sexta-feira, fevereiro 15, 2008

...Contos de S.Valentim...

Há um momento em que cheguei, e um momento em que fiquei.

Um momento de partir e não querer ir.

Há dias que passam e não se quer estar neles, há dias que ficam e não se quer que acabem, como a magia de um carrocel cheio de luzes, cor e movimento e som.

Há alegria em chegar, e tristeza em partir, o que é ridiculo, pois não se sente tristeza de coisas boas e não as perdi para tal sentir.

Na cabeça, a mala por fazer, a viagem por percorrer, a ausencia que se sente prematuramente, mas acima de tudo os momentos que se viveram, unicos e ricos, belos por serem o que foram e assim ficar. Se calhar melhores, pois o tempo e o recordar melhoram a beleza das coisas e atenuam arestas.

Quero deixar de mim tanto quanto possa e levar o mais que consiga, na minha bagagem de viajante.

Quero sentir o peso da tua alma leve, e o canto que dela sai, e se ela couber no meu saco, lá ficará, e, nos momentos de solidão e tristeza, abrir o fecho e espreitá-la, pegá-la nas mãos e senti-la.

Olhá-la e sorrir e afastar a tristeza assim...................................



Sim, as férias acabaram, e do receio da bondarina_MA de não me ter satisfeito, pensei e saiu o que acima escrevi.

Foram 15 dias quase em que me senti em familia, e a viver em familia. Com alguns percalços pelo meio, como a formatação deste PC, que me ia dando cabo da cabeça, e que se não fosse a ajuda paciente do Miguel, estaria na mesma. Pelo meio foram conversas com visitas e material adquirido, fotografias tiradas e jantares. Oxalá se repitam muitos mais, António e Sandra, bem como as conversas com o Pedro e a Nina ou com a Silvia e o Américo.

Mas mais que tudo isso, os passeios a pé, as brincadeiras com o cão da bondarina, as fotos tiradas, a ida a Fão, a Vila do Conde, as conversas e os silencios com a bondarina, os momento passados juntos.

De facto acabo as férias sem vontade de acabar, e com vontade de regressar tão cedo quanto possivel ao mundo que é meu tambem: a minha escrava é um mundo meu!

João De Aviz





Sofri recentemente uma operação rotineira à mão esquerda e nao está ainda a 100%... Receava não poder servir o meu Dono em matéria e substância, quer na lida da casa, quer no acto de submissão que lhe ofertei há mais de meio ano... Pelo meio, um esgotamento e comprimidos que me tornam instável na insegurança e tristeza que às vezes me assolam. Tinha muito medo que, a dois, em verdadeiro 24/7, isso estragasse as expectativas de ambos.

De tudo aconteceu um pouco, além de pormenores e inconvenientes inesperados que nos tiraram Tempo e, às vezes Vontade, mas não o resto - a consensualidade.

Mas se isso aconteceu e foi "prova superada", deve-se inteiramente à paciência interminável do meu Dono, à sua experiência de vida que os anos e cabelos brancos lhe deram - a postura e o estar e o saber de um verdadeiro cavalheiro/Dominador.

A ele, agradeço.

Hoje estou angustiada e há minutos chorava nos braços dele.

Disse-lhe: "É a primeirra vez que me vai custar imenso levá-lo ao comboio!" e é a pura verdade. Quando se deixa de estar só e se perde a liberdade, depois não se sabe como viver com ela pela trela. Eu não sei!

Tenho consciência que o meu Dono tem de seguir viagem e fazer a sua vida, mas com ele vai uma parte da minha, grande, que é dele e Ele!

O resto?

Momentos lindos e sorrisos e gargalhadas.

Mar e céu e sol.

Comida que nos toca o céu da boca - qualidade de vida e objectivos - a dois...

Valeu a pena!!!!

Tenho saudades do minuto que acabou de passar.

Eu fico aqui!

bondarina_MA

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

As árvores crescem para o sol!
Como as pessoas, com raízes bem fundas e a atirar os olhos para o céu!
A vida no seu ciclo!
O BDSM no seu melhor!
Mais uma ausência daqui, desta vez semi-voluntária - pois o meu Dono veio passar as suas férias junto de mim...
Com ou sem BDSM prático, continuamos a alicercar bases nesta casa construída a dois, alternando passeios e sol com reclusão mas, sempre com o Respeito que lhe devo e a submissão que lhe ofereci.
Mas nem sempre o processo é compulsivo - "se um não quer, dois não fazem!"
Um dia de cada vez, mas a sorrir e a ultrapassar obstáculos quando surgem, porque é assim mesmo que se estabelece comunicação.

Aos que querem saber - a minha mão esquerda está no bom caminho: os pontos já caíram e hoje tiro as ligaduras e começo a cicatrizar com creme e ar puro. Obrigada a quem se interessou e esteve presente das mais diversas formas!

Volto mal possa, mas até lá... sejam felizes, com ou sem BDSM, com ou sem sol - mas façam tudo o que puderem para tal!....

domingo, fevereiro 03, 2008


by Stefan Soel

"(...)
Não queria separar-se dela. Queria-a tanto mais quanto mais ela se entregasse. Dava-a, para logo a retomar, retomando-a enriquecida aos seus olhos, como um objecto comum que tivesse servido para uso divino e que, por isso, estivesse consagrado. Há muito que desejava prostituí-la e sentia com alegria que o prazer experimentado era maior do que nunca esperara, ligando-a ainda mais a ele na medida da sua humilhação e da sua mortificação. Ela não poderia, já que o amava, senão amar tudo aquilo que partia dele.
(...)"

"História D´O" - Pauline Réage
Edição Delfos /1972


Era uma vez... há seis meses atrás...