"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
domingo, janeiro 21, 2007
O que escrevi antes é a resposta ao comment do post da Anais Nin!
Perguntam-me sobre libertação no BDSM...
Cada praticante de BDSM terá as suas razões inconscientes e subliminares para sentir a atracção do abismo da Dominação, submissão, Dor... Cada um falará por si. Eu falo por mim...
Quando o BDSM é um chamamento irrecusável e que nos dá comichão na palma das mãos e arrepios na coluna, sente-se a adrenalina do medo e pergunta-se: "Eu seria capaz...?"
Vai-se pensando e vendo fotos e filmes e marcas no corpo de outros que pensaram o mesmo, vê-se gente humilhada, cuspida, massacrada por impropérios e desprovida de dignidade, e pensa-se sempre o mesmo: "Eu seria capaz?..."
Depois, começa-se a tactear o próprio corpo à procura de outras vertigens, com imagens nos olhos e na cabeça, começa-se a beliscar mamilos e a ouvir palavrões ao ouvido. E sempre a pensar "Eu seria capaz...?"
Um dia, se tivermos sorte, alguém atento percebe que a virgindade corrompida do desejo baila no fundo das frases e dos olhares e que há um fruto maduro a colher.
Se tivermos azar, um/a qualquer idiota convencido/a que percebe de gente e de alma e de sentimentos, ataca em várias frentes e convence-nos que somos para usar e deitar fora - vítimas das circunstâncias, apenas.
Mas quando se sente o apelo de vôos ousados e de grilhetas a arrastar desde sempre, ainda que sem nome, seja de quem for que se aproxime com a mesma identidade, sente-se o cheiro no ar e as narinas dilatam. Reconhece-se um igual, um par, um companheiro de armas na mesma cruzada. Faz-se a corte e juntos procuram crescer nas mãos do outro. Começa o fogo de artifício do fazer e do sentir, e as entregas degladiam-se em jogo de titãs - jogo de tudo ou nada, dar ou receber, ficar ou partir.
Em mim, dentro da concha do que sinto, a libertação faz-se de dentro para dentro, e exuda-se em marés de contentamento calado mas reconhecido. Cresço de cada vez que sofro por Amor - não, não me enganei, Amor - o que faz qualquer entrega real e completamente altruísta até ao ponto de não-retorno.
É preciso ser muito livre e muito gente para decidir explorar o sentir de dores maiores e alegrias maiores às mãos de alguém; é preciso ser muito livre para se deixar aprisionar! Amar é prisão! Liberdade é prisão! Estar preso por amor é Liberdade!
Dei recentemente uma entrevista em que me perguntavam se algum dia deixaria de praticar BDSM, se sairía do seu plateau...
Respondi: "No dia em que me sentir violentada, salto fora...!"
Isso acontece no dia em que percebo que a libertação acabou, o amor acabou e já não sinto comichão na palma das mãos...
Perguntam-me sobre libertação no BDSM...
Cada praticante de BDSM terá as suas razões inconscientes e subliminares para sentir a atracção do abismo da Dominação, submissão, Dor... Cada um falará por si. Eu falo por mim...
Quando o BDSM é um chamamento irrecusável e que nos dá comichão na palma das mãos e arrepios na coluna, sente-se a adrenalina do medo e pergunta-se: "Eu seria capaz...?"
Vai-se pensando e vendo fotos e filmes e marcas no corpo de outros que pensaram o mesmo, vê-se gente humilhada, cuspida, massacrada por impropérios e desprovida de dignidade, e pensa-se sempre o mesmo: "Eu seria capaz?..."
Depois, começa-se a tactear o próprio corpo à procura de outras vertigens, com imagens nos olhos e na cabeça, começa-se a beliscar mamilos e a ouvir palavrões ao ouvido. E sempre a pensar "Eu seria capaz...?"
Um dia, se tivermos sorte, alguém atento percebe que a virgindade corrompida do desejo baila no fundo das frases e dos olhares e que há um fruto maduro a colher.
Se tivermos azar, um/a qualquer idiota convencido/a que percebe de gente e de alma e de sentimentos, ataca em várias frentes e convence-nos que somos para usar e deitar fora - vítimas das circunstâncias, apenas.
Mas quando se sente o apelo de vôos ousados e de grilhetas a arrastar desde sempre, ainda que sem nome, seja de quem for que se aproxime com a mesma identidade, sente-se o cheiro no ar e as narinas dilatam. Reconhece-se um igual, um par, um companheiro de armas na mesma cruzada. Faz-se a corte e juntos procuram crescer nas mãos do outro. Começa o fogo de artifício do fazer e do sentir, e as entregas degladiam-se em jogo de titãs - jogo de tudo ou nada, dar ou receber, ficar ou partir.
Em mim, dentro da concha do que sinto, a libertação faz-se de dentro para dentro, e exuda-se em marés de contentamento calado mas reconhecido. Cresço de cada vez que sofro por Amor - não, não me enganei, Amor - o que faz qualquer entrega real e completamente altruísta até ao ponto de não-retorno.
É preciso ser muito livre e muito gente para decidir explorar o sentir de dores maiores e alegrias maiores às mãos de alguém; é preciso ser muito livre para se deixar aprisionar! Amar é prisão! Liberdade é prisão! Estar preso por amor é Liberdade!
Dei recentemente uma entrevista em que me perguntavam se algum dia deixaria de praticar BDSM, se sairía do seu plateau...
Respondi: "No dia em que me sentir violentada, salto fora...!"
Isso acontece no dia em que percebo que a libertação acabou, o amor acabou e já não sinto comichão na palma das mãos...

As dores do parto do nado-morto que se escondeu na memória, as grilhetas da saudade e do adeus - a vida que escorre dos olhos tristes da prisioneira da vontade, a libertação que se solta em cada nó. Silêncio, tanto silêncio. Chove dentro e fora do corpo. Raiva muda e cega e surda que escorre por amor. A dor!
Homenagem a Mário de Sá-Carneiro / A Dor Que Cai dos Olhos
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém......
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Fim
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
terça-feira, janeiro 16, 2007
"I do not want to be the leader. I refuse to be the
leader. I want to live darkly
and richly in my femaleness. I want a man
lying over me, always over me. His
will, his pleasure, his desire, his life, his work, his sexuality the
touchstone, the command, my pivot. I don't mind working, holding my ground intellectually, artistically; but as a woman, oh, God, as a woman I want to be dominated. I don't mind being told to stand on my own feet, not to cling all that I am capable of doing but I am going to be pursued, fucked,
possessed by
the will of a male at his time, his bidding."
Anais Nin
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