Por vezes ainda dou comigo espantada, ao virar as esquinas da vida! Tenta-se sempre fazer a coisa certa, viciamo-nos em tentativas e, às vezes, o óbvio esteve sempre lá! Difícil talvez não seja fazer a coisa certa, mas muitas vezes, o correcto é deixarmo-nos ir, nem que pareça um atalho perigoso!
No BDSM isso acontece todos os dias - desvios nem sempre apelativos, estradas pouco frequentadas, pessoas com nada para dar...
Nem sempre é fácil manter a sanidade!
Difícil mesmo é ser como se é - fora da normalização!
Há uns meses, num bar que tenta imitar um antro turco com pseudo-dança do ventre, foi posto na mesa, à luz de velas baratas de cera vermelha, um cestinho com bolinhos da sorte... Uma simpatia da dona da casa, à moda islâmica...
Arrogante e decidido, o meu dizia: Não procure ser coerente o tempo todo. Ser coerente é ser obrigado a ter amanhã as mesmas opiniões que tinha hoje. E o movimento do Mundo - onde fica? Mude de opinião de vez em quando e caia em contradição sem se envergonhar disso. Descubra a alegria de ser uma surpresa para si mesmo. "Deus escolheu as coisas loucas do Mundo para envergonhar os sábios!"
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
sexta-feira, julho 08, 2005
domingo, julho 03, 2005
A escrava no nicho
Eis-me ali,
aninhada na minha vontade,
entregue ao que desejo,
entre o que sou e o que quero!
As correntes com ferrugem soltam-me da prisão.
Olhos cobertos por venda fazem-me ver melhor.
Não poder escolher é a minha liberdade...
Desisto de ser e passo a existir;
porque a pela só cobre a alma
e os rasgos do chicote na mão do salvador
dão-me o êxtase da libertação.
Saio de mim e plano,
vogo sobre as esquinas do meu olhar perdido.
Atrás de mim a cadência, os estalidos, um troar
- a vida a abater-se no meu tronco -
arrepios involuntários como o respirar...
Vejo-me lá em baixo,
aninhada em mim,
num nicho último de quem se liberta na anulação.
Penso-me acompanhada, acariciada, levada ao przaer de merecer a entrega do carrasco.
Somos um, então...
Dualidade estranha que dá razão a tudo.
Pénis erecto e sexo molhado.
As costas sulcadas e as nádegas pisadas...
Ele que sorri por fora,
eu que escancaro uma gargalhada na alma
por cada gesto que não faço...
por cada vontade que domino.
Eu que me encontro de cada vez que me perco!
ML
aninhada na minha vontade,
entregue ao que desejo,
entre o que sou e o que quero!
As correntes com ferrugem soltam-me da prisão.
Olhos cobertos por venda fazem-me ver melhor.
Não poder escolher é a minha liberdade...
Desisto de ser e passo a existir;
porque a pela só cobre a alma
e os rasgos do chicote na mão do salvador
dão-me o êxtase da libertação.
Saio de mim e plano,
vogo sobre as esquinas do meu olhar perdido.
Atrás de mim a cadência, os estalidos, um troar
- a vida a abater-se no meu tronco -
arrepios involuntários como o respirar...
Vejo-me lá em baixo,
aninhada em mim,
num nicho último de quem se liberta na anulação.
Penso-me acompanhada, acariciada, levada ao przaer de merecer a entrega do carrasco.
Somos um, então...
Dualidade estranha que dá razão a tudo.
Pénis erecto e sexo molhado.
As costas sulcadas e as nádegas pisadas...
Ele que sorri por fora,
eu que escancaro uma gargalhada na alma
por cada gesto que não faço...
por cada vontade que domino.
Eu que me encontro de cada vez que me perco!
ML
A Revolução Sexual e a New Age
Excertos de "New Age", Jean Vernette (1992)
" (...) A essência do Homem seria de ordem energética. (...) As emoões são perturbações de energia e o amor é um derramamento de energia sobre outrem. É que as energias são fluídas e deslocam-se."
"Vai-se ao psicoterapeuta como antigamente se ia à missa ou ao feiticeiro da aldeia, e espera-se obter os mesmos efeitos: um alívio temporário das misérias e angústias quotidianas e a identificação com líderes carismáticos." - Max Pagés (1979)
"A terapia reichiana nasce com Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud. Cria a hipótese de um funcionamento unitário do organismo, dos sentimentos mais elevados da psique às reacções mais biológicas em torno do ritmo tensão/relaxação. O orgasmo seria o protótipo deste funcionamento. Tal perturbação psicossomática dever-se-ia a uma perturbação da função orgástica. Assim, exalta a revolução sexual."
