"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
quinta-feira, outubro 25, 2007
A Comunidade!
Na Revista Dominium nº 1 aparece um cartoon de uma boneca insuflável gorda e de mamas descaídas, cheia de barrigas, denominado "A Comunidade"!
Dei uma gargalhada quando o vi, mas na realidade o assunto é sério.
Há alguns anos que luto pelo conceito de Comunidade no que se refere aos praticantes de BDSM nacionais em interacção (ou não).
Sempre defendi que uma Comunidade é um conjunto de pessoas relacionadas ou vinculadas por uma mesma afinidade, sem caracter de obrigatoriedade ou de participação compulsiva, mas que partilham os mesmos desejos ou necessidades. Nada de Associações ou Clubes Privados - apenas e simplesmente uma Comunidade...
Muitos se riram de mim e outros tantos falaram nas costas contra a minha ideia de "unir a Comunidade!"; por motivos pessoais, no ultimo ano afastei-me das ondas néticas e perdi um pouco o rasto a uns e outros que, inflamados por auto-projecções interesseiras, apenas queriam "dividir para reinar!"
Surgiram Fóruns e contra-correntes e viraram-se amigos contra amigos por intrigas e suspeitas, porque de repente ninguém era de confiança; consequentemente, passou a haver menos BDSM "comunitário", eventos, festas privadas ou nao, e tudo o que meia duzia de pessoas tinham conseguido, com muito esforço pessoal, derrocou. No entanto, apenas aparentemente, pois a Comunidade continua a existir e a querer mostrar-se além das roupas negras de ocasião ou dos latexes coloridos. Há um lado mais calmo e mais sério da questão que continua a atirar sementes ao solo e a colher dividendos, apesar das fricções propositadamente geradas em Fóruns ou em determinados canais de IRC outrora frequentados por BDSMers, e agora palco de troca de anedotas juvenis...
Há um sentimento de casa abandonada, mas quem não acredita nisso, ignorou facções e grupos e continuou em linha recta a tratar e a lidar com BDSM com seriedade, longe de falsos palcos de meia dúzia de falsos "eleitos". Aliás, os nomes sonantes da praça desvaneceram-se gerando o mito de D.Sebastião e novos partos de nomes em nicks desconhecidos, continuando na sombra a maquinar (ou devo dizer envenenar?)...
Na mesma edição da Revista Dominium de Junho deste ano, aparece um artigo exclusivo intitulado "A Casa", onde em Lisboa, sob total anonimato, duas duzias de pessoas praticam BDSM de verdade sem alarido nem concorrência, num aproximado "Roissy" de "A História d´O". Na verdade, "os cães ladram, mas a caravana passa!" e se nos Fóruns os mais sóbrios se detiveram de postar e manifestar, nem sempre isso é sinal de cobardia, mas talvez de concordância que o descambe que alguns provocaram na Comunidade de BDSM Portuguesa apenas merece desprezo...
Afinal o silêncio é uma faca de dois gumes e, quem sabe, a nossa Comunidade nao esteja prestes a revelar-se uma borboleta que acabou o seu tempo de gestação na crisálida?
Eu acho que sim. Esperem e vejam!...
Dei uma gargalhada quando o vi, mas na realidade o assunto é sério.
Há alguns anos que luto pelo conceito de Comunidade no que se refere aos praticantes de BDSM nacionais em interacção (ou não).
Sempre defendi que uma Comunidade é um conjunto de pessoas relacionadas ou vinculadas por uma mesma afinidade, sem caracter de obrigatoriedade ou de participação compulsiva, mas que partilham os mesmos desejos ou necessidades. Nada de Associações ou Clubes Privados - apenas e simplesmente uma Comunidade...
Muitos se riram de mim e outros tantos falaram nas costas contra a minha ideia de "unir a Comunidade!"; por motivos pessoais, no ultimo ano afastei-me das ondas néticas e perdi um pouco o rasto a uns e outros que, inflamados por auto-projecções interesseiras, apenas queriam "dividir para reinar!"
Surgiram Fóruns e contra-correntes e viraram-se amigos contra amigos por intrigas e suspeitas, porque de repente ninguém era de confiança; consequentemente, passou a haver menos BDSM "comunitário", eventos, festas privadas ou nao, e tudo o que meia duzia de pessoas tinham conseguido, com muito esforço pessoal, derrocou. No entanto, apenas aparentemente, pois a Comunidade continua a existir e a querer mostrar-se além das roupas negras de ocasião ou dos latexes coloridos. Há um lado mais calmo e mais sério da questão que continua a atirar sementes ao solo e a colher dividendos, apesar das fricções propositadamente geradas em Fóruns ou em determinados canais de IRC outrora frequentados por BDSMers, e agora palco de troca de anedotas juvenis...
