quarta-feira, fevereiro 11, 2009

11ª Conferência Internacional SM: As Cores do Kink

The Colours of Kink: 11th International SM Conference (women/lesbians/transgender).
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Berlim, 9-13 de Abril 2009
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Nos seus mais de 10 anos de existência, a Conferência Internacional de Mulheres SM tem juntado lésbicas e outras mulheres interessadas a passar alguns dias na fruição das suas paixões comuns. Homens transgénero, que se sintam parte da comunidade SM feminina, sao bem-vindos. A conferência prepara o terreno para oficinas práticas, para a partilha das paixões mais díspares, para festas, para o encontro de almas gémeas. Cria oportunidades imperdíveis de aprofundar o conhecimento das práticas já vossas conhecidas e de descobrir algumas novas. O Inglês e o Alemão serão as línguas de trabalho da conferência e espera-se que tanta gente quanto possível ajude com a tradução sempre que for necessário. Este ano, a conferência será de 9 a 13 de Abril. Começando na Sexta-feira, e terminando no Domingo, haverá oficinas sobre poliamor e as imensas possibilidades do BDSM. Preparem-se para uma atmosfera dominante, submissa, vigorosa, exuberante e cativante. Praticantes experientes estarão á vossa disposição para partilhar conhecimento, guiar-vos através de demonstracões e palestras, e levar-vos a experimentar as vossas novas perícias. As duas play parties, na Sexta-Feira e no Sábado, na Residence Avalon, terão (muito) espaço para as paixões mais desbragadas e incendiarão corações. Sábado à noite terá lugar o tradicional Kinky Dinner – onde o deleite será tanto para a vista como para o paladar. Quem já estiver em Berlim na Quinta-feira, pode ir entrando no espírito dos dias seguintes, no Club Gargoyle, antes da Conferência começar oficialmente na Sexta-feira. Tal como nos anos anteriores, esperamos receber convivas de todos os cantos do Mundo. Para isso, pedimos e contamos com a vossa ajuda, através da divulgação deste website na vossa comunidade e entre os vossos contactos.
Até breve, na Páscoa, em Berlim!
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terça-feira, fevereiro 10, 2009


SAUDADE...

O que faz um texto técnico sobre a palavra SAUDADE num blog desta temática?
Entre mais algumas igualmente importantes - entrega, submissão, dominação, amor, lealdade, verdade - deve ser das mais importantes antes, durante e depois duma relação BDSM.
Fiz uma breve pesquisa - fala do termo e da gramática.
Do sentimento e da dôr acoplada não se consegue falar, é pessoal e instransmissível - como quase tudo no BDSM!
Cada um a sinta à sua maneira e cumpra o luto como conseguir, se conseguir sentir...


"Saudade” palavra que prova que a Língua Portuguesa é muito complicada!

O tema que vamos abordar aqui é delicado e provém de muita pesquisa.
Recebi um texto de uma pessoa que defende inclusive em seu blog, a existencia da palavra “saudade” em Inglês ao passo que condena o aprendizado que teve anos atrás, quando a professora de Inglês mencionou em sala de aula que a mesma só existia no Português.
Então, a pergunta que não quer calar é: Qual a tradução da palavra “saudade” em Inglês?
Essa pergunta inevitavelmente vem seguida pelas demais: “E, se não existe, é sinal de que os americanos não sentem saudade?”

A polêmica é mais antiga que possa se imaginar, ela envolve grandes pensadores e linguístas do mundo todo, algumas pessoas simplesmente optam por generalizar, e dessa forma cometem graves erros ao estudo da linguagem.
Já ouvi coisas do tipo:1) Não existe a palavra saudade em inglês. Como pode ser isto se o sentimento é universal? Como os cidadãos americanos se expressam quando estão meio melancólicos pensando em alguém que está longe? Portanto na minha opinião essa possibilidade está totalmente descartada.
2) A frase “I miss you” significa= Estou com saudades de você.Errado. Simplificar uma tradução é muito comum em filmes, músicas, porém não sana as dúvidas, aumentam ainda mais, pois o International dicionary of English (cambridge) traz a seguinte explicação para a palavra em questão: “- Miss: To be unhappy or regret (that a person or thing) is not present.” A abertura desse parênteses muda tudo, pois quando nos referimos à saudade propriamente dita, existe uma carga emocional muito grande, e não somente como o dicionário apresenta friamente: “ Estar infeliz ou lamentar porque algo ou alguém não está presente”
3) A palavra “homesick” pode ser usada para saudade de casa.A palavra em questão vem no mesmo dicionário com a tradução: Homesick: To be unhappy because of beeing away from home for a long time.“ Estar infeliz porque encontra-se longe de casa por muito tempo.” Se resumirmos essa descrição, podemos dizer que a pessoa está triste porque está longe de casa, porque sente falta, logo, sente saudade... Ao pé da letra não é bem assim, essa é uma tradução simplificada e que nós brasileiros falantes da Língua Inglesa usamos para tornar mais fácil o entendimento da tradução.
Existem diversas traduções com a finalidade de expressar “saudade” em Inglês, entretanto, nenhuma delas têm a capacidade de substituir tal palavra com a mesma carga semântica. Posto isso, realmente não há um cognato perfeito. A saída, obviamente, é sempre usar o bom senso e buscar uma palavra com sentido aproximado para cada situação. E para enfatizar o fato de que essa não é uma discussão simples, saiba que de acordo com uma lista feita a partir da opinião de mais de 1000 tradutores profissionais, a palavra saudade, em português, é a 7ª palavra mais difícil de traduzir.
A lista considera palavras de todos os idiomas.

