"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
domingo, dezembro 25, 2005
Uma reza!
Caiu o último floco de neve amarela.
Caiu a folha do calendário com ela...
O anjo vadio que se deitou com o sol, bateu a porta e atirou-se para a cama vazia.
As luzes piscam ainda, rendidas à sua inércia de condenadas... como uma gaguez para os olhos.
Cães enregelados saiem de debaixo dos carros.
Pessoas de gelo debaixo de cartões de caixas de compras levantam-se com os ossos a estalar e a alma morta...
O mar é o mesmo.
Dominador e belo e rude e mau e suave e feito das lágrimas do céu.
A água de que somos feitos, cheia de seiva azul às vezes verde...
Mar e uma sereia que se espraia nele, violada.
A areia, a submissa.
Sempre ali, sempre pronta, disponível, sem opção.
Batida pelo mar que não a quer mas nao a deixa ser de mais ninguem.
A água e os graos de areia quente, gelada, amiga, amada.
Os caes que passeiam na beira da praia, sem destino, que estao apenas e assim fazem o Mundo.
A gente de coração sem alma que apenas está e assim muda o Mundo.
Não há sol hoje aqui.
Uma certa nostalgia invade o ar numa Terra decrépita
povoada por gente que não é feliz.
Somos nós!
Gente que viaja mas nao chega, nao aporta em lugar algum, nao quer, nao pode, recusa...
O mar e a areia a chamarem-me.
Eu na minha varanda a ver o Mundo acordar.
Tenho fome.
Aqui está um silêncio de tumba e arrepio-me.
Não há sol e arrepio-me.
Estou descalça e arrepio-me.
Estou sozinha e arrepio-me.
A pele arrepia-se sozinha!
Tenho muita fome...
Tenho os olhos esfomeados, mas não há sol nem vida para lá deste meu mundo seguro.
Só os caes vagueiam...
e a minha alma de areia embalada pelo mar.
Molho os olhos no abismo da varanda, no limite.
Não estou triste nem contente e isso chateia-me deveras.
Continuo com fome.
Maos, corpo, alma e sol com fome.
A alma vagueia livre!
"Como não sei rezar, só queria mostrar o meu olhar!"
Caiu a folha do calendário com ela...
O anjo vadio que se deitou com o sol, bateu a porta e atirou-se para a cama vazia.
As luzes piscam ainda, rendidas à sua inércia de condenadas... como uma gaguez para os olhos.
Cães enregelados saiem de debaixo dos carros.
Pessoas de gelo debaixo de cartões de caixas de compras levantam-se com os ossos a estalar e a alma morta...
O mar é o mesmo.
Dominador e belo e rude e mau e suave e feito das lágrimas do céu.
A água de que somos feitos, cheia de seiva azul às vezes verde...
Mar e uma sereia que se espraia nele, violada.
A areia, a submissa.
Sempre ali, sempre pronta, disponível, sem opção.
Batida pelo mar que não a quer mas nao a deixa ser de mais ninguem.
A água e os graos de areia quente, gelada, amiga, amada.
Os caes que passeiam na beira da praia, sem destino, que estao apenas e assim fazem o Mundo.
A gente de coração sem alma que apenas está e assim muda o Mundo.
Não há sol hoje aqui.
Uma certa nostalgia invade o ar numa Terra decrépita
povoada por gente que não é feliz.
Somos nós!
Gente que viaja mas nao chega, nao aporta em lugar algum, nao quer, nao pode, recusa...
O mar e a areia a chamarem-me.
Eu na minha varanda a ver o Mundo acordar.
Tenho fome.
Aqui está um silêncio de tumba e arrepio-me.
Não há sol e arrepio-me.
Estou descalça e arrepio-me.
Estou sozinha e arrepio-me.
A pele arrepia-se sozinha!
Tenho muita fome...
Tenho os olhos esfomeados, mas não há sol nem vida para lá deste meu mundo seguro.
Só os caes vagueiam...
e a minha alma de areia embalada pelo mar.
Molho os olhos no abismo da varanda, no limite.
Não estou triste nem contente e isso chateia-me deveras.
Continuo com fome.
Maos, corpo, alma e sol com fome.
A alma vagueia livre!
"Como não sei rezar, só queria mostrar o meu olhar!"
sexta-feira, dezembro 23, 2005
AGRADEÇO A TODOS QUANTOS ME DESEJARAM BOAS FESTAS E BOM ANO 2006, NÃO SÓ AQUI NO BLOG COMO POR E-MAIL, ETC..
NESTAS OCASIÕES É QUE SE VÊ QUE VALE A PENA TER AMIGOS - SEMPRE!
COM OU SEM BDSM, A COMUNICAÇÃO É QUE LIGA AS PESSOAS E QUALQUER MOTIVO É VÁLIDO PARA CONTINUAR A FAZÊ-LO!!!!!!!
COM AFINIDADE É AINDA MAIS PRAZENTEIRO, E NA PRÁTICA DA MESMA ENTÃO... UI UI!!!! LOL
LAMBUZEM-SE DE DOCES E DEÊM MUITAS PRENDAS, PORQUE...
