The sea goes on
Till every destiny melts in an
only one face and feeling
Don’t you know all the things you left
behind
they leave a tiny trace
as the boat cut the waves
and then it's
route slowly vanishes.
To go
or to arrive
only the travelling
until
can be told
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
quarta-feira, outubro 12, 2005
Epithaf For a Greek Sailor
segunda-feira, outubro 10, 2005
"Ser amigo também é dizer não!"
Há amigos que são tão especiais que raramente falo deles! E porque nem sempre são aqui mencionados, ficam melindrados... À meses que estou em falta com alguns amigos - uns que raramente vêm a este confessionário, planetário da alma, outros que vêm imenso e a quem nunca respondo, porque entendo que aqui não se deve manter diálogo.
A uns e a outros, e a todos, agradeço serem família chegada, irmãos em horas difíceis, primos em horas de luto, avós quando preciso de conselhos.
Não basta dizer que se é amigo, há que fazê-lo! E faz-se quando se está lá para o Bem e o Mal. Quando nos dão uma reprimenda porque nos vai ajudar a crescer ou um elogio porque nos vai dar força para vencer os obstáculos.
Recentemente precisei de toda a família, que estivesse lá, que fosse aquilo que às vezes não consigo ser! Ninguém falhou - todos montaram tenda no meu coração, e foram os meus sentidos e a minha coragem e determinação. Foram tudo o que precisei e não tinha.
Não me esqueço nunca e jamais serei a mesma por isso!
Gostava de lhes poder agradecer condignamente, mas há sentimentos maiores que nao cabem nas palavras.
"Ser amigo também é dizer não!"
Voltei a acreditar, porque se há algo que merece todo o empenho é a família que escolhemos para nós!
Não costumo fazer isto, mas sinto que o devo fazer - mando aqui, publicamente, um abraço dos mais apertados a gente especial, sem ordem de entrada em cena:
Paula, Susana, Her, Artur, Luísa, António, Rafael, João & João, outra Susana, Angela, Ricardo, Miguel e Isa, e outros que me possa esquecer por senilidade apenas.
"O que faz uma vida extraordinária é o facto de se ter cruzado com a nossa!"
sábado, outubro 01, 2005
domingo, setembro 25, 2005
A DOR O ODOR O AMOR
de joelhos no chão
e a nuca arrepiada
pelo silvo do punho erguido
dos olhos amarelos do instinto
que estarrecidos urram a cada golpe mudo.
Um toque como um trovão
a porta que bate com um baque seco de fogo de artifício
e o ritmado troar do coraçao em sobressalto,
o sangue que parece água em queda sobre rochas mortas na montanha.
As mãos em grilhetas de entrega.
A dor, o odor.
A adrenalina que escorre no suor
o calor, a dor, o amor, cor.
Vermelho-vivo nas espaldas dadas à sorte
à decisão do protector que acaricia em silêncio, com o látego erecto.
Momentos como dias de tempestade.
O conformismo da revolta de quem sai dali
para um mundo distante
só seu, único,
um sotão de solidão ali ao lado.
Silêncio.
O odor que se confunde com os olhos a rebentarem
cheios de uma coisa sem nome,
repletos de uma manhã azul
com verdilhões em voo.
Os ninhos que cabem na palmas das mãos
separadas pela cruz...
as mãos que ela já teve
mas que ofereceu em sacrifício
para acordar a noite!
O cheiro!
A dor...
25/09/2005
ML
quinta-feira, setembro 22, 2005
"Os primeiros modelos da dor descreviam-na num enquadramento biomédico, como resposta automática a um factor externo. Descartes, talvez o primeiro escrever sobre a dor, via-a como resposta a um estímulo doloroso. Descreveu uma via directa da fonte da dor (ex.: um dedo queimado) até uma área do cérebro que detecta a sensação dolorosa. Von Frey (1895) desenvolveu a teoria da especificidade da dor que, uma vez mais, reflectiu este modelo muito simples de estímulo-resposta. Ele sugeriu que existem receptores sensoriais específicos que transmitem o tacto, o calor e a dor, sendo cada um destes receptores sensível a um estímulo específico. (...) Numa visão semelhante Goldschneider (1920) desenvolveu outro modelo de dor chamado teoria do padrão, sugerindo que os padrões dos impulsos nervosos determinavam o grau de dor e as mensagens da área ferida eram enviadas directamente para o cérebro através destes impulsos nervosos. Portanto, estes três modelos de dor descrevem a dor do seguinte modo:
- Os danos nos tecidos provocam a sensação de dor.
- A psicologia só está envolvida nestes modelos relacionados com a consequência da dor (ex: ansiedade, medo, depressão), não tem qualquer influência causal.
- A dor é uma resposta automática a um estímulo externo. Não há lugar para a interpretação ou moderação.
- A sensação de dor tem uma única causa.
