Perguntou-me se eu gostaria de chorar numa sessão...
Hesitei e disse que não!
Antes, como me tivesse tirado fotos em sessões anteriores, questionou-me se tinha ou não gostado de me ver nas imagens, nos momentos no Tempo, encarcerados por uma simples máquina fotográfica...
Confessei que demorara muito a decidir se as quereria ver ou não, receosa de a terrível verdade me saltar aos olhos como um morcego na noite, implacável, a colar-se na retina! Para sempre...
Porque durante um encontro entre um Dominador e uma submissa, o Tempo é adiado, a realidade transfigura-se, e o que é, deixa de ser... E a verdade é que na primeira vez que me vi imortalizada nas provas desses encontros senti-me nua, assustou-me ver olhos cerrados e mamilos tumefactos, boca torcida, nádegas marcadas a vergasta, e mãos crispadas.
Ninguém, nunca, vai saber como uma entrega em BDSM se faz, excepto quem se dá ao prazer da dor; quem se deixa ir na correnteza do sentir.
E a cara... o rosto que deixou de ser o meu em esgares de uma dor anunciada e nunca adiada! É o semblante que me apavora - como uma revelação jamais esperada, trazendo à superfície o quê? O melhor da alma, ou o pior dos sentidos?
Tudo é demais numa sessão, tudo é exagerado, é puxado, é levado aos limites... é passado dum lado para o outro da barreira do correcto; Bem e Mal fundem-se, o Mundo faz o pino, tudo muda de lugar...
Triste é sair do casulo das quatro paredes cúmplices para uma existência sem nada de novo, sem contrastes, sem nuvens, com tudo no sítio, a pedir por favor um dia atrás do outro. Patético é subir o colarinho para esconder as marcas. Fantástico é saber que depois de entrar no carro e acelerar vinte minutos para longe do ninho das sensações, o Dominador vai dizer: "Conta-me tudo!"
Porque já ficou para trás, já fechamos a porta do quarto e já entregamos a chave, deixando rugas nos lençóis, mas trazendo as marcas no corpo, na alma. O Dominador cansado de aplicar a sua justiça, satisfeito de ser Senhor no seu mundo privado. A submissa a latejar por dentro e por fora, olhos brilhantes, feliz por fazer parte do mundo do seu Mestre, de quem a orienta para novos prazeres inqualificados, incomensuráveis, inominados... numa corrida contra conformismos e rótulos!
Acaba por ser uma metáfora de vida, resumida a umas horas num quarto de dormir - o Bem e o Mal, numa luta corpo a corpo, em que nunca se sabe se vale a pena, até ao momento de ir embora... Difícil é quando se abandona o local mas se permanece de quatro, nua, aos pés da cama. Fascinante é nunca se chegar a saber quem ganha a luta - se o Bem se o Mal. Mas a consciência de que as marcas nunca sairão da pele do sentir, essa realidade sem fundo, como um poço, não tem nome...
Agora que o Tempo passou e a chave foi entregue de vez, posso adiantar que não valeu a pena!
Nem sempre as entregas são reais de ambos os lados.
Nem sempre a Verdade origina eco.
Este texto foi escrito em Dezembro de 2004.
ML
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
sexta-feira, outubro 14, 2005
quinta-feira, outubro 13, 2005
O bom uso da língua...
Porque há quem ache que este blog é demasiado sério, e porque defendo que a Língua Portuguesa está nas ruas da amargura, transcrevo aqui um texto que recebi via net, logo de autoria desconhecida. Para ler e pensar! Ou nao...
“Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar "afro-americanos" aos pretos - com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico".
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos"; passaram todos a "auxiliares da acção educativa".
Os vendedores de medicamentos, inchados de prosápia, tratam-se como"delegados de informação médica". E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".Os drogados transformaram-se em "toxicodependentes" (como se os consumos de cerveja e de cocaína se equivalessem!); o aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez"; os gangs étnicos são "grupos de jovens"; os operários fizeram-se de repente "colaboradores"; as fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais". O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante. Desapareceram outrossim dos comboios as classes 1.ª e 2.ª para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística". A Ágata, raínha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo". Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos-cábula; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável". Ainda há cegos, infelizmente, como nota na sua crónica o Eurico. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas ", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.À margem da revolução semântica ficaram as putas. As desgraçadas são ainda agora quem melhor cultiva a língua. Da porta do quarto para dentro, não há "politicamente correcto" que lhes dobre o modo de expressão ou lhes imponha a terminologia nova. Os amantes do idioma pátrio, se o quiserem ouvir pleno de vernaculidade, que se dirijam ao bordel mais próximo. Aí sim, um pénis de 25 centímetros é um "car**** enorme" e nunca um "órgão sexual masculino sobredimensionado"; assim como dos impotentes, coitados, dizem elas, castiçamente, que "não levantam o pau", e não que sofrem de "disfunção eréctil".”
“Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar "afro-americanos" aos pretos - com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico".
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos"; passaram todos a "auxiliares da acção educativa".
