quinta-feira, setembro 15, 2005

O fazedor de Vida!

"Até hoje só chorei duas vezes na vida: uma no falecimento de um grande amigo e mentor, outra na morte do meu pai! Aí jurei que só voltaria a chorar pela morte da minha mãe... Ela roubou lágrimas que eram para a minha mãe!..."



Às vezes a vida tropeça em nós!
Ou nós tropeçamos nela.
Porque não há coincidências, e tropeçar estava planeado num plano infinito qualquer...
De vez em quando tropeçam em nós.
Não acredito em coincidências, mas Destino talvez seja apenas a decisão certa na hora certa, ainda que só se saiba depois, quando as ondas recuam e a maré baixa. Talvez tudo esteja decidido e, ao nascer, a vida se faça ao contrário; revive-se o vivido! Assim sendo, morte é apenas renascer noutro plano! Vive-se como se pode, não como queremos ou gostaríamos que fosse, ou como devia ser... E morre-se também como se pode.
À meses atrás, tropeçaram em mim!
Alguém que começou por estar no sítio certo à hora certa. Depois começou a atrasar-se, a chegar fora de horas; sempre... Fiz um amigo que se atrasa sempre!
Um dia o amigo está comigo ao telefone quase cinco horas seguidas. Desiludido, porque alguém especial o tinha traído de forma incompreensível. Ele entendera a situação e perdoara! Mas não compreendia...
A verdade é que passamos metade da vida a tentar compreender tudo, num acto de boa-vontade contraditório. Porque viver é ter de decidir depressa. Nem que não se compreenda. Sente-se e decide-se. Só depois é que saberemos - ou não - se estivemos bem nesse papel de juíz, de fazedor da vida. Só depois! Tanta coisa que não entendemos ao viver...
Alguém famoso, disse na hora da morte: "Meu Deus, que foi que perdi ao viver?"

Sempre achei que a idade da inocência começava no dia da maior desilusão, daquela que nos tira o folêgo e nos faz ficar na cama sem vontade de ir brincar no Mundo. Aí começa a idade adulta, no dia em que temos a certeza que nada voltará a ser como antes!!!! O acreditar é a única coisa que nos poderá salvar, a tábua de salvação que nos dará ânimo para esperar a maré... ainda que as algas nos abracem as pernas e os pés e os dedos. Quando se desacredita, jamais voltamos a ser pequeninos. Passamos a ser mais um porque a crença foi-se, a fé era o anzol no engodo das noites sem sono; um isco difícil num mar agitado por ventos de través. Quando se desacredita, até juramos que os gatos perdem as asas à medida que envelhecem! E porque sim...


Parado a olhar.
A sentir.
Na cripta fria.
Enregelados dedos e alma.
A olhar.
A Primavera que nos vai fazer falta
e o Inverno que nos vai aquecer.
Com a dádiva na mão e um olhar estático
conveniente
adequado
dele.
A perda...

A posse
que se esvai na camisa encharcada.
Ela que foge sem coragem de ficar.
Raptada pela incompreensão.
Um momento de dor.
O fim do Verão e o começo do Outono.
Quente-frio que resvala num prato de sobremesa azeda...
O depois.
Dantes era assim...

Deus no alto e vivam os pobres de boa-vontade!
O homem certo no momento errado.
O jogo adiado.
Azar ou sorte.
Vida ou morte.
Noite e dia.
A infinita grandeza da pequenez!
Decidir é preciso.
A alma que balança sem opção.
O botão.
A mão...
A dor de ser maior!!!!


(Para um amigo especial, um olhar especial!)

