quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A trela!



Acabei de vir da praia com o meu cão.
É o meu submisso vitalício sem opção e não o posso descurar.
E vi mais uma vez algo que me surpreende sempre.
Com várias coisas na mão, deixei cair a trela e ele estacou, olhou para trás e esperou que eu a pegasse de novo...
Assim fiz e continuamos o passeio.

Fui pensando, a ver o mar e gente feliz, que me aconteceu o mesmo nos últimos anos.
Deixaram-me cair a trela e eu não fugi, fiquei à espera que a pegassem de novo.
Por desatenção ou falta de jeito, a trela caiu várias vezes e eu fiquei à espera, como o meu cão, submisso, a olhar para trás.

É a diferença entre cães leais aos Donos e cadelas e cães vadios que aparecem no cio, a fazer macacadas por um tecto e umas festas, mas acabam por morder a mão que os alimenta e voltam a fugir, ad eternum.
Nem todos os cães com trela querem fugir. Como nem todos os Donos com cadelas e cães se querem ver livres deles.
Os cães sentem-se protegidos, ainda que seja uma farsa muitas vezes, e ficam à espera que lhes peguem na trela, porque foram educados/condicionados nesse sentido, desde o começo.
Stray dogs não - não têm lealdade; ajustam-se mas não se dão, vão estando apenas, até eles próprios tirarem a coleira e roerem a trela e irem procurar o vento no rosto.

Há de facto gente para todos os gostos no Meio BDSM e na vida.
E eu adoro o meu cão a quem tiro a trela sempre que possível, porque sei que não me foge...

domingo, fevereiro 20, 2011




 

Ainda estou em jejum.
São quatro e meia da tarde e ainda não comi.

Passei fome de emoções tempo demais, meses, um ano, e carpi lágrimas de fel nos últimos meses, sem qualquer tipo de necessidade - apenas porque alguém decidiu, por falta de coragem, por querer o melhor de vários mundos que, afinal, não são apenas dois.

Mas hoje estou sem comer ainda, por uma boa causa.
Sem lágrimas.
Sem dores por dentro.
Tenho a alma lavada e os olhos brilham e tudo porque me senti livre da mágoa pela primeira vez talvez em mais de um ano; da energia negativa; do esperar os golpes de quem traiu repetidamente e não se podia provar mas eu sentia, cheirava, via no que faltava.

Mas hoje, todo esse cadáver ou esqueleto que me assombrou com grilhetas pesadas e barulhentas e eu olhava numa ombreira de porta a pensar "porquê? porque não se dá?" - ficou esmagado e inerte nos meus espasmos de libertação, esta madrugada.


 
Hoje, é só sobre mim que os olhos brilham.
Sobre mim e quem me ajudou a voltar a caminhar, quem me disse com maciez, esta madrugada, à ponta de um chicote, "solta, solta tudo"...
Hoje não me dói a alma, mas o corpo - que não vale nada, que é só carne para macerar até apodrecer, um dia - como as relações falsas, sem carne à volta dos ossos.
"Solta, solta tudo" - e não gritei nem chorei, espasmei com a mesma garra que tinha, antes de adormecer numa melopeia de anos de fantasias adiadas.


 
Tenho marcas um pouco por todo o lado e ainda nao comi. A casa está desarrumada. Passeei o cão e voltei. Começou a chover lá fora. Recuperei a minha casa. O meu mundo a mim retorna . Os olhos brilham por mim. A alma está lavada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011


Registo iniciado a 11 Setembro 2007 e anulado hoje por mim, apesar de pedidos a quem de direito neste sentido, após 6 meses de traição escondida, num acordo de exclusividade mútua.




The Slave Register certificate for 231-126-200 records that the registrant is free and unowned.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

NÃO EXISTIMOS!



I tried to kill those ghosts inside of me
That voice you spoke is yelling in my ears
And I don't believe in love fools...
I'd like to have those eyes you want to kiss
Wishing something
I wish I had that voice you want to hear
I believe in
And I don't believe in love fools
Do you feel something
This feeling is so hard that I can't breathe
Wishing something
I wish you'd touch my hair when I'm asleep
And I don't know
And I don't believe in love fools
I'm tired of this
The words you wrote are putting me away
I'm tired of that
I know that love was for somebody else
And I don't know... me, myself and I
You and I know
You and I try
You and I ran

segunda-feira, fevereiro 14, 2011


...quando o Tempo era mais Tempo...

nossa sr.ª das dores / póvoa de varzim

Do que preciso no BDSM

Hoje, alguém especial me perguntou do que preciso no BDSM e dei comigo a sonhar de novo...

Dos olhos a brilhar!
Da paz numa sessão.
Da idade da inocência no BDSM, quando a pele se arrepiava só de pensar em tirar a roupa e sentir os mamilos ficarem erectos, então tão sensíveis...
Do que pensava enquanto manietada, que era especial por Ele investir em mim e lhe ver os olhos também a brilhar. Jogo de adultos que mexe com sensações e emoçoes e medos e limites e é perigoso e pode marcar para sempre além da pele.
Da fragilidade entre o riso e o choro.
Do peso da alma - e nao são 21 gramas.
Da leveza do riso, aquele que liberta!
Das mãos, daquelas que não tremem nem são moles e marcam o território na carícia, demoradas ou não na brisa que sopram.
Dos cabelos agarrados pelos Donos com o Poder investido pelos acordos na cumplicidade.
Nas palavras fortes cheias de magia, em que o que fica é o tom e faz as coxas apertarem-se no covil da fêmea.
Da entrega feita ao ouvido, num múrmurio ou num olhar silencioso.
Num beco escuro onde se finge o que não se é e se vive a fantasia a ser o que gostaríamos de ser - juntos, um não é sem o outro.
O cheiro da carne queimada que não sairá jamais num pedido feito com amor, pois há entregas assim...
Sinto falta dos meus olhos a brilhar!