sábado, março 11, 2006

O amor é um sonho de dois sentidos...

BACHELORETTE
I´m a fountain of blood (my love)
in the shape of a girl
you´re bird on the brim (my love)
hypnotized by the whirl
drink me - make me real (my love)
wet your beak in the stream
the game we´re playing is life (my love)
love is a two way dream
leave me now - return tonight
the tide will show you the way
forget my name go astray
killer whale trapped in a bay
(the ocean miles away)
I´m a path of cinders (my love)
burning under your feet
you´re the one who walks me (my love)
I´m your one way street
I´m a tree that grows hearts (my love)
one for each that you take
you´re the ground I feed on (my love)
we´re circle no one can break
leave me now - return tonight
the tide will show you the way
forget my name go astray
killer whale trapped in a bay
(the ocean miles away)
I´m a whisper in water (my love)
a secret for you to hear
you are the one who grows distant (my love)
when I beckon you near
Life is a necklace of fears (my love)
your uncried tears on a string
our love will untie them - come here (my love)
loving me is the easiest thing
Björk - "Homogenic" (1997)
Para um amigo especial que também tentarei não deixar cair!

quarta-feira, março 08, 2006

"PÃO & ROSAS"

"O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher
Neste dia do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objectivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.
Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, assim como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.
Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem a essas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher"."

8 de Março - Dia Mundial da Mulher

Todos os dias são dias da Mulher.
Todas as Mulheres são donas dos dias.
As Mulheres fazem os dias ser de todos.
Há Mulheres que são tudo.
E há outras Mulheres que também o são.
E há outras Mulheres que não o sabem.
Mulheres são quem abre a mão e pede ajuda.
Quem dá a ajuda que se pede são as Mulheres.
Mulher é um universo paralelo.
Um Homem é igual a uma Mulher, mas ao contrário...
Somos todos Homens e Mulheres.
Todos os dias um pouco.
Mundiais ou não.
Gente!

ML

SONETO LVII - William Shakespeare

"Sendo Seu escravo que poderia eu fazer a não ser curvar-me, entre as horas e os momentos do Seu desejo? Eu não tenho um tempo precioso a gastar, nem serviços a fazer até que a Senhora mande. Nem ouso reclamar da interminável espera, enquanto eu, minha Soberana, olho o relógio por Si. Nem penso no amargor da Sua ausência. Quando disseste ao Teu servo para sempre adeus, nem ouso indagar com meus pensamentos enciumados onde pode estar, ou seus assuntos supor. Mas como um triste escravo, espero e nada penso. Fique onde está, faça outros tão felizes quanto me fizeste a mim... Bem verdade é que o Amor é um tolo que, sob a Sua vontade, embora faça de tudo para mostrá-lo, não vislumbra o Mal."

...UMA FANTASIA EM DUAS PARTES...

