"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Finalmente voltei à piscina depois de mais de um ano de preguiça...
Hoje acordei triste e apeteceu-me ir à piscina!
A água é o meu elemento - liberta-me, solta-me, faz-me deixar ir!
Acho que a meio da vida toda a gente ganha o direito, imposto, aos seus fantasmas, e que estas quadras festivas fazem regressar os esqueletos a arrastar as correntes.
Geralmente releio "Um Conto de Natal", de Dickens, nesta altura e comovo-me sempre, embora os olhos e a alma que o absorvem nao sejam os mesmos, de ano para ano... A cada segundo que passa, somos novas pessoas - com outros olhos e outras almas, com outras sensações na palma das mãos e na ponta dos dedos. Somos mutantes, na verdade e isso é que é crescer, amadurecer e envelhecer. Não o envelhecimento negativo, mas o mudar de idade e de pele todos os dias, que assusta mais pelo que sentimos de novo do que pela decadência fisica, julgo eu.
Sinto-me todos os dias assustada com o que sinto de novo. Porque todos temos medo do desconhecido e porque todos temos a pretensão de nos conhecermos a nós próprios melhor do que ninguém, o que é uma redonda mentira... Passamos a vida toda a não saber quem somos, onde pertencemos, onde devíamos estar, o que devíamos fazer... o que sentir!
Acordei hoje sem saber o que sinto!
Sonhei com um homem vestido de mulher e de strapon erecto e acordei estremunhada. Senti-me estremunhada e estou triste porque nao sei o que sinto.
O que sonhei relacionou-se com uma conversa sobre BDSM que tive de madrugada, sei-o bem; entre amigos, várias teorias e várias conclusões sobre factos de BDSM. Mas podia ser sobre outra temática qualquer.
Questionava-se se, quando por definição um submisso se deve abnegar de si para realizar o seu Dominador, se esse submisso não conseguir, por exemplo, deixar de se apaixonar por quem idolatra e a quem serve, deixa de ser submisso... Tendo em conta que, também por definição, uma relação D/s "eficaz" implica um Dominador que consegue isolar os sentimentos para com o objecto da sua Dominação, fria e calculista, abrindo caminho ao seu instinto primário e egoísta.
Nessas premissas, se um submisso - "contra toda a ordem natural das coisas" - se apaixonar pelo seu Dominador, revela não ser submisso? E se for ao contrário? Se um Dominador nao conseguir deixar de se apaixonar por um submisso, também perde o seu estatuto? Tudo isto na linha de raciocínio que diz que, quando apaixonados, nos amolecemos por dentro e por fora e só queremos ser "o tal" para o outro...
Mas levantamos mais questoes, práticas, sobre sessoes que incluam um "sub descartavel" por exemplo - um casal D/s que inclui um submisso de ocasião para uma cena de momento apenas. Defendo que o/a Dom/Domme devem começar por criar igualdade de circunstancias a ambos os subs, independentemente do seu lugar relativamente ao Dom, para evitar a "competição".
O sub "da casa" e o "sub de visita" quando a competir apenas conseguem representar uma situação ideal, mas será que a sentem, se não lhes for instintivo?
Um Dom quer uma situação "representada" em BDSM, ou não procuramos todos a libertação dos sentidos e a liberdade de sentir num esforço de equipa?
Sempre e eternamente... o sentir!
Falo desta mutação diária, deste não conseguir deixar de pensar e questionar, desta incrível falta de leveza no ser que não nos deixa levantar voo, arrastados às tais correntes que nos fazem ter os pés na Terra.
Debaixo de água, a deslizar de olhos abertos, não sinto as correntes nem Dickens nada comigo - nao há som e não há pressa, há paz!
O regresso à barriga da mãe, quando tudo era simples...
Esta certeza do calor bom da massa tépida da placenta que sinto debaixo de água.
Esse chegar sem partir! Esse azul que faz descansar os olhos, esse branco da água a embater nos cílios, esse momento em que só lá estamos nós, o silêncio e o afago nas costas do líquido que nos diz para ficar lá...
Hoje não sei o que sinto!
Hoje acordei triste e apeteceu-me ir à piscina!
A água é o meu elemento - liberta-me, solta-me, faz-me deixar ir!
Acho que a meio da vida toda a gente ganha o direito, imposto, aos seus fantasmas, e que estas quadras festivas fazem regressar os esqueletos a arrastar as correntes.