segunda-feira, setembro 12, 2005

Os Dois Cúmplices do Prazer: o Desejo e o Erotismo

"A sexualidade humana é uma sexualidade errante: incerta quanto à sua origem, indefinidamente disponível quanto ao seu objecto, o seu único fim, a procura do prazer especifica a pulsão sexual. Noutros termos (mais prosaicos): no domínio da sexualidade todos os meios são bons para se alcançar o prazer, mesmo os piores. Este vagabundear da sexualidade é o mesmo que o da subjectividade, aberta a todos os possíveis.
O célebre aforismo de Freud, segundo o qual "o sonho é a realização de um desejo", mergulha-nos no âmago da subjectividade. Com efeito, que há de mais subjectivo que um sonho?
A linguagem corrente opõe sonho e realidade: diz-se até de uma pessoa que ela toma os seus desejos pela realidade, etc. Assim, desejo e sonho estão do mesmo lado, o não real, em oposição à realidade objectiva: o senso comum e a psicanálise estão de acordo quanto ao carácter eminentemente subjectivo do desejo.
Se o estudo da psicanálise concede ao desejo uma dignidade e uma realidade muito particulares, o senso comum deixa transparecer uma nota pejorativa, rica de ensinamentos. O desejo: é o sonho, o impossível, a origem de miragens, e tem por função o logro, etc. Tomar os seus desejos pela realidade é o cúmulo da inconsequência, da ingenuidade; é mesmo loucura. Temos assim tres vizinhos: o desejo, o sonho e a loucura.
Uma espécie de intuição leva-nos a considerá-los como constituídos por um elemento comum, caracterizado pela sua imaterialidade, pela sua irrealidade, embora existam segundo uma outra realidade. (...) "

"Para Uma Sociedade Erótica" (1972)
Bernard Muldworf
"(...)
Acaso não nos surpreendeu nas áticas estrelas funerárias a contensão dos gestos humanos?
Não pousavam amor e despedida nos ombros tão levemente,
como se fossem feitos de matéria diferente da nossa?
Recordai-vos das mãos, suavemente apoiadas sem pressão,
ainda que nos torsos haja força.
Senhores de si, cientes: isto é o nosso limite,
isto é nosso - tocarmo-nos assim;
os deuses é que nos comprimem com mais força.
Mas é próprio dos deuses.

Ah, pudéssemos nós encontrar algo humano,
puro, contido, simples,
uma estria nossa de terreno fértil, entre rios e penhascos.
Porque o nosso coração nos excede tal como neles.
E não podemos segui-lo com os olhos em imagens que o apaziguem,
nem em corpos divinos em que, maior , se contém."

"As Elegias de Duíno"
Rainer Maria Rilke (1875/1926)

domingo, setembro 11, 2005

Um Adeus menor...

Tenho uma varanda e estou a olhar o mar, sob um sol escaldante de Setembro. É o fim do Verão e o fim de parte da minha vida. Todos os dias se morre um bocadinho mais. Todos os dias temos um bocadinho mais de medo. Todos os dias enlouquecemos uma e outra vez.

Há semanas que faço luto.
Por uns e por outros! Por mim...
De vez em quando arrancam-nos à força um pedaço de nós; outras vezes somos nós que o damos sem retorno. Vezes demais somos apenas o que os outros querem que sejamos.
Chamam-nos importantes e acreditamos. Chamam-nos grandes e especiais e indispensáveis; usam expressões como "para sempre" e um dia acordamos a acreditar que o somos. Depois queremos mais, e quem nos fez foge, e quem nos teve dispensa-nos e surge o Amigo e a Amizade. Tudo em nome de um Adeus menor.
Sou gente. Com o coração do lado esquerdo. Falho porque dou tudo e quero mais. Falho porque sinto tudo demais e sofro demais. Ou tudo ou nada! Gosto de pensar que sou honesta, embora a palavra tenha laivos de paleolítico nos dias que correm. Mas sei que o sou! Faço amigos para sempre e nunca lhes viro as costas; raramente hasteio a bandeira do "sou teu Amigo", no entanto. Quem me gosta não foge de mim, e eu não preciso de lhe lembrar.

Hoje estou de luto por amigos que foram e não vão voltar, e não sei quando partiram porque não se despediram. Qaundo viajo mando postais aos amigos e trago-lhes um souvenir; fico em pulgas para partilhar as descobertas; desejo muito voltar a casa e sentir o carinho de quem me conhece a olhar-me nos olhos

Estou de luto!
A alma mirrada.
Os olhos tristes.
As mãos vazias.
As palavras ocas que não fazem festas na cabeça...
Há sentimentos que não se descrevem com palavras.
Há coleiras de cão que se transformam em cadeados em volta do coração, no lado esquerdo da gente...
Há pessoas de quem nunca se recupera.
O único homem a quem eu beijava as mãos. Como se fosse Rei. Ou meu Dono. Para sempre! Na imortalidade de um amor maior!
Meu!

