terça-feira, setembro 06, 2005

O Sexo

"...Que ele também fez! Indistintamente: quer com ele, com ela, com ambos... Que ele também fez, sem o saber, talvez; ou talvez não...

Criou o sexo entre eles na primeira vez que tentou evitá-lo... logicamente.
Dessa vez os outros dois não estavam sentados embasbacados em cadeiras, não havia tempestade, mas precisavam já de estar perto e longe e perto de novo. E ele sentiu também essa necessidade - estar perto da vida que não conheceu e da filha que não teve! Então, tentou sair do quarto onde todos existiam (e só aí) - mas não conseguiu, ficou preso à vontade de ficar num qualquer sítio com alguém - fôra para isso que se mudara, depois de ter enlouquecido. Ficou no quarto a ouvi-los. Só a ouvi-los, e no entanto a entrar neles, devagarinho primeiro e cadenciadamente depois, a ficar neles, a gostar deles, a emaranhar-se numa teia de desejo que bem podia ser outra coisa qualquer, que importava?
E como dessa vez não teve medo, não conseguiu dormir.
Mas não precisava de dormir, agora... só de aprender o que era novo... e precisava de pedir que lhe ensinassem se ali havia sonho, e como fazer para sonhar."

"A Maçã de Eva"
ML
ORGASMO, sm (fr.orgasme; ing.orgasm).
Ponto culminante do acto sexual; no homem, coincide com a ejaculação. (adj: orgásmico, orgástico)

quarta-feira, agosto 31, 2005

"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto -
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."

Poesias, Álvaro de Campos
(Fernando Pessoa)

terça-feira, agosto 30, 2005

Porque os seixos rolam para o mar e perdem-se na maré alta, para sempre!

Ando afastada daqui e da vida e de mim e dos amigos.
Peço desculpas a todos!
Descobri que na vida tudo o que se pode fazer é tentar!
Nesta fase da minha existência, tento sobreviver - primeiro porque sou cobarde demais para desistir, depois porque"viver é preciso!"
Ultimamente, descobri que as dores são todas iguais, independentemente da causa - o efeito é que doi, lateja como membro decepado por uma lamina afiada! O membro vai-se mas a vontade de o mover está no cérebro e é ele quem comanda os actos, reflexos ou nao!
A minha dádiva ao Mundo não é reflexa - é um prazer dar-me e um prazer receber o amor e o carinho e as dádivas de gente e gente e mais gente! Quando me dão ódio e mentira e desonestidade, morro um pouco e de cada vez doi mais!
Escusado fingir que ando feliz!Não ando, e os meus leitores/amigos/críticos que me ajudam aqui nas horas boas e más a dizer k existo, sabem-no certamente!
Desta vez, a desilusão foi na prática de BDSM, nas entregas que não têm retorno, mas se fosse na vida de todos os dias era igual
Uma dor é sempre uma dor!
A da chibata desaparece com agua e sal.
A da vida nunca passa, nunca cicatriza!
Peço desculpas, porque lamento ter-me dado demais a quem nunca me quis ter e por isso ter roubado aqui um pouco do que vos era devido! Lamento deveras...
Tudo o que se pode fazer é tentar!
E eu sem duvida que me esforço de verdade para ser uma pessoa melhor!
Porque os seixos rolam para o mar e perdem-se ai na maré!
Para sempre!