quarta-feira, junho 21, 2006

Os Beijos de Gor

Acabei de ver mais um episódio da série "Donas de Casa Desesperadas"!
Aparentemente o tema de hoje era "o beijo"; aparentemente, porque comecei a ver a meio do episódio, desconhecendo!
E porque não há coincidências... tenho de partilhar aqui!

Há BDSM e há Gor.
Gor é BDSM com sentimentos - um estilo de vida que pretende fazer florescer as submissas na sua submissão de agradar, onde não há limites e onde se defende que cada mulher tem uma kajira (escrava) dentro de si, seja na submissão em Dominação/submissão, seja nos sentimentos que dá e recebe do seu Mestre. Esta é uma definição simplista, mas que de momento serve para o que quero apresentar... (ver links no final do post).

Conheço um casal Goreano - Mestre/kajira.
Passei algum tempo com eles e descobri um par apaixonado onde o SM (sado-masoquismo) não é significativo mas pode surgir.
Mas ele é Mestre dela, ela dá-lhe todos os prazeres possíveis e fazem-no como dois enamorados de Liceu... E os beijos estão sempre lá!
Em conversa, eles e eu, concluímos que o que falta ao BDSM é o elo do sentimento, e choquei-os com a revelação de que, em três anos de BDSM, fui beijada em sessão apenas uma vez. Essa conversa foi recente e hoje deparo com a importância dada ao beijo na série referida - não há coincidências!

Quanto mais descubro o lado purista de Gor, mais me afasto do BDSM como o conheço, pelo lado estanque dos sentimentos deixados à porta das sessões. Trocam-se serviços mas o único compromisso é recompensa e castigo: a submissa submete-se e deve sentir as dores no corpo mas não a ternura, o Dom entrega-se à prática mas com a máscara espartana do castigador mecanico de ocasião... Como se fosse regra não sentir, de ambas as partes.

Pessoalmente, sinto sempre - seja a ausência de ternura, seja o afago da chibata; quer se queira quer não, o ser humano precisa dos elos que o fazem conectar com o ser humano mais próximo, seja um toque, uma carícia, um puxão de cabelos, um olhar ou... um beijo.
Pessoalmente odeio beijos na testa pela debilidade de quem os dá - pela fragilidade quase medo que parecem manifestar da parte de quem os dá!

Mas um beijo é melhor que nada...
Terminar uma sessão com um beijo garante que um dos elos da cadeia está firme e que na segunda sessão o sentimento é já outro, aliás garante que haja sentimento, nem que de conforto.
"Não se apanham moscas com vinagre" e captar uma entrega de uma alma não é para todos! Quem nunca beijou numa sessão, que atire a primeira pedra!

http://www.leathernroses.com/generalbdsm/michaelinsightgorean.htm
http://the-lara-inn.org/sitemap.htm
http://www.leathernroses.com/generalbdsm/firesoulpainforpleasure.htm
http://www.geocities.com/signe810/

15 comentários:

Anónimo disse...

Não exageres na visão romântica de Gor. Um casal apaixonado pode ser Goreano, mas um casal Goreano nao necessita estar apaixonado.

Aliás, goreanos nem necessariamente serão vistos como casal, já que é quase equiparado a um estilo de vida polyamory, dada a inexistencia dos preconceitos sexuais na filosofia Goreana.

Um Mestre pode ter uma relaçao equiparada a goreana, sem os ditos beijos, e sei muito bem do que falo.

Mas de resto, compreendo e concordo com a tua avaliaçao. Em Gor, vive-se uma filosofia, nao se "vai vivendo". Talvez por isso nao haja Goreanos Swicher, excepto alguns habilmente "Topados from the bottom", sim, pq os há, e conheço alguns.
MS

TheVanilla disse...

Mais do que a questão do Gor 'vs' BDSM, fixo-me na questão do beijo e ocorre-me que não sendo o beijo essencial é, para mim, fundamental. Precisamente porque um beijo é suposto ser sentimento, representativo igualmente do barómetro do desejo.
Não me ocorre uma relação intima sem um beijo desejoso. Da mesma forma que não me ocorre uma verdadeira amizade sem um abraço reconfortante.
Há beijos vazios que nada representam, como há abraços que não aquecem a alma.
Gosto de todos os beijos. Na testa, mãos, rosto... A diferença está no sentimento que incluem e na sensação que recebemos de quem os dá.
Há pessoas que não nos tocando, nos beijam, enquanto outras beijando-nos não nos tocam... a alma.