Há um sentimento de casa abandonada, mas quem não acredita nisso, ignorou facções e grupos e continuou em linha recta a tratar e a lidar com BDSM com seriedade, longe de falsos palcos de meia dúzia de falsos "eleitos". Aliás, os nomes sonantes da praça desvaneceram-se gerando o mito de D.Sebastião e novos partos de nomes em nicks desconhecidos, continuando na sombra a maquinar (ou devo dizer envenenar?)...
Na mesma edição da Revista Dominium de Junho deste ano, aparece um artigo exclusivo intitulado "A Casa", onde em Lisboa, sob total anonimato, duas duzias de pessoas praticam BDSM de verdade sem alarido nem concorrência, num aproximado "Roissy" de "A História d´O". Na verdade, "os cães ladram, mas a caravana passa!" e se nos Fóruns os mais sóbrios se detiveram de postar e manifestar, nem sempre isso é sinal de cobardia, mas talvez de concordância que o descambe que alguns provocaram na Comunidade de BDSM Portuguesa apenas merece desprezo...
Afinal o silêncio é uma faca de dois gumes e, quem sabe, a nossa Comunidade nao esteja prestes a revelar-se uma borboleta que acabou o seu tempo de gestação na crisálida?
Eu acho que sim. Esperem e vejam!...
quarta-feira, outubro 24, 2007
PAIN
"Joys impregnate
sorrows bring forth
Vertical ways of essence intertwine
the even path of bitterness
When perception deceives illusion
When perception deceives illusion
I sing my gentle song for Pain
The vertical prospect
The vertical prospect
becomes the seed of past
Illusion
incantation
devotion
A wordless song for the Pain I feel inside."
by CANAAN
segunda-feira, outubro 22, 2007
Polyamor
Para Miguel, I. e R.
"(...)
Esta sanduíche de sexo em camadas tornou-se a imagem da minha teoria final sobre nós os três. Eu e ele profundamente interligados, com ela como nossa parteira, nosso amortecedor, nossa catalizadora, nossa cola. Como Colette afirmou: Certas mulheres precisam de mulheres para preservar o seu gosto por homens. Ela aliviava-nos, separava-nos, e dispersava a estarrecedora intensidade que havia entre nós. Diminuía a terrível ansiedade do amor.
Vários meses mais tarde, ele anunciou que ia sair da cidade por questões de trabalho - ia estar fora durante meses, talvez para sempre. Combinámos um encontro, apressadamente. Depois de ele chegar, ela ligou a sugerir que começássemos sem ela, porque se ia atrasar. Bateu à porta assim que acabámos de foder. Fomos recebê-la nus, mas ela estava vestida de veludo vermelho e seda verde, com botões de rosa brancos frescos a decorar o cabelo, como Ofélia.
Disseram-me para ficar deitada e para me descontrair, enquanto eles se juntavam sobre a sua presa. Ele tinha os dedos no meu clítoris, na minha cona, no meu cu, enquanto ela se debruçava por cima de mim, macia, com o cabelo ruivo, sedoso espalhado por todo o lado, a sussurrar: Amo-te, amo-te, amo-te, amo-te...As ondas rebentaram e ele ainda continuou, e ela ainda sussurrou, acariciando o meu rosto: Amo-te, amo-te, amo-te... As ondas continuaram, vezes sem conta, com orgasmos tão doces a levar a outros menos doces mas mais intensos.
E depois aconteceu. Uma onda começou nos meus pés e nas minhas pernas, subiu pela minha barriga, pelo meu peito, pela minha garganta, e a minha alma explodiu pelo topo da minha cabeça. Foi a experiência de amor-prazer mais profunda que alguma vez tinha vivido - ou visto. Mais tarde ela explicou-me que o nome técnico era Kamikazi-Mega-Hiawatha.Parecia mesmo ser isso.
Depois ele partiu. Foi-se embora. Embora.
Eu e ela encontrámo-nos numa tarde de sol, abraçadas na cama dela, com os dedos a vaguear - mas eu tinha saudades dele. Doces irmãs sem uma pila entre elas."
in "Entrega - Memórias Eróticas"
Toni Bentley (2004)
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