Geralmente releio "Um Conto de Natal", de Dickens, nesta altura e comovo-me sempre, embora os olhos e a alma que o absorvem nao sejam os mesmos, de ano para ano... A cada segundo que passa, somos novas pessoas - com outros olhos e outras almas, com outras sensações na palma das mãos e na ponta dos dedos. Somos mutantes, na verdade e isso é que é crescer, amadurecer e envelhecer. Não o envelhecimento negativo, mas o mudar de idade e de pele todos os dias, que assusta mais pelo que sentimos de novo do que pela decadência fisica, julgo eu.
Sinto-me todos os dias assustada com o que sinto de novo. Porque todos temos medo do desconhecido e porque todos temos a pretensão de nos conhecermos a nós próprios melhor do que ninguém, o que é uma redonda mentira... Passamos a vida toda a não saber quem somos, onde pertencemos, onde devíamos estar, o que devíamos fazer... o que sentir!
Acordei hoje sem saber o que sinto!
Sonhei com um homem vestido de mulher e de strapon erecto e acordei estremunhada. Senti-me estremunhada e estou triste porque nao sei o que sinto.
O que sonhei relacionou-se com uma conversa sobre BDSM que tive de madrugada, sei-o bem; entre amigos, várias teorias e várias conclusões sobre factos de BDSM. Mas podia ser sobre outra temática qualquer.
Questionava-se se, quando por definição um submisso se deve abnegar de si para realizar o seu Dominador, se esse submisso não conseguir, por exemplo, deixar de se apaixonar por quem idolatra e a quem serve, deixa de ser submisso... Tendo em conta que, também por definição, uma relação D/s "eficaz" implica um Dominador que consegue isolar os sentimentos para com o objecto da sua Dominação, fria e calculista, abrindo caminho ao seu instinto primário e egoísta.
Nessas premissas, se um submisso - "contra toda a ordem natural das coisas" - se apaixonar pelo seu Dominador, revela não ser submisso? E se for ao contrário? Se um Dominador nao conseguir deixar de se apaixonar por um submisso, também perde o seu estatuto? Tudo isto na linha de raciocínio que diz que, quando apaixonados, nos amolecemos por dentro e por fora e só queremos ser "o tal" para o outro...
Mas levantamos mais questoes, práticas, sobre sessoes que incluam um "sub descartavel" por exemplo - um casal D/s que inclui um submisso de ocasião para uma cena de momento apenas. Defendo que o/a Dom/Domme devem começar por criar igualdade de circunstancias a ambos os subs, independentemente do seu lugar relativamente ao Dom, para evitar a "competição".
O sub "da casa" e o "sub de visita" quando a competir apenas conseguem representar uma situação ideal, mas será que a sentem, se não lhes for instintivo?
Um Dom quer uma situação "representada" em BDSM, ou não procuramos todos a libertação dos sentidos e a liberdade de sentir num esforço de equipa?
Sempre e eternamente... o sentir!
Falo desta mutação diária, deste não conseguir deixar de pensar e questionar, desta incrível falta de leveza no ser que não nos deixa levantar voo, arrastados às tais correntes que nos fazem ter os pés na Terra.
Debaixo de água, a deslizar de olhos abertos, não sinto as correntes nem Dickens nada comigo - nao há som e não há pressa, há paz!
O regresso à barriga da mãe, quando tudo era simples...
Esta certeza do calor bom da massa tépida da placenta que sinto debaixo de água.
Esse chegar sem partir! Esse azul que faz descansar os olhos, esse branco da água a embater nos cílios, esse momento em que só lá estamos nós, o silêncio e o afago nas costas do líquido que nos diz para ficar lá...
Hoje não sei o que sinto!
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Sem Nome, Só Alma!
...Mais uma data...
Há sete meses atrás tudo era diferente; tudo mudou entretanto e felizmente que assim foi.
Cada vez mais, os rótulos não fazem diferença, mas o que está dentro da embalagem.
Não sei que lhe chamar, mas os mais "tradicionais" chamam-lhe submissão.
E eu questiono - se alguém quer continuar a sentir-se realizado, apesar de dias menos positivos, como em tudo na vida, se quer continuar a acreditar, que lhe chamem o que quiserem, mas está no caminho certo!
Suponho que se alguém não consegue voltar costas e partir, é porque está bem nesse lugar, apesar de nem sempre ser um paraíso...
Mas tenho idade para saber que não há paraísos.
Este ano foi tremendo de variáveis e de altos e baixos.
Ganhei muito e perdi muito.
Suponho que isso acontece sempre à medida que envelhecemos, porque ficamos mais exigentes, temos mais termos de comparação e ganhamos o direito de escolha.
Se eu escolhi não ter direito de escolha depois da decisão maior, se continuo na mesma rota, é porque, de algum modo, estou realizada na minha dádiva!
E se estou, só tenho de agradecer a quem me cuida e ampara e castiga e me faz crescer - mesmo que muitas vezes eu possa não entender que é um processo a medio prazo, nao uma atitude isolada e imediata.
