domingo, abril 12, 2009


100 MIL VISITAS A ESTE BLOG


É com orgulho que dou um agradecimento especial a todos quantos permitiram que este blog tenha cinco anos de vida e 100 000 visitas e, penso, dessa forma, conquistado uma credibilidade avalizada que o fez permanecer ao longo do tempo e ultrapassar cyber fronteiras...


A todos que o divulgam e alimentam com críticas, respostas e sugestões, muito obrigada!

quinta-feira, abril 02, 2009


Reflexão

Acabei de espinhar pescada cozida em caldo de peixe.
Pretendo fazer empadão de puré com pescada, gratinado com queijo parmesão ralado.
Será o meu jantar!
Porque mesmo quem pratica BDSM tem de comer e beber e pagar as contas...
Enquanto o fazia, reflectia em muita coisa e nos últimos fait-divers que assolaram a tão parca de novidades comunidade BDSM portuguesa e concluí que assim era ao ponto de se ter de inventar fricções e atritos - seja para elevar o ego de uns, ou para tentar encolher o ego de outros - quiçá...
E fi-lo a espinhar peixe!
Porque já é tão rotineiro e sazonal esperar das mesmas pessoas nas mesmas ocasiões ao mesmo pretexto que se insurjam sem motivo em causa alheia contra os seus pares que, qual pescada morta na travessa, deviam ser gratinados e comidos com queijo parmesão - fosse a fácil digestão garantida, o que se me assemelha pouco provável.
Continuei a tirar espinhas dorsais e barabatanas -sim, era peixe fresco e inteiro - enquanto matutava porque certas pessoas fazem BDSM se não entendem que as devia ajudar a crescer por dentro, tipo Yoga, em vez de as fazer mirrar e azedar ao ponto de serem Mr.Scrooges de Dickens - avarentos de afectos e lealdades e afins... valores!
A crise da vida toca a todos, mas é isso que condiciona a maldade gratuita?
Há criminosos em meios abastados e gente pura e honesta em meios depauperados!
Que concluir?
A pescada uma vez arrogante e senhora dos mares que se debateu contra as redes, jazia nas minhas mãos, indefesa, a cumprir o seu destino.
Chega uma altura que só resta mesmo é ter pena de ter de comer a pescada, mas se ela salta para a rede, fechamos os olhos e pensamos "bom proveito!"

quarta-feira, abril 01, 2009


Descansar... sossegar... paz... calma... tranquilidade...

Uma vez estive completamente mumificada duas horas e meia, apenas a respirar por um tubo a sair da boca.

Sempre bem assistida e com cuidados sobre pulsação, ritmo cardíaco, querer parar, etc.

Nunca quis parar, porque estava no ventre materno.

Um conforto indiscritível.

Não ter de pensar, só atentar nos ruídos ao longe e sorrir com as ideias ao que me rodeava além das camadas de plástico e de tecido... Não ter de pensar no que seria o jantar ou as contas para pagar... Ou se estava a chover na rua.

Coração calmo, dizia o estetoscópio sobre mim.

Claro, toda eu estava calma, a respirar como um atleta, abaixo da média, numa endurance de economia, a hibernar para o Inverno, apesar do Agosto tórrido.

A felicidade ali toda - num equilíbrio perfeito - as quatro estações em temperatura misturada e sem brisa nem aragem.

Protegida e defendida, serena... em paz!

Sem noção de tempo!

A deixar-me ir!

Sempre com um sorriso porque me sentia a sorrir por dentro e por fora!

Quando finalmente me tiraram o tubo e a parte de cima do casulo, afogueada mas de olhos brilhantes emergi à tona da vida e disseram-me em respeito e silêncio "és uma raínha!"
E senti que aquele seria um dos meus momentos mais especiais para sempre no BDSM.

E foi!
A paz é sempre especial!
E a felicidade!



«Sossegar não é descansar — não é uma consequência do cansaço. Quando Rebelo da Silva, citado por Moraes, que por sua vez cita o dicionário de Freire, diz ‘O coração não sossega, a vida cansa’, ambas as coisas são verdadeiras, mas a associação é enganadora, porque o coração não sossega por causa de a vida cansar. Há cansaços bons. Não. O coração não sossega, porque não tem com que sossegar. (...)Quando aparece um amigo sem avisar, interrompendo tudo o que se tencionava fazer, sossega-se. Quando se está a lutar contra a injustiça e a maldade, com todas as forças que se tem, sossega-se. Quando se acredita em Deus. Isso, sim, é sossegar. Gosto de ‘sossegar’ como verbo transitivo. Sossegar só por si não chega. É mais bonito sossegar alguém. E não é adormecendo ou tranquilizando, em jeito de médico a dar um sedativo, que se sossega uma pessoa. É enchendo-lhe a alma de amor, confiança, alegria, e tudo o mais que é o presente a tornar-se, de repente, futuro. É o futuro que sossega. ‘Amanhã vamos passear’ sossega mais que ‘Não te preocupes’ ou ‘Deixa lá, que eu trato disso’”.»


Miguel Esteves Cardoso,
Explicações de Português, Assírio e Alvim, 2001