"No sentido macropsicológico, a homossexualidade é narcisista e, portanto,alimenta a solidão fundamental.Por mais avançada que esteja a nossa sociedade, montanhas de tabus e preconceitos ainda pesam sobre quem escolheu amar o mesmo sexo. Como é possivel ser-se feliz remando contra a corrente social?"
"TODOS SÃO CAPAZES DE DOMINAR UMA DÔR, EXCEPTO QUEM A SENTE!" William Shakespeare
segunda-feira, novembro 22, 2004
domingo, novembro 21, 2004
Momentos que nem momentos são!
Às vezes, o Tempo pára... e tudo parece mudar de lugar!
Fazem-se quilómetros, muda-se de sítio, muda-se de pele, e tudo permanece igual...
Às vezes, é muito difícil saber o que se anda a fazer, outras vezes não! Decidir doi, porque um erro muda tudo...
Odeio arrepender-me, odeio a sensação azeda do arrependimento, do perder das causas perdidas. As contradições alimentam a alma mas esvaziam o coração, e ele é tão grande e tão mal atafulhado de coisas supérfulas que acabamos por não saber o que meter lá! O que cabe lá...
Às vezes, a vida é outra, e fingimos o que não somos... às vezes, que outras não.
Muitas vezes, nada parece fazer sentido! Outras vezes, ficamos de mãos vazias, mas crispadas, porque nos roubam o que não chegamos a ter! Demasiadas vezes, nem temos força para cerrar os punhos, e ficamos ali, de braços caídos, qual árvore à espera do corte antes do Outono...
E há momentos em que nem sequer esperamos! Há momentos que nem momentos são... Há....
ML
Fazem-se quilómetros, muda-se de sítio, muda-se de pele, e tudo permanece igual...
Às vezes, é muito difícil saber o que se anda a fazer, outras vezes não! Decidir doi, porque um erro muda tudo...
Odeio arrepender-me, odeio a sensação azeda do arrependimento, do perder das causas perdidas. As contradições alimentam a alma mas esvaziam o coração, e ele é tão grande e tão mal atafulhado de coisas supérfulas que acabamos por não saber o que meter lá! O que cabe lá...
Às vezes, a vida é outra, e fingimos o que não somos... às vezes, que outras não.
Muitas vezes, nada parece fazer sentido! Outras vezes, ficamos de mãos vazias, mas crispadas, porque nos roubam o que não chegamos a ter! Demasiadas vezes, nem temos força para cerrar os punhos, e ficamos ali, de braços caídos, qual árvore à espera do corte antes do Outono...
E há momentos em que nem sequer esperamos! Há momentos que nem momentos são... Há....
ML
segunda-feira, novembro 08, 2004
Diferente, uma coisa preciosa…
“(...) Só na sexualidade é que o milionésimo de diferente aparece como uma coisa preciosa, porque não é publicamente acessível e tem de ser conquistado. Ainda há meio século, este tipo de conquista exigia que se lhe dedicasse muito tempo (várias semanas e, às vezes, alguns meses) e o valor do objecto conquistado era proporcional ao tempo consagrado à sua conquista. Mesmo nos dias que correm, embora o tempo da conquista tenha diminuído consideravelmente, a sexualidade é para nós como que o cofrezinho das jóias onde se encontra guardado o mistério do eu feminino.
Não era, portanto, de forma nenhuma, o desejo da volúpia (a volúpia aparecia por assim dizer como brinde), mas o desejo de se apoderar do mundo (de abrir com o bisturi o corpo jazente do mundo) que o fazia andar atras das mulheres.”
In “A Insustentável Leveza do Ser” (1983)
Milan Kundera
Não era, portanto, de forma nenhuma, o desejo da volúpia (a volúpia aparecia por assim dizer como brinde), mas o desejo de se apoderar do mundo (de abrir com o bisturi o corpo jazente do mundo) que o fazia andar atras das mulheres.”
In “A Insustentável Leveza do Ser” (1983)
Milan Kundera
segunda-feira, novembro 01, 2004
“Vê se consegues convencêr-me!...”