"SE DEREM O QUE MAIS AMAM, RECEBÊ-LO-ÃO DE VOLTA"!!!
PS: Sejam felizes sff...
NESTAS OCASIÕES É QUE SE VÊ QUE VALE A PENA TER AMIGOS - SEMPRE!
COM OU SEM BDSM, A COMUNICAÇÃO É QUE LIGA AS PESSOAS E QUALQUER MOTIVO É VÁLIDO PARA CONTINUAR A FAZÊ-LO!!!!!!!
COM AFINIDADE É AINDA MAIS PRAZENTEIRO, E NA PRÁTICA DA MESMA ENTÃO... UI UI!!!! LOL
LAMBUZEM-SE DE DOCES E DEÊM MUITAS PRENDAS, PORQUE...
"SE DEREM O QUE MAIS AMAM, RECEBÊ-LO-ÃO DE VOLTA"!!!
PS: Sejam felizes sff...
terça-feira, dezembro 20, 2005
Natal é a luz que brilha nos olhos da submissa!
Natal é a chibata nova na mão do Dono ou Dominador...
Natal é esperar ansioso que o dia da sessão chegue de novo!
Natal é sentir que se está em paz com o Mundo...
Em paz connosco, porque sabemos perdoar e não odiar!
Natal é a entrega que só uma criança faz, inocente.
Natal é ser grande por dentro e dar-se por fora.
Natal é a troca de poderes ainda que sem laço.
BDSM pode ser Natal todos os dias, desde que a estrela esteja no centro dos olhos!
Feliz Natal a todos e um Ano cheio de BDSM com Verdade.....
terça-feira, dezembro 13, 2005
"A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que que existe o que não existe,
sabe como é que as cousas existem, que é que existem,
sabe que existir existe e não se explica,
sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
sabe que ser é estar em um ponto.
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer."
Alberto Caeiro (Pessoa: 1888/1935)
Poesia
terça-feira, dezembro 06, 2005
Un je ne sais quoi...
O Dono tinha-a mandado entrar na jaula. Ela era pequena, mas a jaula também, quase quadrada... A submissa não hesitou. O Dono ajudou-a a entrar, fazendo-lhe um gesto carinhoso na cabeça. Em redor, curiosos e participantes olharam em silêncio ou a comentarem para o lado; à volta da jaula, o Dono e outro Dominador faziam canas deslizarem como dedos pelas barras de ferro que, entre os espaços, tocavam na submissa na jaula, completamente calma e em contemplação. A música continuava a chamar gente para dançar, e o Dono continuava ali, de pé, em redor da jaula, satisfeito e cheio de orgulho. O seu troféu, a sua dádiva de entrega, rendia-se em cada minuto ali passado, exposta e indefesa, mas segura...
De repente outro Dom decide ordenar à sua submissa que se junte a ela, depois de falar com o primeiro: a porta da jaula abre-se e outra mulher rendida às ordens junta-se à primeira. Acontece a catarse!
A segunda submissa envolve e primeira com os braços e alheiam-se de tudo em volta; estão sozinhas num mundo de silêncio e de ternura. Comovi-me!
Elas unem-se num abraço e em afagos de cumplicidade cadenciados; fazem-se festas nos braços e na cara, apertadas mas serenas. Sempre em silêncio... Duas mulheres expostas a um grupo de gente que partilha a mesma afinidade - duas almas que escolheram o seu caminho - duas servidões a que lhes basta saber que cumprem a sua escolha com honra e distinção. Momentos com um je ne sais quoi de erotismo encapotado, de felicidade e de entrega; momentos feitos de escolhas e de certezas; momentos cheios de momentos dentro dos momentos. Fiquei a olhar sem me mexer. Senti-me sozinha, mas sorri por as saber unidas, maiores e mais fortes, por as saber realizadas; fiquei a olhar também em silencio, certa de que aquele momento jamais morrerá. Para a escrava. Para a submissa. Para mim!
De repente outro Dom decide ordenar à sua submissa que se junte a ela, depois de falar com o primeiro: a porta da jaula abre-se e outra mulher rendida às ordens junta-se à primeira. Acontece a catarse!
A segunda submissa envolve e primeira com os braços e alheiam-se de tudo em volta; estão sozinhas num mundo de silêncio e de ternura. Comovi-me!
Elas unem-se num abraço e em afagos de cumplicidade cadenciados; fazem-se festas nos braços e na cara, apertadas mas serenas. Sempre em silêncio... Duas mulheres expostas a um grupo de gente que partilha a mesma afinidade - duas almas que escolheram o seu caminho - duas servidões a que lhes basta saber que cumprem a sua escolha com honra e distinção. Momentos com um je ne sais quoi de erotismo encapotado, de felicidade e de entrega; momentos feitos de escolhas e de certezas; momentos cheios de momentos dentro dos momentos. Fiquei a olhar sem me mexer. Senti-me sozinha, mas sorri por as saber unidas, maiores e mais fortes, por as saber realizadas; fiquei a olhar também em silencio, certa de que aquele momento jamais morrerá. Para a escrava. Para a submissa. Para mim!
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