As algemas estão na cabeceira da cama.
O coração está nas mãos do Dono.
A entrega... que agradeço!
quinta-feira, outubro 05, 2006
OUTONO
Que bela tarde está...
Gostava de saber pintar para reproduzir o céu e o mar que vejo daqui.
Como choveu muito, até a relva de um campo em frente à minha casa está mais verde e surgiram lençóis de baldroegas... O meu cão delirou com as cócegas que lhe roçaram a barriga e as patas e queria espojar-se. Correu atrás dos pássaros e desobedeceu-me; castiguei-o ao de leve - não se pode nem deve castigar alguém por estar feliz. O meu cão teve uma tarde feliz!
Puxei uma cadeira branca de plástico, na varanda, e enrosquei-me nela, com pés descalços e pulseira de escrava no artelho esquerdo. Fumei um cigarro e uma parte da tarde, atirando o fumo para cima, deixando-o dissipar-se na brisa. O sol queimava e tive de fechar os olhos - "Cierra los ojos" diziam a Tom Cruise num dos melhores filmes que vi nos ultimos anos; eu cerrei os meus. O cão aos pés, uma mesa cheia de vasos floridos de segunda estação, um sol escaldante e uma tarde de encher os sentidos. Mudei os pés de posição - sou muito grande para a cadeira, e enrosco-me melhor agora. Apago o cigarro e mantenho os olhos em descanso merecido...
Um segredo só meu não me deixa ir, vogar no mar, atrás de um snipe que aproveita a brisa para ilustrar a paisagem. Volto a fechar os olhos e volto a mergulhar no mar que este ano não bebi. Levo comigo o meu segredo até ao fundo de areia e lá abro os olhos, que ardem com o sal.
Serei sempre escrava, é o que sinto lá no fundo desta tarde.
Sempre amarrada ao que sinto e ao que não tenho.
O segredo amarrota-me a alma.
Sinto as cicatrizes começarem a arder com o sal.
É o segredo de ser escrava - se doer é porque vale a pena!
E porque me dói muito, esta tarde de uma beleza perfeita, o meu segredo por polir como um carvão quase diamante, o meu cão feliz por me ter, porque me dói muito tudo isto, sei que serei sempre prisioneira - livre na minha vontade!
Gostava de saber pintar para reproduzir o céu e o mar que vejo daqui.
Como choveu muito, até a relva de um campo em frente à minha casa está mais verde e surgiram lençóis de baldroegas... O meu cão delirou com as cócegas que lhe roçaram a barriga e as patas e queria espojar-se. Correu atrás dos pássaros e desobedeceu-me; castiguei-o ao de leve - não se pode nem deve castigar alguém por estar feliz. O meu cão teve uma tarde feliz!
Puxei uma cadeira branca de plástico, na varanda, e enrosquei-me nela, com pés descalços e pulseira de escrava no artelho esquerdo. Fumei um cigarro e uma parte da tarde, atirando o fumo para cima, deixando-o dissipar-se na brisa. O sol queimava e tive de fechar os olhos - "Cierra los ojos" diziam a Tom Cruise num dos melhores filmes que vi nos ultimos anos; eu cerrei os meus. O cão aos pés, uma mesa cheia de vasos floridos de segunda estação, um sol escaldante e uma tarde de encher os sentidos. Mudei os pés de posição - sou muito grande para a cadeira, e enrosco-me melhor agora. Apago o cigarro e mantenho os olhos em descanso merecido...
Um segredo só meu não me deixa ir, vogar no mar, atrás de um snipe que aproveita a brisa para ilustrar a paisagem. Volto a fechar os olhos e volto a mergulhar no mar que este ano não bebi. Levo comigo o meu segredo até ao fundo de areia e lá abro os olhos, que ardem com o sal.
Serei sempre escrava, é o que sinto lá no fundo desta tarde.
Sempre amarrada ao que sinto e ao que não tenho.
O segredo amarrota-me a alma.
Sinto as cicatrizes começarem a arder com o sal.
É o segredo de ser escrava - se doer é porque vale a pena!
E porque me dói muito, esta tarde de uma beleza perfeita, o meu segredo por polir como um carvão quase diamante, o meu cão feliz por me ter, porque me dói muito tudo isto, sei que serei sempre prisioneira - livre na minha vontade!
domingo, outubro 01, 2006
Com o lançamento do número um (1) previsto para breve, a Revista Dominium vai continuar a dar que falar, depois do sucesso que foram as duas edições (normal e especial). Não percam e espreitem as edições zero (0) em www.dominiumonline.com, podendo igualmente assinar a revista Dominium nesse site.Obrigada!
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