Confira agora:
1. Ilunga” (tshiluba) - uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.
2. Shlimazl” (ídiche) - uma pessoa cronicamente azarada.
3. Radioukacz” (polonês) - pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro.
4. Naa” (japonês) - palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém.
5. Altahmam” (árabe) - um tipo de tristeza profunda.
6. Gezellig” (holandês) - aconchegante.
7. Saudade (português)
8. Selathirupavar” (tâmil, língua falada no sul da Índia) - palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres.
9. Pochemuchka” (russo) - uma pessoa que faz perguntas demais.
10. Klloshar” (albanês) - perdedor.

Creio que depois dessa constatação, você não irá apenas jogar uma palavra em inglês de significado aproximado dizendo que é a tradução para “saudade”, afinal, essa palavra só tinha que ser mesmo de propriedade da rica Língua Portuguesa, pois cada povo tem sua riqueza gramatical, semantica e línguística, e em minha opinião pessoal, o sentido da palavra “saudade” está inserido ao calor, a alegria e a emoção que o povo brasileiro possui e que é conhecido em quase todos os países."
Milena Q Gonçalves

sexta-feira, fevereiro 06, 2009


CARTA DE UMA ESCRAVA A SEU DONO!

"Boa noite, meu Dono.

Porque ontem estava indisposta, só agora tive tempo para mais esta tarefa por cumprir, o que lamento…

Ordenou-me um e-mail sobre a minha entrega e a parte que discutimos a que chamei de um certo “ridículo”…

Vou tentar explicar melhor, meu Dono…
Não posso fazer muito mais para lhe provar que a minha entrega a si é total e completa… No entanto, acho que nunca neguei uma prática ou rejeitei um desejo seu… Alguns obstáculos apenas atrasaram o cumprimento, mas jamais me recusei – no entanto, não sei se é isso que faz uma entrega mais forte.

Concordo que as lágrimas aproximam mais Dono e escrava e que os momentos de fragilidade da escrava são os de maior vulnerabilidade e em que se prova que o Dominador dominou a presa, sim…

Concordo que é nesses momentos que o cordão umbilical dá mais voltas e não se deixa cortar facilmente, porque o objectivo não é mesmo esse – pelo contrário.

O que apelidei de “ridículo” foi o motivo do meu “quebrar” no Domingo, porque os meus traumas e os meus obstáculos talvez devessem ser apenas meus e não os devesse deixar preocupar o meu Dono, ou interferir nas nossas práticas.

Aparentemente, em qualquer parte do Mundo, uma mulher de meia idade a chorar com medo de perder o seu Dono por não ser suficientemente hard para os seus mínimos, aparte a circunstância plausível, é uma cena ridícula sim… não as causas mas os efeitos.

Não me sinto ridícula por me entregar – é o que sempre desejei em toda a minha vida – dar-me a alguém que me saiba ler e conter em cada momento certo.
Não me sinto sequer ridícula! Sou BDSMer por opção e salto fora da cena no dia em que me sentir violentada, portanto, não acho k sendo adulta na 2ª idade não tenha direito a escolher o meu caminho – e ele é, indubitável e inquestionavelmente – dar-me por inteiro e finalmente acredito k está a acontecer, porque alguém especial está a aparar-me a queda…

Meu Dono, eu preciso mesmo de rebentar nas suas mãos e sentir-me vazia do k me roi por dentro e inchar como balão ao seu sopro – é isso que me dá paz no BDSM. Raramente consegui esse Nirvana e, quando lhe peço ajuda, apesar do ridículo de ser uma mulher de idade a sentir como menina, não me arrependo e gosto, gosto muito de sentir que lhe pertenço e que não tenho medo de ir consigo até ao fim do Mundo – desde k não me solte a mão ou me pouse em vez de deixar cair.

Por favor, nunca me deixe cair – pouse-me devagar, se chegar o dia….
A sua escrava rendida e nua..."
(2007)


Não, não abandonei o "estaminé", meus caros... andei a digerir a Vida, dentro e fora do BDSM, que às vezes tem de se parar e distanciar das coisas para as ver melhor.

Não acredito em coincidências e, dito isto, há alguns, poucos meses, que tinha decidido resguardar-me um pouco de emoções fortes - em concordância com o Dono e Amigos chegados - por razões de Saúde; as mesmas que, entre outras, me fizeram abrandar um pouco no final de ano, até agora e nos próximos tempos.

A Vida é que manda em nós e não nós nela.

Na verdade, vários acontecimentos familiares, pessoais e BDSMers levaram a que abrandasse o passo e a que crescesse por dentro, numa ascesse pessoal que nunca excluiu os Amigos de verdade, aqueles que não pedem nada quando dão voluntariamente!

Hoje escrevo aqui mais gente, mais mulher e mais Amiga de todos que merecem e deixo a certeza que podem contar comigo sempre, dentro e fora do BDSM - apesar de já ter conseguido o que me propus a nível público - passar o testemunho!

Foi e é com grande satisfação que tomei conhecimento da Fetish Obssession no Porto e espero sinceramente que tenha adesão e que outras se sigam, como sempre apregoei há anos publicamente. Quando meia duzia de velhos do Restelo apregoavam a clausura e o tabu entre quatro paredes sempre defendi - e mantenho - que a normalidade se faz através do abolir da auto-discriminação e acho que se prova! Mas com auto-controle e sem acreditar individualmente que é apenas o dress-code que faz o monge - que não é! Mas que uma Comunidade Alternativa se faz com hipótese de escolha - sim! E que se mantenham muitas escolhas, por muitos e longos anos vindouros ao ponto de não ser notícia de primeira página e sim roteiro de happenings, trivial.

De resto, bute lá consolidar a Comunidade com dignidade e sem separatismos bacocos e demodés!

Obrigada a todos que se mostraram solidários com a minha ausência, de variados modos... *