- A dor foi classificada como dor psicogénica ou dor orgânica. A dor psicogénica era considerada um produto da mente dos doentes, rótulo dado à dor quando não se encontrava nenhuma base orgânica. A dor orgânica era considerada como dor verdadeira, rótulo dado à dor quando podia ser claramente vista uma lesão.
A Psicologia nas teorias da dor
Ao longo do séc.XX, a Psicologia viria a desempenhar um papel importante na compreensão da dor: a)Observando que os tratamentos médicos para as dores só funcionavam para o tratamento de dores agudas (de curta duração) e nao das crónicas (longa duração), concluiu-se que havia mais alguma coisa envolvida na sensação de dor que não estava incluída nos modelos simples de resposta ao estímulo. b) Observou-se que indivíduos com o mesmo grau de lesão dos tecidos diferiam nos seus relatos da sensação dolorosa e/ou respostas dolorosas (II Guerra Mundial). Beecher (1956) sugeriu que isso reflectia que o significado do ferimento desempenha um papel na experiência de dor; para os soldados, o ferimento tinha um significado positivo, pois indicava que a sua guerra tinha terminado. Este significado mediava a experiência da dor. c) A dor do membro-fantasma. 5 a 10% dos amputados têm tendência a sentir dor no membro ausente, que pode piorar após a amputaçãoe pode continuar após a cura completa. A dor do membro-fantasma não possui nenhuma base física, pois o membro está ausente. Nem todos a sentem eos que a sentem não a experimentam no mesmo grau. Conclusão: há variações de dor entre os indivíduos.
Teoria do portão de controlo da dor
Melzack e Wall (1965, 1979, 1982) desenvolveram a teoria do portão de controlo da dor, numa tentativa de introdução da Psicologia na sua compreensão. Sugere que, embora a dor possa ainda ser compreendida em termos de uma via estímulo-resposta, esta é complexa e mediada por uma rede de processos interactivos. Assim, esta teoria integrou não só a Psicologia no tradicional modelo biomédico da dor, como descreveu não só um papel para as causas e intervenções fisiológicas, mas também para intervenções e causas psicológicas.
Entrada de informação no portão
Melzack e Wall sugeriram que existia um portão ao nível da medula espinal que recebia informações das seguintes fontes:
- Fibras nervosas periféricas - o local da lesão envia para o portão informação sobre a dor, pressão ou calor.
- Influências cerebrais centrais descendentes - o cérebro envia para para o portão informação sobre o estado psicológico do indivíduo, podendo reflectir o seu estado comportamental (ex: atenção, foco na fonte de dor), o estado emocional (ex: ansiedade, medo, depressão), as suas experiencias ou auto-eficácia anteriores (ex: "já tive isto antes e sei que vai passar").
- Fibras longas e curtas - estas fazem parte da informação relativa à percepção da dor.
Saída de informação no portão
O portão integra todas as informações destas diferentes fontes e produz uma saída de informação. Essa informação que sai do portão é enviada para um sistema de acção de que resulta a percepção da dor. Assim, o que abre o portão - quanto mais aberto está maior é a percepção da dor - são factores físicos, emocionais e comportamentais. Por outro lado, o que fecha o portão, reduzindo significativamente a percepção da dor, segundo Melzack e Wall, serão factores físicos, emocionais e comportamentais - embora no primeiro caso negativos, neste positivos.
Os factores psicossociais na percepção da dor
A teoria do portão de controlo da dor foi um desenvolvimento de teorias anteriores na medida em que permitiu a existência de variáveis mediadoras e realçou a percepção activa em vez da sensação passiva. A teoria do portão de controlo e as subsequentes tentativas de avaliar as diferentes componentes da percepção da dor reflectem um modelo dos três processos da dor. Os componentes deste modelo são os processos fisiológicos , subjectivos-afectivos-cognitivos*** e comportamentais. Os processos fisiológicos envolvem factores como lesões de tecido, libertação de endorfinas e mudança no ritmo cardíaco.
- *** Processos de aprendizagem: 1) Condicionamento Clássico 2)Condicionamento Operante
- Ansiedade
- Neurose
- Estado Cognitivo
- Processos Comportamentais
Desenvolvimentos recentes na teoria da dor
Tem aumentado o interesse pelo papel das cognições da percepção da dor. A investigação tem enfatizado particularmente o papel da auto-eficácia na percepção e redução da dor. Turk (1983) sugeriu que uma maior auto-eficácia relativa à dor podia podia ser factor importante na determinação do grau de percepção da dor. Além disso, o conceito de locus de controlo da dor foi desenvolvido para enfatizar o papel das cognições individuais na percepção da dor (Manning e Wright, 1983; Dolce, 1987; Litt, 1988). Nestes modelos, o papel dos estímulos no mundo exterior é menor e a dor é cada vez mais considerada uma consequencia do autocontrolo e da auto-regulação. Daqui que o controlo e redução da dor sejam discutidos em termos de estratégias cognitivas. (...)"
in "Psicologia da Saúde"
Jane Ogden (1999)
