sexta-feira, novembro 26, 2004

A Homossolidão

“A maioria dos estudiosos de Sociologia concorda que, para as sociedades em geral, a realidade é aquilo que que o senso comum, o consenso, diz que é. Assim, quando alguém ousa pensar ou sentir de forma diferente daquela que a sua sociedade considera “a realidade”, passa a sentir a ansiedade do isolamento, e daí resulta o medo e as suas consequências. Etric Fromm, diz que no âmbito não-biológico, mas psicossocial, não é o medo da morte que constitui a grande sombra, mas sim o medo da loucura.”

In “Solidão Nunca Mais” (2003)
Roberto Bo Goldkorn

segunda-feira, novembro 22, 2004

"No sentido macropsicológico, a homossexualidade é narcisista e, portanto,alimenta a solidão fundamental.Por mais avançada que esteja a nossa sociedade, montanhas de tabus e preconceitos ainda pesam sobre quem escolheu amar o mesmo sexo. Como é possivel ser-se feliz remando contra a corrente social?"


domingo, novembro 21, 2004

Momentos que nem momentos são!

Às vezes, o Tempo pára... e tudo parece mudar de lugar!
Fazem-se quilómetros, muda-se de sítio, muda-se de pele, e tudo permanece igual...
Às vezes, é muito difícil saber o que se anda a fazer, outras vezes não! Decidir doi, porque um erro muda tudo...
Odeio arrepender-me, odeio a sensação azeda do arrependimento, do perder das causas perdidas. As contradições alimentam a alma mas esvaziam o coração, e ele é tão grande e tão mal atafulhado de coisas supérfulas que acabamos por não saber o que meter lá! O que cabe lá...
Às vezes, a vida é outra, e fingimos o que não somos... às vezes, que outras não.
Muitas vezes, nada parece fazer sentido! Outras vezes, ficamos de mãos vazias, mas crispadas, porque nos roubam o que não chegamos a ter! Demasiadas vezes, nem temos força para cerrar os punhos, e ficamos ali, de braços caídos, qual árvore à espera do corte antes do Outono...
E há momentos em que nem sequer esperamos! Há momentos que nem momentos são... Há....

ML

segunda-feira, novembro 08, 2004

Diferente, uma coisa preciosa…

“(...) Só na sexualidade é que o milionésimo de diferente aparece como uma coisa preciosa, porque não é publicamente acessível e tem de ser conquistado. Ainda há meio século, este tipo de conquista exigia que se lhe dedicasse muito tempo (várias semanas e, às vezes, alguns meses) e o valor do objecto conquistado era proporcional ao tempo consagrado à sua conquista. Mesmo nos dias que correm, embora o tempo da conquista tenha diminuído consideravelmente, a sexualidade é para nós como que o cofrezinho das jóias onde se encontra guardado o mistério do eu feminino.
Não era, portanto, de forma nenhuma, o desejo da volúpia (a volúpia aparecia por assim dizer como brinde), mas o desejo de se apoderar do mundo (de abrir com o bisturi o corpo jazente do mundo) que o fazia andar atras das mulheres.”

In “A Insustentável Leveza do Ser” (1983)
Milan Kundera


segunda-feira, novembro 01, 2004

“Vê se consegues convencêr-me!...”

“(...) Para colher informações acerca de um homem, a mulher precisa de o sujeitar a vários testes. Dependendo da forma como ele responde, quando comparado com outros candidatos disponíveis, ela poderá aceitá-lo ou rejeitá-lo. A mulher precisa de encontrar testes que constituam um desafio, mas que não sejam impossíveis de realizar. Perderão o valor, se forem ou demasiado fáceis, ou tão difícieis que homem algum os consiga resolver. O corpo da mulher e o seu comportamento foram moldados para funcionarem como teste. E, muitas vezes, ao testar as qualidades do homem, o que ela está realmente a testar é a capacidade dele para aprender a usar o seu corpo e a cooperar com ela. Aprender é sempre uma tarefa difícil quando a um dado comportamento não corresponde sempre a mesma resposta. A resposta da mulher a qualquer estímulo masculino é notoriamente imprevisível. Isto é verdade para os primeiros momentos de aproximação que precedem o orgasmo durante o coito. Não só existem diferenças de mulher para mulher (por razoes plausiveis), como existem diferenças individuais de ocasião para ocasião (também por razoes plausiveis) (...)

(...)O sexo grosseiro e violento é um elemento comum do “namoro” quer dos homens, quer dos animais, quando decidem fazer ou não sexo. Tal comportamento tem muitas facetas, e todas implicam um intermezzo entre a selecção de machos pela fêmea e a exibição de atributos pelos machos. As fêmeas fazem aos machos testes de força física e de competência sexual que os homens conseguem ou não ultrapassar. No evoluir do processo reprodutivo, o uso do sexo grosseiro e violento pode trazer benefícios para a mulher – e o desempenho satisfatório pode igualmente favorecer o homem.
A maior parte das vezes, estes jogos de grosseria e violência acontecem sem qualquer dano para os dois parceiros: a mulher obtém a informação que deseja e o homem, se o seu desempenho for satisfatório, pode conseguir uma relação sexual. Porém, ocasionalmente, tais jogos podem ser perigosos. Dos jogos de grosseria e violência com consentimento mútuo até à violação, vai um pequeno passo. De facto, quando um homem força uma mulher a ter relações sexuais com ele, e ela o acha quando muito, interessante para beijar ou lhe permitir certas intimidades, é quase uma violação. Embora não a violação predatória, fortuita... Em princípio parece fácil estabelecer um limite claro entre o acto sexual grosseiro e violento e a violação feita por um conhecido. Se a mulher diz “não” e de qualquer modo o homem a força, nesse caso é violação. No entanto, como vemos pelo tratamento do problema pelas legislações mundiais, não é assim tão simples.Um dos muitos problemas consiste em que, sob muitos aspectos da vida, as pessoas dizem “não”, quando na realidade querem dizer “Vê se consegues convencer-me!” (...)”

In “As Guerras do Esperma” (1996)
Robin Baker