sábado, julho 23, 2005

Nota...

Apesar de "a vida vai torta, jamais se endireita...." volto aqui ao tema a que mais referência tenho feito e que mais comentários suscita, para meu grande gáudio! No entanto, estarei na capital uma semana pelo que só poderei deliciar-me com opiniões e factos depois de voltar! Até lá, esmerem-se e continuem gente com opinião!

O VERDADEIRO DOM/DOMME (Equis Dorsum Primus)

"É frequente depararmos com um Dominador/a que diz querer ter controle total sobre o seu submisso/a o tempo todo, juntos ou separados. Este indivíduo acredita realmente que um submisso/a deve viver apenas para dar prazer ao seu Mestre. Têm tendência a auto-designarem-se "Verdadeiros Mestres". Alguns deles acreditam até que os submissos que estipulam limites não são "verdadeiros" submissos. Outro tipo de "Verdadeiro Mestre" acredita que aquilo que um submisso/a quer exactamente aquilo que diz não tolerar. Tratam-se de fantásticas fantasias. Na melhor das hipóteses, esses "Verdadeiros Mestres" têm pouca experiência; confundem aquilo que leram em histórias diccionadas com a realidade. O verdadeiro e correcto termo para eles no contexto BDSM é "asshole/palerma". No pior dos cenários, eles acreditam de verdade no que defendem, sendo então descritos como "palermas perigosos","

in "Screw The Roses, Send Me The Thorns - The Romance and Sexual Sorcery of Sadomasochism"
Philip Miller/Molly Devon (1995)

segunda-feira, julho 18, 2005

O Nó

Fui mais uma vez.
O mar chamou e eu fui.
Mas queria ir, senão ficava.
Molhei dedos e olhos,
por dentro e por fora,
sem riscos e sem medos.
Chorei os pés
na palma das mãos dos dias,
deslizei núa por entre raízes,
deixei para trás o que ficou...

Fui mais uma vez.
E de novo gostei.
Sangue nas feridas abertas.
Os dentes brancos amarelos e sujos.
As mamas a caírem com a noite
E as redes a juntarem-se num nó.

Fiquei só!


ML
Dezembro 2002

quarta-feira, julho 13, 2005

"It´s an anywhere road for anybody anyhow.../
É uma estrada para qualquer lado, para qualquer um, de qualquer modo..."
in "On The Road" / Jack Kerouac (1957)

Acabei de dizer adeus...!

Estive no IRC mais cedo, e alguém me perguntou o que era um blog e para que servia... A rir, respondi que era um afagador de egos! Ninguém escreve para não ser lido e, se se puder ler os comentários, melhor ainda.

Este blog mudou a minha vida!
Foi prenda de aniversário de dois grandes amigos, há um ano atrás, e desde aí nada foi com antes... para o Bem e o Mal!
Começou sem direcção e alimentava-se a si próprio com pequenos textos tímidos recolhidos aqui e ali. Aconselharam-me a criar um "fio condutor"; ri-me! Devagar, a orientação surgiu sózinha...
Dava os primeiros passos no IRC e na net, e aqui podia comentar e desabafar sobre o k me ia na alma. Nunca pensei que mais de umas vinte pessoas me lessem - mas a verdade é que muita gente aqui vem regularmente e me procura e comenta o que escrevo. Sem pressas, este blog fez-me perceber que eu não estava sózinha.

Este blog mudou a minha vida!
Se no início se auto-alimentava, passou a exigir que o acarinhassem e lhe dessem alimento. Os comentários dos passantes abriam lugar a especulações e desvios - faziam-me pensar! Mesmo que quisesse, já não era possível desistir - este blog ganhou vida própria! Trato por tu muitos dos nicks que aqui comentam posts desde o primeiro dia, sem nunca os ter visto; conheço-os como carentes de letras e ideias, mas não só... Estou convencida que a maioria das pessoas que aqui vem, procura os sentimentos escondidos nas letras. Como nos livros! Nos filmes! A projecção é real! A arte imita a vida!

Há um grande clã por detrás de um computador, que todos os dias entra aqui e me pergunta pela família, pelo cão ou o que jantei... Um grande grupo de amigos e conhecidos que se preocupa, que manda sms e telefona depois de ler posts carentes, depois de me ver triste numa citação... É assim que se muda a vida das pessoas! Ninguém escreve para não ser lido! Pessoalmente, guardo tudo o que escrevo - não se corre com um filho de casa! Mas há contrapartidas - já perdi gente que pensava estar comigo incondicionalmente, por ciúmes de escritos dedicados a outrem, ou pela ausência de escritos dedicados a si! Não falamos dos quinze minutos de fama do Warhol, mas da imortalização num texto que fala de nós, suponho eu... Todos queremos ser heróis, nem que por apenas um dia (David Bowie), nem que sejamos anti-herois... porque a verdade é que toda a gente quer fazer a diferença no Mundo.

Fui coerente toda a minha vida e sempre sofri por isso! Paga-se um preço demasiado elevado por se ser coerente - é uma prisão que engana. Por fora não tem grades, mas vista de dentro não tem saída... Nos últimos anos descobri que ser coerente não significa cumprir as regras à risca, mas sim adaptá-las a cada circunstância, sem lesar ninguem; à custa disso, já me chamaram hipócrita, mentirosa e até falsa...
Somos todos fantasmas aqui neste circo máximo criado a corrente eléctrica; ninguém me conhece, mas há coisas que nunca fui e que nunca serei! Outras que serei sempre. E continuo a pagar o preço.
De lágrimas nos olhos!
Porque este blog ainda muda a minha vida!
Todos os segundos!