“Estou deitada na cama e olho o tecto.
O Meu Dono acaba de me atar as pernas abertas ao fundo da cama; tenho os pulsos amarrados à coleira bem apertada, por argolas e presilhas. Uma corda força o pescoço a não se afastar da cama. Estou nua e completamente exposta. O silêncio é amigo…
Fito o tecto e não penso sequer.
O Meu Dono surge dos pés da cama com uma placidez que intimida, e coloca-se do lado direito do leito, olhando-me, sem falar. Uma pausa, em que continuo submissamente a respeitar o Seu silêncio, imobilizada, exposta e Sua!
- Hoje vais-Me servir como nunca o fizeste antes…
Vamos ter visitas e quero que sirvas dois Dominadores meus amigos como se me servisses a mim. Não lhes chamarás Dono mas sim Meu Senhor, e obedecerás como se Me servisses…
Eles sabem os meus limites no que te toca e sabem o que não quero que façam e vão-me respeitar; tenho completa confiança neles.
Eu continuava a fitar o tecto e senti-me importante; o meu Dono confiava em mim para não lhe falhar, e cabia-me estar à altura.
Tínhamos uma relação sólida sem violência gratuita mas na base do castigo/recompensa, em que ele era justo e gratificante; com disciplina eu tinha já ultrapassado muitos limites que pensava ter e o Meu Dono sentia-se contente com a minha servidão. Sem grande alarde, tínhamos uma relação sólida e equilibrada de Dono/escrava. Confiava inteiramente Nele e entregava-me por inteiro e ele mantinha exclusividade comigo, excepto quando decidia em contrário, raramente, mas informando-me sempre. Nem sempre fora uma relação nestes parâmetros, mas gradativamente conseguimos construir um duo de cumplicidade e obediência. Éramos ambos felizes no BDSM, e não hesito em dizê-lo.
O Meu Dono silenciou-se e continuou enorme, de pé, a olhar-me, indefesa e entregue aos Seus desejos…
Fez-me uma carícia na teta direita, com carinho, brincando com o mamilo, não me causando dor. Olhei-o e percebi que ele estava simultaneamente contente mas também apreensivo, como se lhe fosse penoso aquele teste. Pensei se não lhe seria mais a ele do que a mim…
- Estarei na sala com as suas escravas, ainda não decidi se virei assistir ou não, não houve condição imposta de parte a parte nesse sentido. Eles trazem as suas escravas – uma é já escrava há muito tempo de um dos Doms, a outra foi iniciada recentemente. Posso usá-las se me apetecer, decidirei na hora! Se precisares de mim em caso extremo, estarei na sala, mas acredito que não será preciso. Entrego-te nas mãos deles em plena consciência, certo que te respeitarão enquanto Minha e Minha escrava.
Voltou a olhar-me em silêncio, afagando-me o rosto como se fosse uma despedida. Eu mantinha os olhos no tecto e o Meu Dono desviou-me o rosto na sua direcção, docemente.
- Estás contente por Me servires hoje?
- O meu prazer é o Seu prazer, Meu Dono.
Disse-o de alma cheia e crente no que sentia – um contentamento cheio de leveza.
- O que és tu?
- Sua, Meu Dono, a Sua cadela que Lhe obedece, o Seu objecto que Lhe dá prazer.
- Que és tu, Minha cadela?
- A Sua escrava para O servir, Meu Dono.
As palavras saíam confidentes e seguras, livres na servidão voluntária.
- Estás feliz por ser Minha, Minha escrava?
- Sou feliz em O fazer feliz, Meu Dono.
- Que és tu?
- A Sua escrava para o servir, Meu Dono.
- Que és tu, submissa?
- A Sua escrava para O servir, Meu Dono.
Senti que o Meu Dono me tinha em pleno, porque se me dava em pleno também. A fantasia era real, eu era Dele e bastava-me isso. Servi-Lo com gratidão e esperar a recompensa no afago que agora me fazia no mamilo esquerdo, torcendo-o e olhando-me nos olhos sempre.
Depois levantou-se, enorme.
- Só te vens em orgasmo com consentimento dos Senhores, entendido? A última semana de cinto de castidade não foi à toa, escrava. – O Meu Dono sorriu com inocência maléfica. Eu sorri por dentro; o Meu Dono conhecia-me bem… e isso dava-me paz, a paz dos escravos, dos submissos, dos que servem.
- Sim, Meu Dono!
Ele levantou-se e caminhou na direcção da porta, tapando-me antes apenas com um lençol. Ficou acesa só uma luz de presença no quarto, difusa, relaxante. Ouvi a porta fechar-se e suspirei. Pensei em tudo e mantive-me serena, mas tentei aliviar a posição dos pulsos nas algemas da coleira. A corda no pescoço não me deixava um centímetro de margem para me mover acima do tronco. As pernas abertas faziam o sexo latejar. Tentei não pensar no que se seguiria, sabia que estava segura, com o Meu Dono na sala…
Passou-se muito tempo, talvez mais de uma hora, e em completo silêncio e quase escuridão, jazi, tranquila mas desejando que tudo acabasse depressa e o Meu Dono me afagasse a Seus pés. Era esse o momento em que a reconciliação com o equilíbrio acontecia, em que o Céu e a Terra voltavam ao lugar!
Ouvi a campainha da porta soar.
Reconstituí mentalmente os passos do Meu Dono em direcção ao hall de entrada, os cumprimentos cerimoniosos aos Doms amigos, a exposição das escravas pela nudez, coleiras e posição de quatro. O ritual da submissão à porta do Mundo, da entrega no servir.
Imaginei tudo sem saber o que acontecia.
Ouvi vozes na direcção da sala e depois a porta do frigorífico na cozinha, gelo nos copos – a hora dos whiskies.
Mas o som das pedras de gelo aproximou-se mais e a porta abriu-se, dando passagem ao Meu Dono com um whisky generoso na mão direita.
Ficou do lado esquerdo da cama, a olhar-me.
Depois, sem falar, destapou-me atirando o lençol para os pés do leito. Ficou a olhar-me, Dele… Eu senti apenas, sem pensar. Calmamente. Em paz… Não O iria desiludir.
- O que és tu, submissa?
- O Seu objecto de prazer, Meu Dono.
- Que és tu, escrava?
- A Sua cadela para O servir e Lhe dar prazer, Meu Dono.
- Que és tu, cadela?
- A Sua escrava, Meu Dono.
- Não te esqueças disso!
Encostou-me as costas da mão direita aos lábios e esperou que a beijasse. Assim fiz, com solenidade.
A escrava prestava tributo ao Seu Dono.
Ele saiu em silêncio.
Passou-se algum tempo em que só ouvi correntes a arrastar na sala e a dança dos cubos de gelo nos copos. Sabia que nenhum dos outros Senhores teria a mesma relação com as suas escravas como o Meu Dono tinha comigo - plena de dedicação mútua e num trabalho de equipa que nos tornava a ambos maiores e menores, dignos e serventes, justos e obedientes, a minha alma à imagem da Sua.
De repente a porta do quarto abriu-se e eu inspirei fundo.
Dois Dominadores rodearam a cama e apresentaram-se como DomX e DomY, avisando que os devia tratar por Meu Senhor, já que o Meu Dono não eram eles nem pretendiam ser. Que só me iriam usar!
Então…”