"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
domingo, dezembro 05, 2004
segunda-feira, novembro 29, 2004
A mulher rendida!
Nem olhava...
A mulher dentro do corpo ficava ali,
Braços caidos, cabeça pendente
A olhar
Nua
A esperar...
Viajava,
Entre partidas e chegadas,
Inocente na sua demência dum vôo rasante
Por um qualquer telhado...
A mulher enclausurada
Que descia do céu,
Todas as vezes que respirava fundo
Encolhia-se ao medo,
E espreguiçava-se
Numa onda de volúpia
Sempre que fechava os olhos!
Num qualquer beco sem saida
Rendia-se,
E ficava solitariamente acompanhada
À espera de novo sol
Ou
que uma qualquer asa de pássaro livre a libertasse.
A mulher, rendida, nua, de braços caídos e cabeça pendente!
ML
A mulher dentro do corpo ficava ali,
Braços caidos, cabeça pendente
A olhar
Nua
A esperar...
Viajava,
Entre partidas e chegadas,
Inocente na sua demência dum vôo rasante
Por um qualquer telhado...
A mulher enclausurada
Que descia do céu,
Todas as vezes que respirava fundo
Encolhia-se ao medo,
E espreguiçava-se
Numa onda de volúpia
Sempre que fechava os olhos!
Num qualquer beco sem saida
Rendia-se,
E ficava solitariamente acompanhada
À espera de novo sol
Ou
que uma qualquer asa de pássaro livre a libertasse.
A mulher, rendida, nua, de braços caídos e cabeça pendente!
ML
O que é o Amor?
“Neste momento, ergueu os olhos que conservava baixos para as papoilas e reparou que Sir Stephen fixava os seus lábios. Escutá-la-ia ou só estaria atento ao som da sua voz, ao movimento dos seus lábios? Calou-se bruscamente e o olhar de Sir Stephen subiu e cruzou o seu próprio olhar. O que leu nele desta vez era claro, e tão claro para ele o que ela tinha lido, que foi a sua vez de empalidecer. Se ele a amava, perdoá-la-ia por ter percebido? Ela não podia afastar os olhos, nem sorrir, nem falar.
Se ele a amava, o que teria mudado? Poderia ser ameaçada de morte que permanecia igualmente incapaz de um gesto, incapaz de fugir, os joelhos não lhe teriam obedecido. Sem dúvida, ele não quereria nada mais do que submissão, ou o seu desejo, que, desde o dia em que René a entregara, bastava para explicar que ele a reclamasse e a retivesse cada vez mais, algumas vezes só pela presença, sem nada lhe pedir.(...)
Sir Stephen começou por lembrar que, na primeira noite em que ela fora a sua casa, lhe dera uma ordem à qual não obedecera, e observou que, embora a houvesse esbofeteado, não renovara depois a ordem. Conceder-lhe-ia no futuro o que lhe tinha recusado? O compreendeu que era necessário não só aquiescer, mas que ele queria ouvir da sua boca, em termos apropriados, que sim, que ela se acariciaria todas as vezes que lhe pedisse. Ela disse-o, e tornou a ver o salão amarelo-cinza, a partida de René, a sua revolta da primeira noite, o fogo que brilhava entre os seus joelhos separados quando se deitara nua no tapete...”
In “História de O”
Pauline Réage
Se ele a amava, o que teria mudado? Poderia ser ameaçada de morte que permanecia igualmente incapaz de um gesto, incapaz de fugir, os joelhos não lhe teriam obedecido. Sem dúvida, ele não quereria nada mais do que submissão, ou o seu desejo, que, desde o dia em que René a entregara, bastava para explicar que ele a reclamasse e a retivesse cada vez mais, algumas vezes só pela presença, sem nada lhe pedir.(...)
Sir Stephen começou por lembrar que, na primeira noite em que ela fora a sua casa, lhe dera uma ordem à qual não obedecera, e observou que, embora a houvesse esbofeteado, não renovara depois a ordem. Conceder-lhe-ia no futuro o que lhe tinha recusado? O compreendeu que era necessário não só aquiescer, mas que ele queria ouvir da sua boca, em termos apropriados, que sim, que ela se acariciaria todas as vezes que lhe pedisse. Ela disse-o, e tornou a ver o salão amarelo-cinza, a partida de René, a sua revolta da primeira noite, o fogo que brilhava entre os seus joelhos separados quando se deitara nua no tapete...”
In “História de O”
Pauline Réage
sexta-feira, novembro 26, 2004
A Homossolidão
“A maioria dos estudiosos de Sociologia concorda que, para as sociedades em geral, a realidade é aquilo que que o senso comum, o consenso, diz que é. Assim, quando alguém ousa pensar ou sentir de forma diferente daquela que a sua sociedade considera “a realidade”, passa a sentir a ansiedade do isolamento, e daí resulta o medo e as suas consequências. Etric Fromm, diz que no âmbito não-biológico, mas psicossocial, não é o medo da morte que constitui a grande sombra, mas sim o medo da loucura.”
In “Solidão Nunca Mais” (2003)
Roberto Bo Goldkorn
In “Solidão Nunca Mais” (2003)
Roberto Bo Goldkorn
segunda-feira, novembro 22, 2004
"No sentido macropsicológico, a homossexualidade é narcisista e, portanto,alimenta a solidão fundamental.Por mais avançada que esteja a nossa sociedade, montanhas de tabus e preconceitos ainda pesam sobre quem escolheu amar o mesmo sexo. Como é possivel ser-se feliz remando contra a corrente social?"
domingo, novembro 21, 2004
Momentos que nem momentos são!
Às vezes, o Tempo pára... e tudo parece mudar de lugar!
Fazem-se quilómetros, muda-se de sítio, muda-se de pele, e tudo permanece igual...
Às vezes, é muito difícil saber o que se anda a fazer, outras vezes não! Decidir doi, porque um erro muda tudo...
Odeio arrepender-me, odeio a sensação azeda do arrependimento, do perder das causas perdidas. As contradições alimentam a alma mas esvaziam o coração, e ele é tão grande e tão mal atafulhado de coisas supérfulas que acabamos por não saber o que meter lá! O que cabe lá...
Às vezes, a vida é outra, e fingimos o que não somos... às vezes, que outras não.
Muitas vezes, nada parece fazer sentido! Outras vezes, ficamos de mãos vazias, mas crispadas, porque nos roubam o que não chegamos a ter! Demasiadas vezes, nem temos força para cerrar os punhos, e ficamos ali, de braços caídos, qual árvore à espera do corte antes do Outono...
E há momentos em que nem sequer esperamos! Há momentos que nem momentos são... Há....
ML
Fazem-se quilómetros, muda-se de sítio, muda-se de pele, e tudo permanece igual...
Às vezes, é muito difícil saber o que se anda a fazer, outras vezes não! Decidir doi, porque um erro muda tudo...
Odeio arrepender-me, odeio a sensação azeda do arrependimento, do perder das causas perdidas. As contradições alimentam a alma mas esvaziam o coração, e ele é tão grande e tão mal atafulhado de coisas supérfulas que acabamos por não saber o que meter lá! O que cabe lá...
Às vezes, a vida é outra, e fingimos o que não somos... às vezes, que outras não.
Muitas vezes, nada parece fazer sentido! Outras vezes, ficamos de mãos vazias, mas crispadas, porque nos roubam o que não chegamos a ter! Demasiadas vezes, nem temos força para cerrar os punhos, e ficamos ali, de braços caídos, qual árvore à espera do corte antes do Outono...
E há momentos em que nem sequer esperamos! Há momentos que nem momentos são... Há....
ML
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