Inês Ramos disse...
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Inês Ramos disse...
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Shortbow_kt disse...

BDSM é algo que se faz com outra pessoa, e como qualquer outra "actividade" em que duas pessoas participam pode ou não ter sentimento. Pode ou não ter beijos.

Pessoalmente só me recordo de 3 ocasiões em que estive com alguem, praticámos BDSM, e não a beijei. mais por ela não querer do que por eu não querer.
Não porque a amasse, mas porque seria uma demonstração de carinho e sentimento da minha parte para com ela.
Ela vivia, e segundo sei ainda vive o beijo de uma maneira diferente, mais intensa...

Estou a me dispersar nas memórias... é da idade ;)

Conheço casais que tem relações D\s e praticam BDSM não se vem ou classificam como goreanos, e no entanto parecem um casalinho de liceu :P não deixam de ser D\s não deixam de se amar profundamente! Não são capazes de NÂO se beijarem!

um abraço misslibido... e um beijo e uma palmada bem DBSM ;)

hl disse...

Eu mantenho a minha ideia e sentir, sem Amor ou um gostar especial, sem carinho, não faz o minimo sentido, é apenas uma troca de serviços fria, por muito que digam o contrário, digo isto respeitando todas as opiniões e o sentir de cada um mas...
Beijinhos:)

TheVanilla disse...

«BDSM é algo que se faz com outra pessoa, e como qualquer outra "actividade" em que duas pessoas participam pode ou não ter sentimento. Pode ou não ter beijos.»

Pois... Deve ser por isso que sou baunilha. Nesse tipo de «actividade» gosto que exista sentimento. Aliás, só assim faz sentido para mim. TUDO.

Inês Ramos disse...
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Inês Ramos disse...

Não haja dúvida que é uma grande série! Eu confesso estar «coladissima». Não perco um episódio! E note-se que é das poucas séries (senão a única) onde o BDSM é trazido à baila quando em episódios da primeira série o falecido marido de Bree Van De Kamp (a dona ruiva representada por Marcia Cross) manifestou desejos à mulher de ser dominado pela própria porque "precisava"... Muito interessante o episódio e todos que se seguiram abordando o tema. Recomendo!

Mais informação sobre o que realmente se passou no URL abaixo:

http://abc.go.com/primetime/desperate/recaps/114.html

DarkPrincess disse...

Apesar de não estar familiarizada com o conceito (ou, melhor dizendo, com a designação)de Gor, pelo que vejo ele não me é nada estranho...
Não excluindo que se possa extrair prazer de uma relação fria, esporádica e desprovida de envolvimento emocional, sem dúvida que uma relação estável e continuada do tipo D/S pede envolvimento, pede emoções e entre essas, o carinho e a ternura.
este post fez-me descobrir um conceito e nomenclatura que desconhecia... Obrigada e beijos :)

Vanderdecken disse...

Não te tenho visitado muito, e há muito tempo que não faço nenhum comentário no teu blog. Mas a referência a Gor chamou-me a atenção porque se trata duma coisa que me influenciou muito desde que li, em 1978, um dos livros desta série: «Slave Girl of Gor». Depois disto li praticamente a série toda, e são várias dezenas de volumes.

No mundo de Gor o beijo não ocupa um lugar particularmente relevante, até porque é indiferente que a kajira ame ou não o seu Senhor: a dádiva total de si é-lhe exigida em todo o caso.

Não sei se nos clubes «Gor» espalhados por vários lugares do mundo, especialmente nos EUA, as relações entre dominante e submissa são de molde a que o beijo seja visto como importante.

Para o meu imaginário, Gor é muito mais atraente que o BDSM «normal». Gosto das sedas e dos andrajos, dos véus transparentes, das cores brilhantes, das dançarinas nuas, dos pés descalços das escravas, das marcas com ferro em brasa, da vitalidade orgásmica das mulheres a quem a submissão total livra de todas as inibições.