"TEORIA PRIMEVA (Arthur Janov (1924) - Toda a perturbação psíquica tem a sua origem, desde a mais tenra infância, no sofrimento. Se esta dôr for demasiado forte, a tensão faz saltar o disjuntor e ela fecha-se sob a capa da nevrose, impondo-se a pouco e pouco à personalidade real. O alvo da terapia é voltar a ligar o paciente a este sofrimento escondido, revivendo a cena primeva. Então o grito ecoa, no instante em que se revive este traumatismo doloroso."
"DROGAS: via permanente de iluminação!
Com efeito, os psicadélicos desempenhariam o papel de amplificadores dos processos mentais. Sob a sua acção, o "universo é visto como um jogo divino e uma rede infinita de aventuras da consciência..."
"A New Age propõe uma super-religião transversal, um humanismo espiritualista e ético que não aniquila os diferentes cultos, mas se encarna em cada um deles.(...) Assim, seria a New Age o toque de finados das religiões organizadas."
quinta-feira, junho 30, 2005
Não sei para onde vou, mas estou a caminho
São cinco da manhã!
Lá fora cai uma chuva levezinha como a não querer acordar quem dorme! Aqui na cidade comemorou-se o S.Pedro! Faz seis anos que mudei a minha vida! Faz dois meses que a minha vida foi mudada! Mais pobre agora e mais rica, talvez...
São cinco da manhã e todos dormem! Eu não!
Faço um elogio fúnebre à vida, mantendo-me acordada.
Horas antes, fui com um desconhecido para um quarto de hotel e em hora e meia fiquei a saber bastante das suas viagens e preferências sexuais, depois do sexo furioso e apressado entre estranhos. Ele veio-se, eu não! Foi bom! Ponto.
Voltei para casa mais só do que saí, mas com as expectativas cumpridas: a partir de certo ponto de ruptura nas nossas vidas, nada é como antes. Tal folha seca num riacho manso, deixamo-nos ir!
São cinco e dez da manhã!
Ontem o ex-marido desligou o telefone a esta hora - estava meio-bêbedo - disse - mas sorriu quando me ouviu rir, porque adorava o meu riso, anos depois de afastados. Sinto-me a bola na roleta do casino - sempre a girar!
Os anos passam, mas a gente, as pessoas, tudo se mantém inalterável, porque vivo na memória. Deram-me há tempos um caderno em cuja capa plastificada se lê "Não sei para onde vou, mas estou a caminho". Continua virgem, como a minha vida, como os meus olhos.
São cinco e treze da manhã!
ML
Lá fora cai uma chuva levezinha como a não querer acordar quem dorme! Aqui na cidade comemorou-se o S.Pedro! Faz seis anos que mudei a minha vida! Faz dois meses que a minha vida foi mudada! Mais pobre agora e mais rica, talvez...
São cinco da manhã e todos dormem! Eu não!
Faço um elogio fúnebre à vida, mantendo-me acordada.
Horas antes, fui com um desconhecido para um quarto de hotel e em hora e meia fiquei a saber bastante das suas viagens e preferências sexuais, depois do sexo furioso e apressado entre estranhos. Ele veio-se, eu não! Foi bom! Ponto.
Voltei para casa mais só do que saí, mas com as expectativas cumpridas: a partir de certo ponto de ruptura nas nossas vidas, nada é como antes. Tal folha seca num riacho manso, deixamo-nos ir!
São cinco e dez da manhã!
Ontem o ex-marido desligou o telefone a esta hora - estava meio-bêbedo - disse - mas sorriu quando me ouviu rir, porque adorava o meu riso, anos depois de afastados. Sinto-me a bola na roleta do casino - sempre a girar!
Os anos passam, mas a gente, as pessoas, tudo se mantém inalterável, porque vivo na memória. Deram-me há tempos um caderno em cuja capa plastificada se lê "Não sei para onde vou, mas estou a caminho". Continua virgem, como a minha vida, como os meus olhos.
São cinco e treze da manhã!
ML
terça-feira, junho 28, 2005
"E o Tempo deixa cair a sua gota. A gota que se forma no topo da alma acaba por cair. No topo da minha mente, o Tempo deixou cair a sua gota(...) A gota que caiu nada tinha a ver com o facto de estar a perder a juventude. Esta gota mais não era que o Tempo a atingir um certo ponto. O Tempo, que mais não é que um pasto soalheiro aberto por uma luz trémula, o Tempo, que se espalha pelos campos ao meio-dia, fica como que suspenso num determinado ponto. Semelhante a uma gota que cai de um copo cheio, assim o Tempo cai..."
in "As Ondas"
Virginia Woolf
in "As Ondas"
Virginia Woolf
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