Os vendedores de medicamentos, inchados de prosápia, tratam-se como"delegados de informação médica". E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".Os drogados transformaram-se em "toxicodependentes" (como se os consumos de cerveja e de cocaína se equivalessem!); o aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez"; os gangs étnicos são "grupos de jovens"; os operários fizeram-se de repente "colaboradores"; as fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais". O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante. Desapareceram outrossim dos comboios as classes 1.ª e 2.ª para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística". A Ágata, raínha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo". Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos-cábula; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável". Ainda há cegos, infelizmente, como nota na sua crónica o Eurico. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas ", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.À margem da revolução semântica ficaram as putas. As desgraçadas são ainda agora quem melhor cultiva a língua. Da porta do quarto para dentro, não há "politicamente correcto" que lhes dobre o modo de expressão ou lhes imponha a terminologia nova. Os amantes do idioma pátrio, se o quiserem ouvir pleno de vernaculidade, que se dirijam ao bordel mais próximo. Aí sim, um pénis de 25 centímetros é um "car**** enorme" e nunca um "órgão sexual masculino sobredimensionado"; assim como dos impotentes, coitados, dizem elas, castiçamente, que "não levantam o pau", e não que sofrem de "disfunção eréctil".”
quarta-feira, outubro 12, 2005
Epithaf For a Greek Sailor
The sea goes on
Till every destiny melts in an
only one face and feeling
Don’t you know all the things you left
behind
they leave a tiny trace
as the boat cut the waves
and then it's
route slowly vanishes.
To go
or to arrive
only the travelling
until
can be told
segunda-feira, outubro 10, 2005
"Ser amigo também é dizer não!"
"Os amigos são a família que escolhemos para nós!"
Há amigos que são tão especiais que raramente falo deles! E porque nem sempre são aqui mencionados, ficam melindrados... À meses que estou em falta com alguns amigos - uns que raramente vêm a este confessionário, planetário da alma, outros que vêm imenso e a quem nunca respondo, porque entendo que aqui não se deve manter diálogo.
A uns e a outros, e a todos, agradeço serem família chegada, irmãos em horas difíceis, primos em horas de luto, avós quando preciso de conselhos.
Não basta dizer que se é amigo, há que fazê-lo! E faz-se quando se está lá para o Bem e o Mal. Quando nos dão uma reprimenda porque nos vai ajudar a crescer ou um elogio porque nos vai dar força para vencer os obstáculos.
Recentemente precisei de toda a família, que estivesse lá, que fosse aquilo que às vezes não consigo ser! Ninguém falhou - todos montaram tenda no meu coração, e foram os meus sentidos e a minha coragem e determinação. Foram tudo o que precisei e não tinha.
Não me esqueço nunca e jamais serei a mesma por isso!
Gostava de lhes poder agradecer condignamente, mas há sentimentos maiores que nao cabem nas palavras.
"Ser amigo também é dizer não!"
Voltei a acreditar, porque se há algo que merece todo o empenho é a família que escolhemos para nós!
Não costumo fazer isto, mas sinto que o devo fazer - mando aqui, publicamente, um abraço dos mais apertados a gente especial, sem ordem de entrada em cena:
Paula, Susana, Her, Artur, Luísa, António, Rafael, João & João, outra Susana, Angela, Ricardo, Miguel e Isa, e outros que me possa esquecer por senilidade apenas.
"O que faz uma vida extraordinária é o facto de se ter cruzado com a nossa!"
Há amigos que são tão especiais que raramente falo deles! E porque nem sempre são aqui mencionados, ficam melindrados... À meses que estou em falta com alguns amigos - uns que raramente vêm a este confessionário, planetário da alma, outros que vêm imenso e a quem nunca respondo, porque entendo que aqui não se deve manter diálogo.
A uns e a outros, e a todos, agradeço serem família chegada, irmãos em horas difíceis, primos em horas de luto, avós quando preciso de conselhos.
Não basta dizer que se é amigo, há que fazê-lo! E faz-se quando se está lá para o Bem e o Mal. Quando nos dão uma reprimenda porque nos vai ajudar a crescer ou um elogio porque nos vai dar força para vencer os obstáculos.
Recentemente precisei de toda a família, que estivesse lá, que fosse aquilo que às vezes não consigo ser! Ninguém falhou - todos montaram tenda no meu coração, e foram os meus sentidos e a minha coragem e determinação. Foram tudo o que precisei e não tinha.
Não me esqueço nunca e jamais serei a mesma por isso!
Gostava de lhes poder agradecer condignamente, mas há sentimentos maiores que nao cabem nas palavras.
"Ser amigo também é dizer não!"
Voltei a acreditar, porque se há algo que merece todo o empenho é a família que escolhemos para nós!
Não costumo fazer isto, mas sinto que o devo fazer - mando aqui, publicamente, um abraço dos mais apertados a gente especial, sem ordem de entrada em cena:
Paula, Susana, Her, Artur, Luísa, António, Rafael, João & João, outra Susana, Angela, Ricardo, Miguel e Isa, e outros que me possa esquecer por senilidade apenas.
"O que faz uma vida extraordinária é o facto de se ter cruzado com a nossa!"
sábado, outubro 01, 2005
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