Dominação e submissão demoram tempo e carecem de investimento - ambos demoram a adaptar-se reciprocamente, mesmo que um dê apenas e o outro receba exclusivamente.
Uma submissa não é uma vítima e nao me sinto vítima, tive direito de opção e mantenho-a, fiel à minha integridade de quem se entrega, mesmo que nao seja pelos parâmetros tradicionais de uma linha mais puritana do BDSM.
Não há duas entregas iguais, dois Dominadores iguais, dois submissos iguais!
Não há uma escala para medir a interacção de duas pessoas numa relação que se rege por instinto a maior parte das vezes - de dar e de receber!
O meu Mestre não me pediu este texto, nem sabe que o estou a criar neste momento. Provavelmente nem se lembra que dia 21 eu desisti do direito de escolha, para ele e por ele. Não sei se o meu Mestre entende a extensão do que julgo dar-lhe, mas gostava que assim fosse, acreditando que o realizo como Dominador...
Eu sei o que ele me deu e dá, às vezes tira, mas a Vida e o BDSM andam de mãos dadas, e há circunstâncias que condicionam os resultados ou, pura e simplesmente, os atrasam ou fazem desaparecer.
Espero sinceramente realizar o meu Mestre!
Porque tudo o que fazemos na Vida é tentar...
Bom dia, Mestre!
Há sete meses atrás tudo era diferente; tudo mudou entretanto e felizmente que assim foi.
Cada vez mais, os rótulos não fazem diferença, mas o que está dentro da embalagem.
Não sei que lhe chamar, mas os mais "tradicionais" chamam-lhe submissão.
E eu questiono - se alguém quer continuar a sentir-se realizado, apesar de dias menos positivos, como em tudo na vida, se quer continuar a acreditar, que lhe chamem o que quiserem, mas está no caminho certo!
Suponho que se alguém não consegue voltar costas e partir, é porque está bem nesse lugar, apesar de nem sempre ser um paraíso...
Mas tenho idade para saber que não há paraísos.
Este ano foi tremendo de variáveis e de altos e baixos.
Ganhei muito e perdi muito.
Suponho que isso acontece sempre à medida que envelhecemos, porque ficamos mais exigentes, temos mais termos de comparação e ganhamos o direito de escolha.
Se eu escolhi não ter direito de escolha depois da decisão maior, se continuo na mesma rota, é porque, de algum modo, estou realizada na minha dádiva!
E se estou, só tenho de agradecer a quem me cuida e ampara e castiga e me faz crescer - mesmo que muitas vezes eu possa não entender que é um processo a medio prazo, nao uma atitude isolada e imediata.
Dominação e submissão demoram tempo e carecem de investimento - ambos demoram a adaptar-se reciprocamente, mesmo que um dê apenas e o outro receba exclusivamente.
Uma submissa não é uma vítima e nao me sinto vítima, tive direito de opção e mantenho-a, fiel à minha integridade de quem se entrega, mesmo que nao seja pelos parâmetros tradicionais de uma linha mais puritana do BDSM.
Não há duas entregas iguais, dois Dominadores iguais, dois submissos iguais!
Não há uma escala para medir a interacção de duas pessoas numa relação que se rege por instinto a maior parte das vezes - de dar e de receber!
O meu Mestre não me pediu este texto, nem sabe que o estou a criar neste momento. Provavelmente nem se lembra que dia 21 eu desisti do direito de escolha, para ele e por ele. Não sei se o meu Mestre entende a extensão do que julgo dar-lhe, mas gostava que assim fosse, acreditando que o realizo como Dominador...
Eu sei o que ele me deu e dá, às vezes tira, mas a Vida e o BDSM andam de mãos dadas, e há circunstâncias que condicionam os resultados ou, pura e simplesmente, os atrasam ou fazem desaparecer.
Espero sinceramente realizar o meu Mestre!
Porque tudo o que fazemos na Vida é tentar...
Bom dia, Mestre!
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Obrigado a todos os que compareceram ao I Jantar de Natal Dominium...
Parece unânime que foi uma iniciativa bem conseguida e que valeu a pena - o Projecto Dominium agradece e promete novas surpresas que darão que falar...
BOAS FESTAS A TODOS OS COLABORADORES E SIMPATIZANTES DO PROJECTO DOMINIUM!!!!!!!!!!
Parece unânime que foi uma iniciativa bem conseguida e que valeu a pena - o Projecto Dominium agradece e promete novas surpresas que darão que falar...
BOAS FESTAS A TODOS OS COLABORADORES E SIMPATIZANTES DO PROJECTO DOMINIUM!!!!!!!!!!
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