"A sexualidade humana é uma sexualidade errante: incerta quanto à sua origem, indefinidamente disponível quanto ao seu objecto, o seu único fim, a procura do prazer especifica a pulsão sexual. Noutros termos (mais prosaicos): no domínio da sexualidade todos os meios são bons para se alcançar o prazer, mesmo os piores. Este vagabundear da sexualidade é o mesmo que o da subjectividade, aberta a todos os possíveis.
O célebre aforismo de Freud, segundo o qual "o sonho é a realização de um desejo", mergulha-nos no âmago da subjectividade. Com efeito, que há de mais subjectivo que um sonho?
A linguagem corrente opõe sonho e realidade: diz-se até de uma pessoa que ela toma os seus desejos pela realidade, etc. Assim, desejo e sonho estão do mesmo lado, o não real, em oposição à realidade objectiva: o senso comum e a psicanálise estão de acordo quanto ao carácter eminentemente subjectivo do desejo.
Se o estudo da psicanálise concede ao desejo uma dignidade e uma realidade muito particulares, o senso comum deixa transparecer uma nota pejorativa, rica de ensinamentos. O desejo: é o sonho, o impossível, a origem de miragens, e tem por função o logro, etc. Tomar os seus desejos pela realidade é o cúmulo da inconsequência, da ingenuidade; é mesmo loucura. Temos assim tres vizinhos: o desejo, o sonho e a loucura.
Uma espécie de intuição leva-nos a considerá-los como constituídos por um elemento comum, caracterizado pela sua imaterialidade, pela sua irrealidade, embora existam segundo uma outra realidade. (...) "
"Para Uma Sociedade Erótica" (1972)
Bernard Muldworf
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
segunda-feira, setembro 12, 2005
"(...)
Acaso não nos surpreendeu nas áticas estrelas funerárias a contensão dos gestos humanos?
Não pousavam amor e despedida nos ombros tão levemente,
como se fossem feitos de matéria diferente da nossa?
Recordai-vos das mãos, suavemente apoiadas sem pressão,
ainda que nos torsos haja força.
Senhores de si, cientes: isto é o nosso limite,
isto é nosso - tocarmo-nos assim;
os deuses é que nos comprimem com mais força.
Mas é próprio dos deuses.
Ah, pudéssemos nós encontrar algo humano,
puro, contido, simples,
uma estria nossa de terreno fértil, entre rios e penhascos.
Porque o nosso coração nos excede tal como neles.
E não podemos segui-lo com os olhos em imagens que o apaziguem,
nem em corpos divinos em que, maior , se contém."
"As Elegias de Duíno"
Rainer Maria Rilke (1875/1926)
Acaso não nos surpreendeu nas áticas estrelas funerárias a contensão dos gestos humanos?
Não pousavam amor e despedida nos ombros tão levemente,
como se fossem feitos de matéria diferente da nossa?
Recordai-vos das mãos, suavemente apoiadas sem pressão,
ainda que nos torsos haja força.
Senhores de si, cientes: isto é o nosso limite,
isto é nosso - tocarmo-nos assim;
os deuses é que nos comprimem com mais força.
Mas é próprio dos deuses.
Ah, pudéssemos nós encontrar algo humano,
puro, contido, simples,
uma estria nossa de terreno fértil, entre rios e penhascos.
Porque o nosso coração nos excede tal como neles.
E não podemos segui-lo com os olhos em imagens que o apaziguem,
nem em corpos divinos em que, maior , se contém."
"As Elegias de Duíno"
Rainer Maria Rilke (1875/1926)
domingo, setembro 11, 2005
Um Adeus menor...
Tenho uma varanda e estou a olhar o mar, sob um sol escaldante de Setembro. É o fim do Verão e o fim de parte da minha vida. Todos os dias se morre um bocadinho mais. Todos os dias temos um bocadinho mais de medo. Todos os dias enlouquecemos uma e outra vez.
Há semanas que faço luto.
Por uns e por outros! Por mim...
De vez em quando arrancam-nos à força um pedaço de nós; outras vezes somos nós que o damos sem retorno. Vezes demais somos apenas o que os outros querem que sejamos.
Chamam-nos importantes e acreditamos. Chamam-nos grandes e especiais e indispensáveis; usam expressões como "para sempre" e um dia acordamos a acreditar que o somos. Depois queremos mais, e quem nos fez foge, e quem nos teve dispensa-nos e surge o Amigo e a Amizade. Tudo em nome de um Adeus menor.
