"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
segunda-feira, janeiro 15, 2007
EXPOSTA!!!!!!!!!!!
Começo por pedir desculpa pela ausência, mas à medida que os anos passam, os dias parecem ficar mais curtos e mais preenchidos por mil e uma coisas...
Comigo, muita coisa tem acontecido e pouco tempo resta para o que muitas vezes acaba por ser o mais importante - partilhar!
Quem vem a este blog há anos sabe que acredito na partilha e que sempre tentei manter um fio condutor coerente, o que volta a acontecer agora.
Vou partilhar um momento especial na minha vida de submissa com Dono...
Tive uma Passagem de Ano diferente e especial.
Noutras, assisti a práticas BDSM "públicas" (em círculo de amigos); nesta, estive no centro do círculo, a servir orgulhosamente o meu Mestre.
Confesso que receei durante anos este momento, porque nao é do meu feitio ser exposta publicamente em BDSM, mas tenho de admitir que sempre desejei ultrapassar essa fronteira entre a timidez e o medo de ser olhada pelos presentes - coisa minha desde criança...
Mas também soube sempre que mais que o "medo" é a ideia do medo que nos apresenta os fantasmas pela mão e nos faz tremer, e também sempre tive consciência que algué,m um dia, ao apresentar-me o facto e não a teoria, conseguiria desinibir-me...
E aconteceu, e foi simplesmente fantástico e não tive qualquer medo ou receio ou pudor, porque no momento estive apenas com o meu Mestre, em entrega dirigida e consentida.
Se alguém pensa que é possível descrever o que sente uma submissa ao ser o alvo das atenções "públicas" porque nas maos do seu Mestre, desengane-se; é algo forte, íntimo, pessoal e indescrítivel - é quase ser "heroína" num momento referenciado no Tempo. Ser tornada especial ao dar tudo ao Mestre, fazendo-o especial nessa entrega...
Deixamos de ser "two lost souls swiming in a fish bowl" (Pink Floyd) e tudo passa a fazer sentido - aquelas pessoas, aquele momento, aquele espaço, aquela janela na vida - um "instantaneo"da alma, ou das almas, porque somos dois a dar e a receber...
De dentro da minha jaula de devoção, levantava os olhos devagar, a subir, na direcção do Mestre...
Não estava sózinha, mas encontrava-me na espiral de duas entregas, animal enjaulado na minha escolha primeira...
Pela trela, em silêncio, sem estretor nem pensamentos, levitei de dentro de mim até às mãos confortadoras do Mestre, e deixei-me ir. Cresci, a imaginar como a plateia nos olhava enquanto Mestre e marioneta, pois os olhos estavam cegos pela vontade do Mestre...
Confiei nele, sem uma palavra antes, que indiciasse que me mostraria exposta aos olhos famintos de uma inveja saudavel...
Fiquei amarrada ao desejo do Mestre e a outro submisso pela mao da sua Senhora, e só ouvia o bater do coração dele no peito, que ecoava das batidas do meu...
No fim, mais crescida, mais exposta e mais submissa, o Mestre fez-me ajoelhar a seus pés, pela trela, e acariciava-me a cabeça, cansado mas firme. E eu fiquei ali nos seus joelhos, entregue, feliz e a sentir-me mais sua como nunca antes!
BDSM é isto - adultos a crescer na palma das mãos, em silencio...
Comigo, muita coisa tem acontecido e pouco tempo resta para o que muitas vezes acaba por ser o mais importante - partilhar!
Quem vem a este blog há anos sabe que acredito na partilha e que sempre tentei manter um fio condutor coerente, o que volta a acontecer agora.
Vou partilhar um momento especial na minha vida de submissa com Dono...
Tive uma Passagem de Ano diferente e especial.
Noutras, assisti a práticas BDSM "públicas" (em círculo de amigos); nesta, estive no centro do círculo, a servir orgulhosamente o meu Mestre.
Confesso que receei durante anos este momento, porque nao é do meu feitio ser exposta publicamente em BDSM, mas tenho de admitir que sempre desejei ultrapassar essa fronteira entre a timidez e o medo de ser olhada pelos presentes - coisa minha desde criança...
Mas também soube sempre que mais que o "medo" é a ideia do medo que nos apresenta os fantasmas pela mão e nos faz tremer, e também sempre tive consciência que algué,m um dia, ao apresentar-me o facto e não a teoria, conseguiria desinibir-me...
E aconteceu, e foi simplesmente fantástico e não tive qualquer medo ou receio ou pudor, porque no momento estive apenas com o meu Mestre, em entrega dirigida e consentida.
Se alguém pensa que é possível descrever o que sente uma submissa ao ser o alvo das atenções "públicas" porque nas maos do seu Mestre, desengane-se; é algo forte, íntimo, pessoal e indescrítivel - é quase ser "heroína" num momento referenciado no Tempo. Ser tornada especial ao dar tudo ao Mestre, fazendo-o especial nessa entrega...