Só me fazem falta, em Gor, os beijos. Os beijos, para mim, sempre foram essenciais. Não compreendo facilmente como pode haver domínio sem beijos ou submissão sem beijos: sei o que é beijar como um Senhor, sei o que é ser beijado com um beijo de escrava, e ser-me-ia (está-me a ser) muito penoso passar sem isso.

Fico contente por estares a descobrir que também a ti os beijos fazem falta.

MissLibido disse...

Para o saudoso Vanderdecken e para todos os que comentaram... Vamos falar de Gor??

www.dominiumonline.com/forum

procurem COMUNIDADES e GOR

Vamos falar de Gor????

******* ML

Vanderdecken disse...

Vamos então falar de Gor O planete Gor, também chamado Contra-Terra, gira à volta do Sol na mesma órbita que o nosso planeta, mas a uma distância de 180 graus. Está sempre, portanto, do outro lado do Sol, e por isso nem é visível da Terra, nem a Terra é visível de lá.
No planeta Gor não há alta tecnologia: a grande maioria da população vive ao mesmo nível tecnológico que havia na terra há dois mil anos. Uma pequeníssima minoria, no entanto, dispõe de naves espaciais que utiliza para visitar a Terra e capturar escravas.
Num dos livros da série, uma das personagens principais, Tarl Cabot, acaba de lá chegar depois de ter vivido na terra uma pacata vida de professor universitário. Sem o saber, é filho de um guerreiro de Gor. Um mercador de escravas captura-o na terra e leva-o para Gor em cumprimento duma promessa feita ao pai de Tarl, que quer que depois da sua morte o filho tome o seu lugar na sociedade Goreana.
Temos assim que Tarl se encontra em gor sem conhecer minimamente como é a sociedade de lá.
Em companhia de outros guerreiros, Tarl assiste uma vez á passagem duma comitiva riquíssima que acompanha a filha dum mercador a caminho da casa do noivo. Tarl fica intrigado quando vê uma mulher ricamente vestida em cima dum palanque rodeada de outras mulheres tão ricamente vestidas e cobertas de jóias como ela, mas descalças.
O grupo em que Tarl se encontra integrado tem como missão capturar esta mulher e impedir assim, por razões políticas o seu casamento. Depois de atacarem a caravana, a mulher é conduzida à presença do comandante, pensando que vai ser tomada como refém e devolvida à liberdade em troca de um resgate. Porém, quando o comandante a manda descalçar, compreende que o seu destino vai ser a escravidão.
E é também neste momento que Tarl Cabot compreende que aquelas mulheres ricamente vestidas e cobertas de jóias que tinha visto eram todas escravas.

perola&granito disse...

Ai rapariga, rapariga, rapariga
Que só dizes disparates, disparates, disparates
E tanta asneira, tanta asneira, tanta asneira
Que p'ra tirar tanta asneira não chegam cem alicates

Mas tu não sabes, tu não sabes, tu não sabes
Que isso de dar um beijinho já é um costume antigo
Oh quem te disse, quem te disse, quem te disse
Que lá por dares um beijinho tinhas de casar comigo

Oh chega cá
Não vou
Tu és tão linda
Pois sou
Dá-me um beijinho
Não dou
...
...
Ora dá cá um
E a seguir dá outro
Depois dá mais um
Que só dois é pouco
Ai eu gosto tanto
É tão docinho
E no entretanto dá mais um beijinho
...
...
(até o Herman José sabia!!)

teolacio disse...

Sou simpatizante da cultura BDSM e Gor, mas eu digo...

O importante não é saber se uma relação D/s ou Goreano é assim, ou assado. O principal não é seguir uma regra ou outra a risca e a fogo. Não é se auto determinar como submissa, como escrava ou mestre. O principal objetivo é a sua realização pessoal, a liberação do libido, a satisfação das fantasias sexuais mais itensas e escondidas.

Seja lá em qual tipo de relacionamento a pessoa está, é necessário conversar e informar o seu desejo (neste caso pelo beijo e pela demosntração de afeto). E a outra pessoa, caso concorde, deve respeitar esta necessidade.

Por isso sou simpatizante e ainda não praticante.