sexta-feira, agosto 17, 2007

... stars...

Os corpos que se entrechocam como gotas de água
fundem-se
fazem sons
deslizam em silencio às vezes
gemem outras
contorcem-se e têm medo
presos pelo cordão umbilical
olhos
o beijo...

Ah, o beijo
ou a carícia terna das virgens
o látego nas costas
mas o vergão no coração
as mãos
as mamas
as mãos nas mamas!

Duas lâminas
aguçadas
afiadas
a raspar a superficie e a penetrar na carne
macia
mas rasgada
por dedos e unhas mal roídas de propósito
para que doa
para que valha a pena
para que se encontrem na mesma dor!

União - dois!
Pele...
Pés que adormecem juntos na mesma almofada...
Sonham o mesmo acordar.

A pele.
Apenas a pele...

BDSM PRECISA-SE!

Recentemente um Dominador disse-me:
"- Um Dominador pode ter interesse em ti, mas tens de te pôr a jeito. É assim que as coisas se passam!"
Tenho andado a ruminar essa ideia, porque faz sentido.
O pormo-nos "a jeito", nós, submissas e escravas, não é mais que sabermos que está na hora de nos entregarmos, será isso? Como quando nos vem a primeira menstruação e sabemos que jamais nada vai ser como antes...
Quando uma submissa se "põe a jeito" nao significa dar as costas, mas antes enfrentar que alguém a quer para o servir e agradar; para ser dele porque ele a quer, e ela... "se pôs a jeito"...
Já me pus de quatro várias vezes a enfrentar o Futuro, o que esperavam de mim - nem sempre valeu a pena, mas a verdade é que se eu não me pusesse em posição de ser adestrada, não tinha sabido nunca se o seria ou não...
Assim, "pôr-me a jeito" significa querer e saber que é apenas isso que importa, que estou pronta para ser aceite, que sei que chegou a hora, que é aquele o ponto de não-retorno!
Seria disso que o meu amigo Dominador falava...?
Julgo ter a certeza que sim!
Claro que não deixa de haver medos e receios e traumas e bloqueios que nem sempre nos deixam "por a jeito" na altura certa mas, mais tarde ou mais cedo, quem tem de se entregar, acaba por o fazer!
Mas acredito que os mesmos medos e receios e traumas e bloqueios possam também estar do outro lado - o Dominador espera que nos punhamos a jeito, mas ele é que tem de ter a certeza de o querer e dar o primeiro passo - quanta responsabilidade...
Confesso que ando a tentar fazer as pazes com os Doms em geral, porque as minhas experiências deixaram-me o mesmo travo da água tónica - um amargo-doce de que nem sempre se aprende a gostar... Reconcilio-me com os meus Dominadores, porque não há outro modo de uma submissa estar em paz consigo própria. BDSM é trabalho de equipa e só nomes e titulos dependendo de causa/efeito, acção/reacção...
Sou uma submissa que me dizem "mais goreana que os goreanos", mais freudiana que os freudianos e mais teimosa que uma mula, mas até para teimar são precisos dois....

BDSM precisa-se!
Porque "saudade é resto de amor que não deu certo!"
E saudade é número ímpar!

terça-feira, agosto 14, 2007


"Há pessoas que não têm nome e há outras que não precisam de nome.
Há gente que sonha e não vive e outra espécie de gente que vive para sonhar; também há gente que não se enquadra em nenhuma dessas categorias e a quem chamam inadaptados.
De vez em quando, muito raramente, há gente que procura gente com toda a força do verbo querer, e há outro género de gente que quer ser procurada. Os que não fazem nem sofrem uma das duas coisas, são os que morrem em vida e rastejam até ao fim, tapados por uma capa de muitas cores e nomes…
E ainda mais raramente, uns e outros encontram-se e a Terra gira como no romance de Hemingway, e é o prazer supremo, ou o Nirvana, ou qualquer outra porcaria que lhe queiram chamar. E entre nomes e definições, a verdade é que o Mundo continua a ser Mundo e as pessoas, pessoas; a verdade é que uns continuam a procurar e outros a ser procurados; a verdade é que alguns precisam de saber…"

"A Maçã de Eva"