“(...) Para colher informações acerca de um homem, a mulher precisa de o sujeitar a vários testes. Dependendo da forma como ele responde, quando comparado com outros candidatos disponíveis, ela poderá aceitá-lo ou rejeitá-lo. A mulher precisa de encontrar testes que constituam um desafio, mas que não sejam impossíveis de realizar. Perderão o valor, se forem ou demasiado fáceis, ou tão difícieis que homem algum os consiga resolver. O corpo da mulher e o seu comportamento foram moldados para funcionarem como teste. E, muitas vezes, ao testar as qualidades do homem, o que ela está realmente a testar é a capacidade dele para aprender a usar o seu corpo e a cooperar com ela. Aprender é sempre uma tarefa difícil quando a um dado comportamento não corresponde sempre a mesma resposta. A resposta da mulher a qualquer estímulo masculino é notoriamente imprevisível. Isto é verdade para os primeiros momentos de aproximação que precedem o orgasmo durante o coito. Não só existem diferenças de mulher para mulher (por razoes plausiveis), como existem diferenças individuais de ocasião para ocasião (também por razoes plausiveis) (...)
(...)O sexo grosseiro e violento é um elemento comum do “namoro” quer dos homens, quer dos animais, quando decidem fazer ou não sexo. Tal comportamento tem muitas facetas, e todas implicam um intermezzo entre a selecção de machos pela fêmea e a exibição de atributos pelos machos. As fêmeas fazem aos machos testes de força física e de competência sexual que os homens conseguem ou não ultrapassar. No evoluir do processo reprodutivo, o uso do sexo grosseiro e violento pode trazer benefícios para a mulher – e o desempenho satisfatório pode igualmente favorecer o homem.
A maior parte das vezes, estes jogos de grosseria e violência acontecem sem qualquer dano para os dois parceiros: a mulher obtém a informação que deseja e o homem, se o seu desempenho for satisfatório, pode conseguir uma relação sexual. Porém, ocasionalmente, tais jogos podem ser perigosos. Dos jogos de grosseria e violência com consentimento mútuo até à violação, vai um pequeno passo. De facto, quando um homem força uma mulher a ter relações sexuais com ele, e ela o acha quando muito, interessante para beijar ou lhe permitir certas intimidades, é quase uma violação. Embora não a violação predatória, fortuita... Em princípio parece fácil estabelecer um limite claro entre o acto sexual grosseiro e violento e a violação feita por um conhecido. Se a mulher diz “não” e de qualquer modo o homem a força, nesse caso é violação. No entanto, como vemos pelo tratamento do problema pelas legislações mundiais, não é assim tão simples.Um dos muitos problemas consiste em que, sob muitos aspectos da vida, as pessoas dizem “não”, quando na realidade querem dizer “Vê se consegues convencer-me!” (...)”
In “As Guerras do Esperma” (1996)
Robin Baker
(...)O sexo grosseiro e violento é um elemento comum do “namoro” quer dos homens, quer dos animais, quando decidem fazer ou não sexo. Tal comportamento tem muitas facetas, e todas implicam um intermezzo entre a selecção de machos pela fêmea e a exibição de atributos pelos machos. As fêmeas fazem aos machos testes de força física e de competência sexual que os homens conseguem ou não ultrapassar. No evoluir do processo reprodutivo, o uso do sexo grosseiro e violento pode trazer benefícios para a mulher – e o desempenho satisfatório pode igualmente favorecer o homem.
A maior parte das vezes, estes jogos de grosseria e violência acontecem sem qualquer dano para os dois parceiros: a mulher obtém a informação que deseja e o homem, se o seu desempenho for satisfatório, pode conseguir uma relação sexual. Porém, ocasionalmente, tais jogos podem ser perigosos. Dos jogos de grosseria e violência com consentimento mútuo até à violação, vai um pequeno passo. De facto, quando um homem força uma mulher a ter relações sexuais com ele, e ela o acha quando muito, interessante para beijar ou lhe permitir certas intimidades, é quase uma violação. Embora não a violação predatória, fortuita... Em princípio parece fácil estabelecer um limite claro entre o acto sexual grosseiro e violento e a violação feita por um conhecido. Se a mulher diz “não” e de qualquer modo o homem a força, nesse caso é violação. No entanto, como vemos pelo tratamento do problema pelas legislações mundiais, não é assim tão simples.Um dos muitos problemas consiste em que, sob muitos aspectos da vida, as pessoas dizem “não”, quando na realidade querem dizer “Vê se consegues convencer-me!” (...)”
