"Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do meu próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até ouvir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes."
in "As Mãos e os Frutos"
Eugénio de Andrade - 1945/48
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
quinta-feira, agosto 04, 2005
A Cor e as Saudades...
"Pálida, mas deixou saudades", disse ele na madrugada!
Do outro lado, alguém ficou feliz!
É sempre bom provocar saudades em alguém; torna-nos importantes, indispensáveis, procurados, queridos!
Nunca fui pálida e já deixei saudades...
"Hum, morena....." disse ele um dia no silencio da noite acabada de nascer.
A vida às cores - pálidos e morenos, acreditamos!
É bom causar saudades, faz de nós alguém atento a uma alma que gosta de ser desejada ao ponto das saudades, alguém que não se esqueceu do tom da nossa pele, que talvez a tenha beijado e tocado com fervor, ou só devorado com olhos de quem quer.
Quem acusa saudades nunca partiu...
Ficou lá pendurado num qualquer vértice, ansioso na espera, certo de voltar a chegar... Quem assim confessa a distância, mata o desejo no que diz esperando o retorno do que sente.
Ela, pálida, deixou saudades. Ele, saudoso, fá-la feliz!
A vida a cores.
A mentira pendurada no canto da boca...
A madrugada que se deita comigo, rendida!
"Hum, morena...!"
Dedicado a alguém que me fez voltar a acreditar!
E não o mereceu!
ML
Do outro lado, alguém ficou feliz!
É sempre bom provocar saudades em alguém; torna-nos importantes, indispensáveis, procurados, queridos!
Nunca fui pálida e já deixei saudades...
"Hum, morena....." disse ele um dia no silencio da noite acabada de nascer.
A vida às cores - pálidos e morenos, acreditamos!
É bom causar saudades, faz de nós alguém atento a uma alma que gosta de ser desejada ao ponto das saudades, alguém que não se esqueceu do tom da nossa pele, que talvez a tenha beijado e tocado com fervor, ou só devorado com olhos de quem quer.
Quem acusa saudades nunca partiu...
Ficou lá pendurado num qualquer vértice, ansioso na espera, certo de voltar a chegar... Quem assim confessa a distância, mata o desejo no que diz esperando o retorno do que sente.
Ela, pálida, deixou saudades. Ele, saudoso, fá-la feliz!
A vida a cores.
A mentira pendurada no canto da boca...
A madrugada que se deita comigo, rendida!
"Hum, morena...!"
Dedicado a alguém que me fez voltar a acreditar!
E não o mereceu!
ML
sábado, julho 23, 2005
Nota...
Apesar de "a vida vai torta, jamais se endireita...." volto aqui ao tema a que mais referência tenho feito e que mais comentários suscita, para meu grande gáudio! No entanto, estarei na capital uma semana pelo que só poderei deliciar-me com opiniões e factos depois de voltar! Até lá, esmerem-se e continuem gente com opinião!
O VERDADEIRO DOM/DOMME (Equis Dorsum Primus)
"É frequente depararmos com um Dominador/a que diz querer ter controle total sobre o seu submisso/a o tempo todo, juntos ou separados. Este indivíduo acredita realmente que um submisso/a deve viver apenas para dar prazer ao seu Mestre. Têm tendência a auto-designarem-se "Verdadeiros Mestres". Alguns deles acreditam até que os submissos que estipulam limites não são "verdadeiros" submissos. Outro tipo de "Verdadeiro Mestre" acredita que aquilo que um submisso/a quer exactamente aquilo que diz não tolerar. Tratam-se de fantásticas fantasias. Na melhor das hipóteses, esses "Verdadeiros Mestres" têm pouca experiência; confundem aquilo que leram em histórias diccionadas com a realidade. O verdadeiro e correcto termo para eles no contexto BDSM é "asshole/palerma". No pior dos cenários, eles acreditam de verdade no que defendem, sendo então descritos como "palermas perigosos","
in "Screw The Roses, Send Me The Thorns - The Romance and Sexual Sorcery of Sadomasochism"
Philip Miller/Molly Devon (1995)
in "Screw The Roses, Send Me The Thorns - The Romance and Sexual Sorcery of Sadomasochism"
Philip Miller/Molly Devon (1995)
segunda-feira, julho 18, 2005
O Nó
Fui mais uma vez.
O mar chamou e eu fui.
Mas queria ir, senão ficava.
Molhei dedos e olhos,
por dentro e por fora,
sem riscos e sem medos.
Chorei os pés
na palma das mãos dos dias,
deslizei núa por entre raízes,
deixei para trás o que ficou...
Fui mais uma vez.
E de novo gostei.
Sangue nas feridas abertas.
Os dentes brancos amarelos e sujos.
As mamas a caírem com a noite
E as redes a juntarem-se num nó.
Fiquei só!
ML
Dezembro 2002
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