Sou gente. Com o coração do lado esquerdo. Falho porque dou tudo e quero mais. Falho porque sinto tudo demais e sofro demais. Ou tudo ou nada! Gosto de pensar que sou honesta, embora a palavra tenha laivos de paleolítico nos dias que correm. Mas sei que o sou! Faço amigos para sempre e nunca lhes viro as costas; raramente hasteio a bandeira do "sou teu Amigo", no entanto. Quem me gosta não foge de mim, e eu não preciso de lhe lembrar.
Hoje estou de luto por amigos que foram e não vão voltar, e não sei quando partiram porque não se despediram. Qaundo viajo mando postais aos amigos e trago-lhes um souvenir; fico em pulgas para partilhar as descobertas; desejo muito voltar a casa e sentir o carinho de quem me conhece a olhar-me nos olhos
Estou de luto!
A alma mirrada.
Os olhos tristes.
As mãos vazias.
As palavras ocas que não fazem festas na cabeça...
Há sentimentos que não se descrevem com palavras.
Há coleiras de cão que se transformam em cadeados em volta do coração, no lado esquerdo da gente...
Há pessoas de quem nunca se recupera.
O único homem a quem eu beijava as mãos. Como se fosse Rei. Ou meu Dono. Para sempre! Na imortalidade de um amor maior!
Meu!
"...Como não sei rezar só queria mostrar o meu olhar..."
Há semanas que faço luto.
Por uns e por outros! Por mim...
De vez em quando arrancam-nos à força um pedaço de nós; outras vezes somos nós que o damos sem retorno. Vezes demais somos apenas o que os outros querem que sejamos.
Chamam-nos importantes e acreditamos. Chamam-nos grandes e especiais e indispensáveis; usam expressões como "para sempre" e um dia acordamos a acreditar que o somos. Depois queremos mais, e quem nos fez foge, e quem nos teve dispensa-nos e surge o Amigo e a Amizade. Tudo em nome de um Adeus menor.
Sou gente. Com o coração do lado esquerdo. Falho porque dou tudo e quero mais. Falho porque sinto tudo demais e sofro demais. Ou tudo ou nada! Gosto de pensar que sou honesta, embora a palavra tenha laivos de paleolítico nos dias que correm. Mas sei que o sou! Faço amigos para sempre e nunca lhes viro as costas; raramente hasteio a bandeira do "sou teu Amigo", no entanto. Quem me gosta não foge de mim, e eu não preciso de lhe lembrar.
Hoje estou de luto por amigos que foram e não vão voltar, e não sei quando partiram porque não se despediram. Qaundo viajo mando postais aos amigos e trago-lhes um souvenir; fico em pulgas para partilhar as descobertas; desejo muito voltar a casa e sentir o carinho de quem me conhece a olhar-me nos olhos
Estou de luto!
A alma mirrada.
Os olhos tristes.
As mãos vazias.
As palavras ocas que não fazem festas na cabeça...
Há sentimentos que não se descrevem com palavras.
Há coleiras de cão que se transformam em cadeados em volta do coração, no lado esquerdo da gente...
Há pessoas de quem nunca se recupera.
O único homem a quem eu beijava as mãos. Como se fosse Rei. Ou meu Dono. Para sempre! Na imortalidade de um amor maior!
Meu!
"...Como não sei rezar só queria mostrar o meu olhar..."
quinta-feira, setembro 08, 2005
Acto de amor e de entrega
"(...)
Desapertei os botões das calças e baixei a delicada peça de roupa, deixando nu o seu soberbo traseiro branco. Naquele momento parecia mais bonito do que nunca, voltado para cima, emoldurado na parte superior pelas dobras brancas de neve e por baixo pelo azul-claro das calças debruadas com renda. Olhei para ele deliciado, com os olhos brilhantes, e o meu pau tão rijo como um atiçador, pensando ao mesmo tempo que tão bonitas bochechas eram mais próprias para receberem os suaves beijos de um amante do que os beijos cortantes de um chicote. Depois passei a minha mão várias vezes pela superfície branca de alabastro da sua pele macia e fresca que os meus golpes em breve tornariam vermelha, áspera e quente. Mas não sentia piedade e, levantando o chicote, fi-lo silvar no ar, dizendo:
- Agora, Frances, vou flagelar-te severamente.
Ela estremeceu e contraiu as bochechas do traseiro até a fenda entre as meias-luas de carne roliça parecer uma linha fina.
- Oh, Charley... - exclamou ela num tom de medo - ...não sejas muito severo comigo!
