
Fotografia
A cor fugiu e deu lugar ao silêncio.
Penumbras e brancos refugiaram-se.
Gente encolheu-se com medo,
assustadas as pessoas...
O cheiro chegou e ficou.
Era cinzento.
Espalmado sobre o espelho,
qual negativo de uma fotografia...
impresso como o dia,
rasteiro, a crescer.
A manhã foi andando devagar,
subindo um rio sem caudal,
eterno e manso...
como telhados arrepiados por frios
de Outonos gélidos.
Paisagem de sonho.
Onde corações palpitam às lareiras,
onde sonhos se encavalitam nos olhos estreitados,
onde o fim começa sem princípio.
Olhamos e deixamos de ser.
Queremos e não temos.
Crescemos e morremos.
Entra-nos pelos olhos a vida
e não há nada a fazer.
Viver!!
ML