Deixamos de ser "two lost souls swiming in a fish bowl" (Pink Floyd) e tudo passa a fazer sentido - aquelas pessoas, aquele momento, aquele espaço, aquela janela na vida - um "instantaneo"da alma, ou das almas, porque somos dois a dar e a receber...
De dentro da minha jaula de devoção, levantava os olhos devagar, a subir, na direcção do Mestre...
Não estava sózinha, mas encontrava-me na espiral de duas entregas, animal enjaulado na minha escolha primeira...
Pela trela, em silêncio, sem estretor nem pensamentos, levitei de dentro de mim até às mãos confortadoras do Mestre, e deixei-me ir. Cresci, a imaginar como a plateia nos olhava enquanto Mestre e marioneta, pois os olhos estavam cegos pela vontade do Mestre...
Confiei nele, sem uma palavra antes, que indiciasse que me mostraria exposta aos olhos famintos de uma inveja saudavel...
Fiquei amarrada ao desejo do Mestre e a outro submisso pela mao da sua Senhora, e só ouvia o bater do coração dele no peito, que ecoava das batidas do meu...
No fim, mais crescida, mais exposta e mais submissa, o Mestre fez-me ajoelhar a seus pés, pela trela, e acariciava-me a cabeça, cansado mas firme. E eu fiquei ali nos seus joelhos, entregue, feliz e a sentir-me mais sua como nunca antes!
BDSM é isto - adultos a crescer na palma das mãos, em silencio...
terça-feira, dezembro 26, 2006
OPEN YOUR EYES
"All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old
The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
Cos I need you to look into mine
Tell me that you'll open your eyes [x4]
Get up, get out, get away from these liars
Cos they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time
Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
Cos I need you to look into mine
Tell me that you'll open your eyes [x8]
All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you"
by SNOW PATROL
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Finalmente voltei à piscina depois de mais de um ano de preguiça...
Hoje acordei triste e apeteceu-me ir à piscina!
A água é o meu elemento - liberta-me, solta-me, faz-me deixar ir!
Acho que a meio da vida toda a gente ganha o direito, imposto, aos seus fantasmas, e que estas quadras festivas fazem regressar os esqueletos a arrastar as correntes.
Geralmente releio "Um Conto de Natal", de Dickens, nesta altura e comovo-me sempre, embora os olhos e a alma que o absorvem nao sejam os mesmos, de ano para ano... A cada segundo que passa, somos novas pessoas - com outros olhos e outras almas, com outras sensações na palma das mãos e na ponta dos dedos. Somos mutantes, na verdade e isso é que é crescer, amadurecer e envelhecer. Não o envelhecimento negativo, mas o mudar de idade e de pele todos os dias, que assusta mais pelo que sentimos de novo do que pela decadência fisica, julgo eu.
Sinto-me todos os dias assustada com o que sinto de novo. Porque todos temos medo do desconhecido e porque todos temos a pretensão de nos conhecermos a nós próprios melhor do que ninguém, o que é uma redonda mentira... Passamos a vida toda a não saber quem somos, onde pertencemos, onde devíamos estar, o que devíamos fazer... o que sentir!
Acordei hoje sem saber o que sinto!
Sonhei com um homem vestido de mulher e de strapon erecto e acordei estremunhada. Senti-me estremunhada e estou triste porque nao sei o que sinto.
O que sonhei relacionou-se com uma conversa sobre BDSM que tive de madrugada, sei-o bem; entre amigos, várias teorias e várias conclusões sobre factos de BDSM. Mas podia ser sobre outra temática qualquer.
Questionava-se se, quando por definição um submisso se deve abnegar de si para realizar o seu Dominador, se esse submisso não conseguir, por exemplo, deixar de se apaixonar por quem idolatra e a quem serve, deixa de ser submisso... Tendo em conta que, também por definição, uma relação D/s "eficaz" implica um Dominador que consegue isolar os sentimentos para com o objecto da sua Dominação, fria e calculista, abrindo caminho ao seu instinto primário e egoísta.
Nessas premissas, se um submisso - "contra toda a ordem natural das coisas" - se apaixonar pelo seu Dominador, revela não ser submisso? E se for ao contrário? Se um Dominador nao conseguir deixar de se apaixonar por um submisso, também perde o seu estatuto? Tudo isto na linha de raciocínio que diz que, quando apaixonados, nos amolecemos por dentro e por fora e só queremos ser "o tal" para o outro...
Mas levantamos mais questoes, práticas, sobre sessoes que incluam um "sub descartavel" por exemplo - um casal D/s que inclui um submisso de ocasião para uma cena de momento apenas. Defendo que o/a Dom/Domme devem começar por criar igualdade de circunstancias a ambos os subs, independentemente do seu lugar relativamente ao Dom, para evitar a "competição".
O sub "da casa" e o "sub de visita" quando a competir apenas conseguem representar uma situação ideal, mas será que a sentem, se não lhes for instintivo?