Baixei o chicote com um golpe rijo sobre o seu traseiro despido, fazendo que imediatamente a sua pele delicada e branca ficasse com várias riscas vermelhas; ela encolheu-se convulsivamente, a sua carne estremeceu, soltou um abafado grito entrecortado e enterrou a cara na almofada do sofá. Uma vez e outra e outra descarreguei o chicote com força sobre o seu traseiro encrespado, que se foi tornando cada vez mais vermelho a cada golpe e também salpicado de manchas vermelho-escuras provocadas pelas duras pontas das franjas do chicote; ela atirou a cabeça para trás com um salto, de forma que o seu comprido cabelo se soltou, e começou a gemer dolorosamente. Continuei a flagelá-la lentamente, pousando o chicote em diferentes zonas; os longos e escuros vergões surgiam por todo o lado na sua carne que tremia e ela começou a gritar com dores. O prazer da crueldade tomava agora total conta de mim e, sem dar atenção aos seus gritos, continuei a flagelá-la. Ela agitava-se de um lado para o outro tanto quanto os laços que a atavam lho permitiam, arqueando os rins num momento e no seguinte espalmando-se em cima do sofá numa vã tentativa de escapar aos cortantes golpes do chicote.
Voltando a cabeça, olhou para mim por cima do ombro com uma expressão de súplica nos olhos dilatados pelo medo, com os rolos desfeitos do cabelo escondendo parte do seu rosto distorcido pela dôr; as lágrimas corriam-lhe pelas faces vermelhas e os lábios tremiam-lhe de angústia.
- Oh, pára! Pára! - balbuciou entre os gritos - Eu... não... consigo aguentar! Oh!... Oh!... Não... aguento! Oh... Tem... piedade... de... mim! Oh... estás... a cortar-me... em pedaços! Oh! Oh! Ah!... Oh!...
Parei uns instantes. Tinha estado a flagelá-la da esquerda para a direita e dei então a volta aos sofá para a flagelar da direita para a esquerda, para as duas bochechas do seu traseiro receberem igual castigo. Ela pensara que a flagelação tinha acabado mas enganava-se e, quando me viu levantar novamente o chicote, soltou um longo grito de terror, implorando-me nos tons mais causadores de dó que não a flagelasse mais.
Voltei a aplicar o chicote no seu marcado, vermelho e dorido traseiro; os seus gritos tornaram-se cada vez mais fortes - fora uma sorte eu me ter lembrado de mandar as criadas saírem de casa. Debatia-se e contorcia-se com maior violência e torcia-se e estremecia, gemia e gritava, rogava e implorava misericórdia.
Parei e, atirando o chicote para o chão, inspeccionei o traseiro da rapariga. Toda a superfície desde os rins até às coxas estava coberta com uma rede de vergões vivos e toda salpicada de manchas vermelhas, havendo algumas gotas de sangue em cada uma das bochechas, nos sítios em que a pele fora rasgada. Não a tinha flagelado com uma extraordinária severidade, mas a sua pele era tão delicada que facilmente se ferira com o látego e ela sofrera profundamente. (...)"
"Frank e Eu"
autor anónimo
Desapertei os botões das calças e baixei a delicada peça de roupa, deixando nu o seu soberbo traseiro branco. Naquele momento parecia mais bonito do que nunca, voltado para cima, emoldurado na parte superior pelas dobras brancas de neve e por baixo pelo azul-claro das calças debruadas com renda. Olhei para ele deliciado, com os olhos brilhantes, e o meu pau tão rijo como um atiçador, pensando ao mesmo tempo que tão bonitas bochechas eram mais próprias para receberem os suaves beijos de um amante do que os beijos cortantes de um chicote. Depois passei a minha mão várias vezes pela superfície branca de alabastro da sua pele macia e fresca que os meus golpes em breve tornariam vermelha, áspera e quente. Mas não sentia piedade e, levantando o chicote, fi-lo silvar no ar, dizendo:
- Agora, Frances, vou flagelar-te severamente.
Ela estremeceu e contraiu as bochechas do traseiro até a fenda entre as meias-luas de carne roliça parecer uma linha fina.
- Oh, Charley... - exclamou ela num tom de medo - ...não sejas muito severo comigo!
Baixei o chicote com um golpe rijo sobre o seu traseiro despido, fazendo que imediatamente a sua pele delicada e branca ficasse com várias riscas vermelhas; ela encolheu-se convulsivamente, a sua carne estremeceu, soltou um abafado grito entrecortado e enterrou a cara na almofada do sofá. Uma vez e outra e outra descarreguei o chicote com força sobre o seu traseiro encrespado, que se foi tornando cada vez mais vermelho a cada golpe e também salpicado de manchas vermelho-escuras provocadas pelas duras pontas das franjas do chicote; ela atirou a cabeça para trás com um salto, de forma que o seu comprido cabelo se soltou, e começou a gemer dolorosamente. Continuei a flagelá-la lentamente, pousando o chicote em diferentes zonas; os longos e escuros vergões surgiam por todo o lado na sua carne que tremia e ela começou a gritar com dores. O prazer da crueldade tomava agora total conta de mim e, sem dar atenção aos seus gritos, continuei a flagelá-la. Ela agitava-se de um lado para o outro tanto quanto os laços que a atavam lho permitiam, arqueando os rins num momento e no seguinte espalmando-se em cima do sofá numa vã tentativa de escapar aos cortantes golpes do chicote.