"...Como não sei rezar só queria mostrar o meu olhar..."

quinta-feira, setembro 08, 2005

Acto de amor e de entrega

"(...)
Desapertei os botões das calças e baixei a delicada peça de roupa, deixando nu o seu soberbo traseiro branco. Naquele momento parecia mais bonito do que nunca, voltado para cima, emoldurado na parte superior pelas dobras brancas de neve e por baixo pelo azul-claro das calças debruadas com renda. Olhei para ele deliciado, com os olhos brilhantes, e o meu pau tão rijo como um atiçador, pensando ao mesmo tempo que tão bonitas bochechas eram mais próprias para receberem os suaves beijos de um amante do que os beijos cortantes de um chicote. Depois passei a minha mão várias vezes pela superfície branca de alabastro da sua pele macia e fresca que os meus golpes em breve tornariam vermelha, áspera e quente. Mas não sentia piedade e, levantando o chicote, fi-lo silvar no ar, dizendo:
- Agora, Frances, vou flagelar-te severamente.
Ela estremeceu e contraiu as bochechas do traseiro até a fenda entre as meias-luas de carne roliça parecer uma linha fina.
- Oh, Charley... - exclamou ela num tom de medo - ...não sejas muito severo comigo!
Baixei o chicote com um golpe rijo sobre o seu traseiro despido, fazendo que imediatamente a sua pele delicada e branca ficasse com várias riscas vermelhas; ela encolheu-se convulsivamente, a sua carne estremeceu, soltou um abafado grito entrecortado e enterrou a cara na almofada do sofá. Uma vez e outra e outra descarreguei o chicote com força sobre o seu traseiro encrespado, que se foi tornando cada vez mais vermelho a cada golpe e também salpicado de manchas vermelho-escuras provocadas pelas duras pontas das franjas do chicote; ela atirou a cabeça para trás com um salto, de forma que o seu comprido cabelo se soltou, e começou a gemer dolorosamente. Continuei a flagelá-la lentamente, pousando o chicote em diferentes zonas; os longos e escuros vergões surgiam por todo o lado na sua carne que tremia e ela começou a gritar com dores. O prazer da crueldade tomava agora total conta de mim e, sem dar atenção aos seus gritos, continuei a flagelá-la. Ela agitava-se de um lado para o outro tanto quanto os laços que a atavam lho permitiam, arqueando os rins num momento e no seguinte espalmando-se em cima do sofá numa vã tentativa de escapar aos cortantes golpes do chicote.
Voltando a cabeça, olhou para mim por cima do ombro com uma expressão de súplica nos olhos dilatados pelo medo, com os rolos desfeitos do cabelo escondendo parte do seu rosto distorcido pela dôr; as lágrimas corriam-lhe pelas faces vermelhas e os lábios tremiam-lhe de angústia.
- Oh, pára! Pára! - balbuciou entre os gritos - Eu... não... consigo aguentar! Oh!... Oh!... Não... aguento! Oh... Tem... piedade... de... mim! Oh... estás... a cortar-me... em pedaços! Oh! Oh! Ah!... Oh!...
Parei uns instantes. Tinha estado a flagelá-la da esquerda para a direita e dei então a volta aos sofá para a flagelar da direita para a esquerda, para as duas bochechas do seu traseiro receberem igual castigo. Ela pensara que a flagelação tinha acabado mas enganava-se e, quando me viu levantar novamente o chicote, soltou um longo grito de terror, implorando-me nos tons mais causadores de dó que não a flagelasse mais.
Voltei a aplicar o chicote no seu marcado, vermelho e dorido traseiro; os seus gritos tornaram-se cada vez mais fortes - fora uma sorte eu me ter lembrado de mandar as criadas saírem de casa. Debatia-se e contorcia-se com maior violência e torcia-se e estremecia, gemia e gritava, rogava e implorava misericórdia.
Parei e, atirando o chicote para o chão, inspeccionei o traseiro da rapariga. Toda a superfície desde os rins até às coxas estava coberta com uma rede de vergões vivos e toda salpicada de manchas vermelhas, havendo algumas gotas de sangue em cada uma das bochechas, nos sítios em que a pele fora rasgada. Não a tinha flagelado com uma extraordinária severidade, mas a sua pele era tão delicada que facilmente se ferira com o látego e ela sofrera profundamente. (...)"

"Frank e Eu"
autor anónimo