Um Dom quer uma situação "representada" em BDSM, ou não procuramos todos a libertação dos sentidos e a liberdade de sentir num esforço de equipa?
Sempre e eternamente... o sentir!
Falo desta mutação diária, deste não conseguir deixar de pensar e questionar, desta incrível falta de leveza no ser que não nos deixa levantar voo, arrastados às tais correntes que nos fazem ter os pés na Terra.
Debaixo de água, a deslizar de olhos abertos, não sinto as correntes nem Dickens nada comigo - nao há som e não há pressa, há paz!
O regresso à barriga da mãe, quando tudo era simples...
Esta certeza do calor bom da massa tépida da placenta que sinto debaixo de água.
Esse chegar sem partir! Esse azul que faz descansar os olhos, esse branco da água a embater nos cílios, esse momento em que só lá estamos nós, o silêncio e o afago nas costas do líquido que nos diz para ficar lá...
Hoje não sei o que sinto!
Hoje acordei triste e apeteceu-me ir à piscina!
A água é o meu elemento - liberta-me, solta-me, faz-me deixar ir!
Acho que a meio da vida toda a gente ganha o direito, imposto, aos seus fantasmas, e que estas quadras festivas fazem regressar os esqueletos a arrastar as correntes.
Geralmente releio "Um Conto de Natal", de Dickens, nesta altura e comovo-me sempre, embora os olhos e a alma que o absorvem nao sejam os mesmos, de ano para ano... A cada segundo que passa, somos novas pessoas - com outros olhos e outras almas, com outras sensações na palma das mãos e na ponta dos dedos. Somos mutantes, na verdade e isso é que é crescer, amadurecer e envelhecer. Não o envelhecimento negativo, mas o mudar de idade e de pele todos os dias, que assusta mais pelo que sentimos de novo do que pela decadência fisica, julgo eu.
Sinto-me todos os dias assustada com o que sinto de novo. Porque todos temos medo do desconhecido e porque todos temos a pretensão de nos conhecermos a nós próprios melhor do que ninguém, o que é uma redonda mentira... Passamos a vida toda a não saber quem somos, onde pertencemos, onde devíamos estar, o que devíamos fazer... o que sentir!
Acordei hoje sem saber o que sinto!
Sonhei com um homem vestido de mulher e de strapon erecto e acordei estremunhada. Senti-me estremunhada e estou triste porque nao sei o que sinto.
O que sonhei relacionou-se com uma conversa sobre BDSM que tive de madrugada, sei-o bem; entre amigos, várias teorias e várias conclusões sobre factos de BDSM. Mas podia ser sobre outra temática qualquer.
Questionava-se se, quando por definição um submisso se deve abnegar de si para realizar o seu Dominador, se esse submisso não conseguir, por exemplo, deixar de se apaixonar por quem idolatra e a quem serve, deixa de ser submisso... Tendo em conta que, também por definição, uma relação D/s "eficaz" implica um Dominador que consegue isolar os sentimentos para com o objecto da sua Dominação, fria e calculista, abrindo caminho ao seu instinto primário e egoísta.
Nessas premissas, se um submisso - "contra toda a ordem natural das coisas" - se apaixonar pelo seu Dominador, revela não ser submisso? E se for ao contrário? Se um Dominador nao conseguir deixar de se apaixonar por um submisso, também perde o seu estatuto? Tudo isto na linha de raciocínio que diz que, quando apaixonados, nos amolecemos por dentro e por fora e só queremos ser "o tal" para o outro...
Mas levantamos mais questoes, práticas, sobre sessoes que incluam um "sub descartavel" por exemplo - um casal D/s que inclui um submisso de ocasião para uma cena de momento apenas. Defendo que o/a Dom/Domme devem começar por criar igualdade de circunstancias a ambos os subs, independentemente do seu lugar relativamente ao Dom, para evitar a "competição".
O sub "da casa" e o "sub de visita" quando a competir apenas conseguem representar uma situação ideal, mas será que a sentem, se não lhes for instintivo?
Um Dom quer uma situação "representada" em BDSM, ou não procuramos todos a libertação dos sentidos e a liberdade de sentir num esforço de equipa?
Sempre e eternamente... o sentir!
Falo desta mutação diária, deste não conseguir deixar de pensar e questionar, desta incrível falta de leveza no ser que não nos deixa levantar voo, arrastados às tais correntes que nos fazem ter os pés na Terra.
Debaixo de água, a deslizar de olhos abertos, não sinto as correntes nem Dickens nada comigo - nao há som e não há pressa, há paz!
O regresso à barriga da mãe, quando tudo era simples...
Esta certeza do calor bom da massa tépida da placenta que sinto debaixo de água.
Esse chegar sem partir! Esse azul que faz descansar os olhos, esse branco da água a embater nos cílios, esse momento em que só lá estamos nós, o silêncio e o afago nas costas do líquido que nos diz para ficar lá...
Hoje não sei o que sinto!
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