Voltando a cabeça, olhou para mim por cima do ombro com uma expressão de súplica nos olhos dilatados pelo medo, com os rolos desfeitos do cabelo escondendo parte do seu rosto distorcido pela dôr; as lágrimas corriam-lhe pelas faces vermelhas e os lábios tremiam-lhe de angústia.
- Oh, pára! Pára! - balbuciou entre os gritos - Eu... não... consigo aguentar! Oh!... Oh!... Não... aguento! Oh... Tem... piedade... de... mim! Oh... estás... a cortar-me... em pedaços! Oh! Oh! Ah!... Oh!...
Parei uns instantes. Tinha estado a flagelá-la da esquerda para a direita e dei então a volta aos sofá para a flagelar da direita para a esquerda, para as duas bochechas do seu traseiro receberem igual castigo. Ela pensara que a flagelação tinha acabado mas enganava-se e, quando me viu levantar novamente o chicote, soltou um longo grito de terror, implorando-me nos tons mais causadores de dó que não a flagelasse mais.
Voltei a aplicar o chicote no seu marcado, vermelho e dorido traseiro; os seus gritos tornaram-se cada vez mais fortes - fora uma sorte eu me ter lembrado de mandar as criadas saírem de casa. Debatia-se e contorcia-se com maior violência e torcia-se e estremecia, gemia e gritava, rogava e implorava misericórdia.
Parei e, atirando o chicote para o chão, inspeccionei o traseiro da rapariga. Toda a superfície desde os rins até às coxas estava coberta com uma rede de vergões vivos e toda salpicada de manchas vermelhas, havendo algumas gotas de sangue em cada uma das bochechas, nos sítios em que a pele fora rasgada. Não a tinha flagelado com uma extraordinária severidade, mas a sua pele era tão delicada que facilmente se ferira com o látego e ela sofrera profundamente. (...)"
"Frank e Eu"
autor anónimo
terça-feira, setembro 06, 2005
O Sexo
"...Que ele também fez! Indistintamente: quer com ele, com ela, com ambos... Que ele também fez, sem o saber, talvez; ou talvez não...
Criou o sexo entre eles na primeira vez que tentou evitá-lo... logicamente.
Dessa vez os outros dois não estavam sentados embasbacados em cadeiras, não havia tempestade, mas precisavam já de estar perto e longe e perto de novo. E ele sentiu também essa necessidade - estar perto da vida que não conheceu e da filha que não teve! Então, tentou sair do quarto onde todos existiam (e só aí) - mas não conseguiu, ficou preso à vontade de ficar num qualquer sítio com alguém - fôra para isso que se mudara, depois de ter enlouquecido. Ficou no quarto a ouvi-los. Só a ouvi-los, e no entanto a entrar neles, devagarinho primeiro e cadenciadamente depois, a ficar neles, a gostar deles, a emaranhar-se numa teia de desejo que bem podia ser outra coisa qualquer, que importava?
E como dessa vez não teve medo, não conseguiu dormir.
Mas não precisava de dormir, agora... só de aprender o que era novo... e precisava de pedir que lhe ensinassem se ali havia sonho, e como fazer para sonhar."
"A Maçã de Eva"
ML
Criou o sexo entre eles na primeira vez que tentou evitá-lo... logicamente.
Dessa vez os outros dois não estavam sentados embasbacados em cadeiras, não havia tempestade, mas precisavam já de estar perto e longe e perto de novo. E ele sentiu também essa necessidade - estar perto da vida que não conheceu e da filha que não teve! Então, tentou sair do quarto onde todos existiam (e só aí) - mas não conseguiu, ficou preso à vontade de ficar num qualquer sítio com alguém - fôra para isso que se mudara, depois de ter enlouquecido. Ficou no quarto a ouvi-los. Só a ouvi-los, e no entanto a entrar neles, devagarinho primeiro e cadenciadamente depois, a ficar neles, a gostar deles, a emaranhar-se numa teia de desejo que bem podia ser outra coisa qualquer, que importava?
E como dessa vez não teve medo, não conseguiu dormir.
Mas não precisava de dormir, agora... só de aprender o que era novo... e precisava de pedir que lhe ensinassem se ali havia sonho, e como fazer para sonhar."
"A Maçã de Eva"
ML
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