In “As Guerras do Esperma” (1996)
Robin Baker
quinta-feira, outubro 28, 2004
IMAGENS
Restam a raiva
E o medo cego
De não conseguir
...um grito num túnel
...uma qualquer asa a tocar um telhado,
...talvez.
Restam a cegueira
e a surdez
de não querer ver
...um balão de côr
...um sino a badalar numa torre de igreja.
Resta a confusão
...a angústia de não saber,
de não restar mais nada
...senão um poente amarelo!
Fica então a gargalhada,
Que estala
Como um chicote na mão do domador,
Um soluço imenso
Amarrado ao nó atado na garganta;
A dôr!
Fica ainda uma ferida muito aberta nos olhos,
Alfinetes espetados um a um.
A cólera de não poder correr.
Ficar então..
...não fugir p´ra lado algum.
Depois...
Há o combóio a trepidar,
Há os sonhos como colar de pérolas,
Há a tal raiva
E a tal cegueira
E o tal ver.
Depois...
Uma surpresa guardada num baú fechado à chave.
Uma revelação
Indiferente.
Um som, um cheiro, um olhar magoado.
A sombra
Que paira na curta vida da gente!
E sinto ainda tua voz,
Aninhada na conhcha do teu sentir
Inundando a volúpia e o desejo,
Querendo ser ave imensa...
Apenas para fugir...
E como treme ainda o meu silêncio,
Como berro, alta a tua imagem,
Como queria ser neve e sou o vento;
Oh, lamento eterno
Efémera viagem!
Passou enfim a ameaça
Meu amor,
E nada ficou para durar;
Nada quis ser pedra,
Tudo foi lama,
dinastia perene dum qualquer rumor.
Vai então,
Não demores o olhar.
Vai então,
Não hesites no caminho.
Vai então,
Porque eu só posso ficar!
ML
E o medo cego
De não conseguir
...um grito num túnel
...uma qualquer asa a tocar um telhado,
...talvez.
Restam a cegueira
e a surdez
de não querer ver
...um balão de côr
...um sino a badalar numa torre de igreja.
Resta a confusão
...a angústia de não saber,
de não restar mais nada
...senão um poente amarelo!
Fica então a gargalhada,
Que estala
Como um chicote na mão do domador,
Um soluço imenso
Amarrado ao nó atado na garganta;
A dôr!
Fica ainda uma ferida muito aberta nos olhos,
Alfinetes espetados um a um.
A cólera de não poder correr.
Ficar então..
...não fugir p´ra lado algum.
Depois...
Há o combóio a trepidar,
Há os sonhos como colar de pérolas,
Há a tal raiva
E a tal cegueira
E o tal ver.
Depois...
Uma surpresa guardada num baú fechado à chave.
Uma revelação
Indiferente.
Um som, um cheiro, um olhar magoado.
A sombra
Que paira na curta vida da gente!
E sinto ainda tua voz,
Aninhada na conhcha do teu sentir
Inundando a volúpia e o desejo,
Querendo ser ave imensa...
Apenas para fugir...
E como treme ainda o meu silêncio,
Como berro, alta a tua imagem,
Como queria ser neve e sou o vento;
Oh, lamento eterno
Efémera viagem!
Passou enfim a ameaça
Meu amor,
E nada ficou para durar;
Nada quis ser pedra,
Tudo foi lama,
dinastia perene dum qualquer rumor.
Vai então,
Não demores o olhar.
Vai então,
Não hesites no caminho.
Vai então,
Porque eu só posso ficar!
ML
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